Frase da Semana

Assim, tudo é de Deus, está em Deus e existe para Deus; ele é o começo, o meio e o fim.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Jonathan Edwards - Enciclopédia de Biografia Mundial

Jonathan Edwards (1703-1758), ministro e missionário na Nova Inglaterra colonial, foi um dos maiores pregadores e teólogos da história americana.

            No final do século 17, a ciência de Isaac Newton e a filosofia de John Locke haviam mudado de modo significativo o conceito humano sobre seu relacionamento com Deus. A capacidade natural do homem de descobrir as leis da criação parecia demonstrar que a revelação sobrenatural não era um prelúdio necessário para o entendimento da criação e do criador. Deus não era mais misterioso; ele tinha dotado os homens com o poder de compreender sua natureza e com uma vontade livre para escolher entre o bem e o mal.
            Foi o talento de Jonathan Edwards que o capacitou plenamente para usar a filosofia de Locke e as descobertas de Newton para reinterpretar o relacionamento do homem com Deus, de tal modo que a experiência com a graça sobrenatural se tornou disponível às pessoas que viviam em um ambiente intelectual e cultural muito diferente do da Inglaterra do século 17. Ao fazer isso, Edwards ajudou a transmitir o aspecto mais rico do puritanismo americano para as gerações seguintes: a experiência individual da regeneração espiritual e emocional do coração. Além disso, mediante sua liderança nos avivamentos religiosos do século 18, Edwards ajudou a tornar a experiência uma parte integral da vida americana para sua época e para o século seguinte.
            Jonathan Edwards nasceu em 5 de outubro de 1703, em East Windsor, Connecticut, onde seu pai era pastor. O avô de Jonathan era pastor na Igreja em Northampton, Massachusetts. Jonathan foi o único homem na família; ele teve 10 irmãs. Graduou-se no Yale College em 1720, permanecendo ali como estudante de teologia até 1722, quando, embora ainda com 19 anos de idade, foi chamado para ser pastor de uma igreja em Nova York. Edwards serviu essa igreja por 8 meses. Em 1723, embora tenha sido chamado para pastorear uma igreja em Connecticut, decidiu experimentar o magistério. Ele ensinou em Yale de 1724 até 1726.

Primeiros Escritos

            Já em nos primeiros anos, Edwards demonstrou talento para a ciência. Em Yale, ele estudou a nova ciência de Newton e leu Locke com mais interesse “do que o mais insaciável avarento”, que enche “as mãos de prata e ouro de algum tesouro recentemente descoberto.” Durante estes anos, ele também começou a registrar suas meditações bíblicas e suas observações sobre o mundo natural. O principal propósito de Edwards não era tornar-se um cientista, mas levar uma vida de intensa santidade.
            A Personal Narrative de Edwards (Narrativa Pessoal, escrita em cerca de 1740) e suas cartas e diários mostram um jovem cuja experiência religiosa era de grande poder e beleza. Como Edwards conta, após vários “períodos de avivamento”, aos 17 anos de idade ele reve uma profunda experiência religiosa, na qual “veio à sua mente um senso tão doce da gloriosa majestade e graça de Deus, que ele não sabia como expressar. Parecia a mim vê-las em uma doce conjunção; majestade e humildade juntas; era uma majestade doce, gentil e santa; e também uma majestade humilde; uma doçura sublime; uma bondade excelente, grande e santa.” Adaptando a filosofia de Locke a seus propósitos, Edwards interpretou o senso da “doçura” da majestade e da graça de Deus como um novo e sexto sentido, criado sobrenaturalmente pelo Espírito Santo. Como ele escreveu mais tarde em A Treatise of Religious Affections (Um Tratado sobre as Afeições Religiosas, 1746), o novo sentido não é “uma nova faculdade do entendimento, mas é um novo princípio posto na natureza da alma, para um novo tipo de exercício da mesma faculdade do entendimento.”
            A percepção de Edwards da realidade última como sobrenatural é evidenciada ainda mais em sua declaração de que “o mundo é ... um mundo ideal.” Ele escreveu em sua juventude Notes on the Mind (Observações sobre a Mente): “O segredo jaz aqui: que, aquilo que verdadeiramente é a Substância de todos os Corpos, é o infinitamente exato, e preciso, e perfeitamente fixo Ideal na mente de Deus, juntamente com sua fixa Vontade de que os mesmos serão gradualmente comunicados a nós e a outras mentes, de acordo com certas Leis e Métodos fixados e exatos.”
            Em 1726, Edwards foi chamado, de Yale para Northampton, para auxiliar seu avô; quando seu avô morreu, em 1729, Edwards tornou-se o pastor da igreja. Em 1727, em se casou com a bela e notável Sarah Pierpont, de New Haven.

Primeiros Avivamentos

            Os avivamentos religiosos tinham se espalhado pela Nova Inglaterra por 100 anos. Em sua juventude, Edwards viu “avivamentos” na congregação de seu pai, e os reavivamentos de seu avô fizeram de sua igreja em Northampton inferior apenas à de Boston. No congrecionalismo inicial da Nova Inglaterra, a membresia da igreja estava aberta apenas para aqueles que faziam publica profissão de fé de sua experiência com a graça. A Aliança do Meio Termo (Halfway Covenant), de 1662, modificou essa diretriz, porém, quando o avô de Edwards permitiu que todos participassem dos sacramentos (inclusive aqueles que não tinham professado sua conversão), ele aumentou grandemente o número de comungantes na Ceia do Senhor.
            O primeiro avivamento de Edwards ocorreu em 1734-1735. Começando como reuniões de oração entre os jovens de Northampton, os avivamentos logo se espalharam para outras cidades, e a reputação de Edwards como um pregador de poder extraordinário cresceu. Permanecendo de pé diante de sua congregação em sua toga ministerial, ele era uma figura imponente, 1,82 de altura, com uma testa grande e olhos sensíveis. Um contemporâneo escreveu que Edwards tinha “o poder de apresentar uma Verdade importante diante de uma audiência com impressionante peso de argumento e com tal intensidade de sentimento, que toda a alma do pregador era colocada em cada parte da concepção e da pregação ... O Sr. Edwards era o homem mais eloquente que jamais ouvi pregar.”
            Edwards se esforçou para transmitir tão claramente quanto possível o significado da crucificação e da ressurreição de Cristo. Suas palavras, ele esperava, levariam seus ouvintes à convicção de seu estado pecaminoso e, então, por meio da infusão da graça divina, a uma profunda experiência de alegria, liberdade e beleza. A obra A Faithful Narrative of the Surprising Work of God in the Conversion of Many Hundred Souls in Northampton, and Neigboring Town and Villages (Uma Fiel Narrativa da Surpreendente Obra de Deus na Conversão de Centenas de Almas em Northampton, e Cidades e Vilas Vizinhas, 1737) relata a história do avivamento de 1734-1735 e inclui uma análise cuidadosa das conversões de uma criança de 4 anos e de uma adolescente.
            A pregação e os escritos de Edwards sobre a natureza e o processo da experiência religiosa produziram inimigos poderosos. Em Massachusetts ocidental, a oposição a Edwards foi conduzida por seus parentes Israel e Solomon Williams, que sustentavam que a segurança de salvação por parte do homem não jazia em uma experiência direta e dominadora da infusão da graça, e que o homem pode julgar-se salvo quando obedece às ordens bíblicas para viver uma vida virtuosa. Edwards também cria que um cristão expressa a nova vida que há dentro dele mediante um comportamento virtuoso, mas ele negava que uma pessoa esteja em um estado de salvação simplesmente porque se comporta virtuosamente. Para ele, boas obras sem a experiência da graça não traziam nem liberdade nem alegria.
            Em 1739, Edwards pregou sermões sobre a história da redenção. Ele claramente considerava que as promessas bíblicas sobre o reino de Cristo na terra seriam cumpridas em breve. Seu interesse na história da redenção é evidenciado ainda mais nas muitas notas sobre as profecias que ele encontrou na Bíblia e nos eventos naturais.

Grande Avivamento

            Em 1740, a chegada na América de George Whitefield, o famoso reavivalista inglês, desencadeou o Grande Avivamento. Os reavivamentos agora se estenderam rapidamente pelas colônias, e milhares de pessoas experimentaram a infusão da graça. A intensidade emocional dos reavivamentos logo provocou ataques de ministros que criam que Whitefield, Edwards e outros pregadores “evangelicais” estavam provocando um fanatismo religioso. O ataque mais famoso foi promovido por Charles Chauncy no livro Seasonable Thoughts on the State of Religion in New England (Pensamentos Oportunos sobre o Estado da Religião na Nova Inglaterra,1743).
            Edwards defendeu o Grande Avivamento em vários livros. Ele reconheceu que houve excessos emocionais, mas no geral ele cria que os avivamentos eram notáveis derramamentos do Espírito Santo. Suas obras de defesa incluem The Distinguishing Marks of a Work of the Spirity of God (As Marcas Distintivas de uma Obra do Espírito de Deus, 1741), Some Thoughts Concerning the Presente Revival of Religion in New England (Alguns Pensamentos acerca do Presente Avivamento da Religião na Nova Inglaterra, 1742), e A treatise Concerning Religious Affections (Um Tratado acerca das Afeições Religiosas, 1746), esta última um clássico em psicologia religiosa. Ele também escreveu uma biografia do noivo de sua filha, o missionário nativo americano David Brainerd.
            O grande Avivamento intensificou as expectativas de Edwards sobre o reino de Cristo. Juntamente com ministros ingleses e escoceses, ele deu início a um Pacto de Oração em Conjunto pela Vinda do Reino de Cristo. A fim de engajar as pessoas no pacto, ele escreveu An humble Attempt to Promote Visible Union of God’s People in Extraordinary Prayer for the Revival of Religion (Uma Humilde Tentativa de Promover a União Visível do Povo de Deus em Oração Extraordinária pelo Reavivamento da Religião, 1747).

Demissão de Edwards

            Os problemas que culminaram na demissão de Edwards de Northampton começaram na década de 1740. Considerável oposição a Edwards havia permanecido em consequência de seus reavivamentos. A animosidade ente ele e os membros de sua congregação aumentou em virtude de uma embaraçosa disputa salarial e um incidente ocorrido em 1744, quando Edwards descobriu que algumas crianças tinham lido secretamente um livro sobre obstetrícia. Muitos filhos de famílias influentes estavam envolvidos; Edwards leu seus nomes publicamente do púlpito, o que causou ressentimentos. Porém, o fator mais importante na demissão de Edwards foi sua decisão, anunciada em 1748, de que daquela data em diante somente aqueles que tinham professado publicamente sua conversão seriam admitidos na Santa Ceia do Senhor. Sua decisão mudava a política de seu avô, a qual o próprio Edwards seguira por 20 anos.
            Foi negado a Edwards o privilégio de explicar seus conceitos do púlpito, e sua defesa escrita An Humble Inquiry into the Rules of the Word of God, Concerning the Qualifications Requisite to a Complete Standing and Full Communion with the Visible Christian Church (Uma Humilde Investigação das Regras da Palavra de Deus acerca das Qualificações Necessárias para uma Permanência Completa e Comunhão Plena com a Igreja Visível, 1749), não foi lida amplamente. Depois de um conflito doloroso, a igreja votou (200 a 23) contra Edwards, e em 1º de julho de 1750, ele pregou seu sermão de despedida.

Últimas Obras

            Em agosto de 1751, Edwards, e sua grande família, foi para Stockbridge, Massachusets, para onde fora chamado para ser pastor da igreja e missionário entre os nativos americanos. Como missionário, ele defendeu os nativos americanos contra ganância e má administração de um comerciante local. Estas lutas consumiram muito de seu tempo, mas ele ainda conseguiu escrever intensamente. Entre as obras mais importantes estão: A Careful and Strict Enquiry into the Modern Prevailing Notion of That Freedom of Will... (Uma Cuidadosa e Rígida Investigação da Noção Moderna Prevalecente daquela Liberdade de Vontade..., 1754), e The Great Christian Doctrine of Original Sin Defended (A Grande Doutrina Cristã do Pecado Original Defendida, 1758). Na primeira, ele afirmou que o homem tem liberdade para escolher, mas que liberdade de escolha não é o mesmo que liberdade da vontade. O poder que decide o que o homem escolhe – sua inclinação – está nas mãos de Deus e além de seu controle pessoal. Em Original Sin (Pecado Original), Edwards sustentou que todos os homens vivem no mesmo estado não regenerado de Adão após a queda.
            Duas outras obras mostram que Edwards não ficou ressentido por causa de sua demissão. Em The Nature of True Virtue (A Natureza da Verdadeira Virtude, 1756), ele define a virtude como boa vontade para “ser” em geral. Concerning the End for Which God Created the World (Acerca do Fim para o qual Deus Criou o Mundo, 1756), é uma prosa semelhante a um poema, um louvor ao Deus que é amor, e cujo universo é a expressão do desejo de Deus de glorificar-se a si mesmo.
            Em janeiro de 1758, Edwards tornou-se presidente do College of New Jersey (agora Princeton). Dois meses depois, ele morreu devido à febre resultante de uma vacinação contra a varíola.

Leitura Adicional

            Dois volumes das Obras de Edwards, organizadas por Perry Miller, apareceram (1957). A principal biografia ainda é a de Samuel Hopkins, Life of the Rev. J. Edwards (Vida do Rev. J. Edwards, 1833), reimpressa em Jonathan Edwards: A Profile (Jonathan Edwards: Um Perfil, 1969). O estudo mais importante sobre o pensamento de Edwards é o de Perry Miller, Jonathan Edwards (1949). Outros importantes estudos são: Ola E. Winslow, Jonathan Edwards (1960); Douglas Elwood, Philosophical Theology of Jonathan Edwards (Teologia Filosófica de Jonathan Edwards, 1960); e James Carse, Jonathan Edwards and the Visibility of God (Jonathan Edwards e a Visibilidade de Deus, 1967). Para o pano de fundo veja: Perry Miller, The New England Mind: From Colony to Province (A Mente da Nova Inglaterra: De colônia para província, 1953), e Alan E. Heimert, Religion and the American Mind (Religião e a Mente Americana, 1967).

Extraído de Jonathan Edwards em Encyclopedia of World Biography; disponível em http://www.encyclopedia.com
Tradução Paulo:  Corrêa Arantes