Frase da Semana

Assim, tudo é de Deus, está em Deus e existe para Deus; ele é o começo, o meio e o fim.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

O Pastor como Teólogo - Vida e Ministério de Jonathan Edwards (John Piper)

Conferência Belém para Pastores de 1988

 

Meu tema é “O Pastor como Teólogo, Reflexões sobre a Vida e Ministério de Jonathan Edwards”. Um dos livros de Edwards, escrito em 1742, foi recentemente reeditado com uma introdução de Charles Colson. Colson escreveu,

 

A igreja ocidental – grande parte dela à deriva, enculturada e infectada pela graça barata – precisa desesperadamente ouvir o desafio de Edwards.... Acredito que as orações e o trabalho daqueles que amam e obedecem a Cristo em nosso mundo ainda poderão prevalecer, à medida que mantiverem a mensagem de um homem como Jonathan Edwards.

 

Presumo que você esteja entre aqueles que amam e obedecem a Cristo, e que anseiam que suas orações e seu trabalho prevaleçam sobre a incredulidade e o mal em suas igrejas e suas comunidades, e, eventualmente, no mundo. E acredito que Colson está certo ao dizer que Edwards tem um desafio para nós que pode nos ajudar muito, não apenas em sua mensagem, mas também em sua vida como pastor-teólogo.

 

O verdadeiro Jonathan Edwards

A maioria de nós não conhece o verdadeiro Jonathan Edwards. Todos nós nos lembramos das aulas de Inglês do ensino médio ou das aulas de História Americana. Os livros didáticos tinham uma pequena seção sobre “Os Puritanos” ou “O Grande Avivamento”. E o que lemos? Bem, meu filho mais velho está no 9º ano agora, e seu livro de História Americana tem um parágrafo sobre o Grande Avivamento, que começa com a frase mais ou menos assim: “O Grande Avivamento foi um breve período de intenso sentimento religioso nas décadas de 1730 e de 40, o qual causou a divisão de muitas igrejas.”

E, para muitos livros didáticos, Edwards não é mais do que um perturbador obscuro das igrejas naqueles dias de fervor do Avivamento. Assim, o que temos como exemplo do puritanismo moderno é um trecho de seu sermão, “Sinners in the Hands of an Angry God” (Pecadores nas mãos de um Deus irado). Talvez um assim:

 

O Deus que mantém você sobre o abismo do inferno, assim como alguém segura uma aranha, ou algum inseto repugnante, sobre o fogo, abomina você e está terrivelmente provocado: sua ira contra você queima como fogo; ele considera você como digno de nada mais exceto de ser lançado no fogo; ele tem olhos mais puros para suportar ter você à sua vista; você é dez mil vezes mais abominável aos olhos dele do que a mais odiosa serpente venenosa aos nossos.

 

E assim as crianças ficam com a impressão de que Edwards era um misantropo deprimente, rabugento, mal-humorado, talvez patológico, que caiu no discurso religioso grotesco da mesma forma que algumas pessoas caem na obscenidade.

Porém nenhum menino do ensino médio é convidado a lutar contra o que Edwards estava enfrentando como pastor. Quando você lê “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, você percebe rapidamente que Edwards não estava caindo nesse tipo de linguagem por acidente. Ele estava trabalhando como pastor para comunicar uma realidade que via nas Escrituras, e que acreditava ser infinitamente importante para seu povo.

E antes que qualquer um de nós, especialmente nós, pastores, desdenhemos da imagem de Edwards, é melhor pensarmos muito sobre qual é o nosso próprio método para ajudar nosso povo a sentir o peso da realidade de Apocalipse 19.15. Edwards se coloca diante deste texto com reverência. Ele praticamente fica boquiaberto com o que vê aqui. João escreve neste versículo: “[Cristo] pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso”.

Ouça o comentário de Edwards neste sermão,

 

As palavras são extremamente terríveis. Se tivesse sido dito apenas "a ira de Deus", as palavras teriam implicado aquilo que é infinitamente terrível; mas é "o furor e a ira de Deus! O furor de Yahweh! Oh, quão terrível deve ser isso! Quem pode expressar ou conceber o que tais expressões carregam em si?

 

A qual estudante do ensino médio foi pedido alguma vez que enfrentasse o que realmente está em questão aqui? Se a Bíblia é verdadeira, e se ela diz que algum dia Cristo pisará seus inimigos como um lagar com uma ira que é feroz e todo-poderosa, e se você é um pastor encarregado de aplicar a verdade bíblica ao seu povo para que fujam da ira por vir, então qual seria a sua linguagem? O que você diria para fazer as pessoas sentirem a realidade de textos como esses?

Edwards trabalhou com a linguagem, com imagens e metáforas porque ficou muito atordoado e aterrorizado com as realidades que viu na Bíblia. Você ouviu aquela frase na citação que acabei de ler: “Quem pode expressar ou conceber o que tais expressões carregam em si?” Edwards acreditava que era impossível exagerar o horror da realidade do inferno. Os professores do ensino médio fariam bem em fazer aos seus alunos a pergunta realmente investigativa: “Por que é que Jonathan Edwards se esforçou para encontrar imagens da ira e do inferno que chocassem e aterrorizassem, enquanto os pregadores contemporâneos tentam encontrar abstrações e circunlocuções que se afastam de imagens bíblicas concretas e palpáveis de fogo inextinguível, de vermes imortais e de ranger de dentes?” Se fosse feita esta pergunta simples e histórica aos nossos alunos, meu palpite é que alguns dos mais brilhantes responderiam: “Porque Jonathan Edwards realmente acreditava no inferno, mas a maioria dos pregadores de hoje não.”

            Porém ninguém nos pediu para levar Edwards a sério e, deste modo, a maioria de nós não o conhece. A maioria de nós não sabe que ele conhecia o seu céu ainda melhor do que o seu inferno, e que a sua visão de glória era tão atraente quanto a sua visão de julgamento era repulsiva.

A maioria de nós não sabe que ele é considerado hoje, tanto por historiadores seculares como evangélicos, como o maior pensador protestante que a América já produziu. Dificilmente foi escrito algo mais perspicaz sobre o problema da soberania de Deus e da responsabilidade do homem do que o seu livro, The Freedom of the Will (A Liberdade da Vontade).

A maioria de nós não sabe que ele não foi apenas o graveto de Deus para o Grande Avivamento, mas também o seu analista e crítico mais penetrante. Seu livro intitulado The Religious Affections (As Afeições Religiosas) expõe a alma com um cuidado tão implacável e uma honestidade bíblica que, duzentos anos depois, ainda quebranta o coração do leitor sensível.

A maioria de nós não sabe que Edwards era movido por um grande desejo de ver concluída a tarefa missionária da igreja. Quem sabe se Edwards foi mais influente em seus esforços teológicos sobre a liberdade da vontade, a natureza da verdadeira virtude, o pecado original e a história da redenção, ou se ele foi mais influente por causa de seu grande zelo missionário e por ter escrito Life of David Brainerd (A Vida de David Brainerd).

Algum de nós sabe que coisa incrível é que este homem, que foi pastor numa pequena cidade durante 23 anos de uma igreja de 600 pessoas, missionário entre os índios durante 7 anos, que criou 11 filhos fiéis, que trabalhou sem a ajuda de luz eléctrica, ou de processadores de texto, ou de correspondência rápida, ou até mesmo de papel suficiente para escrever, que viveu apenas até aos 54 anos, e que morreu com uma biblioteca de 300 livros – que este homem liderou um dos maiores avivamentos dos tempos modernos, escreveu livros teológicos que ministraram durante 200 anos e fizeram mais pelo movimento missionário moderno do que qualquer pessoa da sua geração?

Sua biografia do jovem missionário David Brainerd teve um efeito incalculável no empreendimento missionário moderno. Quase imediatamente desafiou o espírito dos grandes aventureiros de Deus. Gideon Hawley, um dos missionários protegidos de Edwards, carregou-o em seus alforjes e escreveu, em 1753 (pouco antes da morte de Edwards), quando a pressão estava quase além da capacidade de resistência: “Preciso, preciso muito, de algo mais do que humano para me apoiar. Eu leio minha Bíblia e a Vida do Sr. Brainerd, os únicos livros que trouxe comigo, e deles tenho um pouco de apoio.”

John Wesley publicou uma versão abreviada de Brainerd's Life (A Vida de Brainerd), de Edwards, em 1768, dez anos após a morte de Edwards. Ele desaprovava o calvinismo de Edwards e Brainerd, mas disse: “Encontre pregadores do espírito de David Brainerd e nada poderá resistir a eles.”

A lista de missionários que testemunham da inspiração de Brainerd's Life (A Vida de Brainerd) através da obra de Jonathan Edwards é mais longa do que qualquer um de nós imagina: Francis Asbury, Thomas Coke, William Carey, Henry Martyn, Robert Morrison, Samuel Mills, Fredrick Schwartz, Robert M' Cheyne, David Livingstone, Andrew Murray. E poucos dias antes de morrer, Jim Elliot, que foi martirizado pelos Aucas, escreveu em seu diário: “Confissão de orgulho – sugerida ontem pelo Diário de David Brainerd – deve se tornar uma coisa frequente para mim.”

Assim, durante 250 anos, Edwards tem alimentado o movimento missionário com a sua biografia de David Brainerd. E David Bryant, hoje, não esconde o fato de que o livro de Edwards sobre alianças de oração (The Humble Attempt – Humilde Tentativa) é a inspiração para o seu próprio esforço no movimento de oração pelo avivamento e pela evangelização mundial hoje. Portanto, Brainerd é lido e conhecido há dois séculos. E a visão de Edwards de oração unida está ganhando vida novamente na pessoa de David Bryant. Porém quem conhece o homem que escreveu esses livros?

Mark Noll, que ensina história em Wheaton e refletiu muito sobre o trabalho de Edwards, descreve a tragédia assim:

 

Desde Edwards, os evangélicos americanos não pensaram na vida a partir da base como cristãos, porque toda a sua cultura deixou de fazê-lo. A piedade de Edwards continuou na tradição avivalista, a sua teologia continuou no calvinismo acadêmico, mas não houve sucessores para a sua visão de mundo extasiada em Deus ou para a sua filosofia profundamente teológica. O desaparecimento da perspectiva de Edwards na história cristã americana foi uma tragédia. (Citado em “Jonathan Edwards, Moral Philosophy, and the Secularization of American Christian Thought”, Reformed Journal (fevereiro de 1983):26. Ênfase minha.)

 

A bússola dos meus próprios estudos teológicos

E, francamente, gostaria de poder recriar para todos vocês o que significou para mim encontrar meu caminho, pouco a pouco, rumo a essa cosmovisão fascinada por Deus. Ele começou quando estava no seminário, quando li Essay on the Trinity (Ensaio sobre a Trindade), depois Freedom of the Will (Liberdade da Vontade), depois Dissertation concerning the End for which God created the World (Dissertação sobre o fim para o qual Deus criou o mundo), depois Nature of True Virtue (Natureza da Verdadeira Virtude), e então Religious Affections (Afeições Religiosas) de Edwards.

Juntamente com a Bíblia, Edwards tornou-se a bússola dos meus estudos teológicos. Não que ele tenha algo parecido com a autoridade das Escrituras, mas que ele é um mestre dessas Escrituras, e um precioso amigo e professor.

Um dos meus professores do seminário sugeriu-nos, por volta de 1970, que encontrássemos um grande e piedoso professor na história da igreja e que fizéssemos dele um companheiro para toda a vida. Isso é o que Edwards se tornou para mim. É difícil superestimar o que ele significou para mim, teológica e pessoalmente, na minha visão de Deus e no meu amor por Cristo.

Isso aconteceu quando eu era professor em Betel, porque Edwards propôs e lutou com muitas questões que eram absolutamente essenciais para mim naquela época. Agora, porém, trabalho como pastor há quase oito anos, e posso dizer que Edwards fez toda a diferença no mundo.

Estou profundamente convencido de que o que nosso povo precisa é de Deus. Preguei sobre o reinado de Cristo há duas semanas, no domingo de Páscoa, a partir de 1 Coríntios 15.20-28. No final, diz que um dia o próprio Filho estará sujeito ao Pai, para que Deus seja tudo em todos. Argumentei que a necessidade do reinado de Cristo (expressa nas palavras: “Porém convém que ele reine até que haja posto todos os seus inimigos debaixo dos pés”) está enraizada nas próprias exigências de Deus, o Pai, a fonte da divindade – para que esteja Deus em toda a plenitude de sua glória, a imagem e reflexo de sua glória, o Filho deve voltar-se, curvar-se e chamar toda a atenção através de si mesmo para o Pai.

Seis versículos depois, Paulo pede aos coríntios, que questionavam a ressurreição de Cristo: “Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa.” O que eles precisavam, e o que o nosso povo precisa, é de uma verdadeira visão da grandeza de Deus. Eles precisam ver todo o panorama de suas excelências.

O povo precisa ver um homem fascinado por Deus no domingo de manhã e na reunião dos diáconos. Robert Murray M'Cheyne disse: "O que meu povo mais precisa é de minha santidade pessoal. Isso mesmo. Porém a santidade humana nada mais é do que uma vida embriagada de Deus." E nosso povo precisa ouvir a pregação fascinada por Deus. O próprio Deus precisa ser o tema da nossa pregação, em sua majestade, e santidade, e justiça, e fidelidade, e soberania e graça. E com isso não quero dizer que não devamos pregar sobre coisas práticas essenciais, como paternidade, divórcio, AIDS, glutonaria, televisão e sexo. Deveríamos, de fato! O que quero dizer é que todas essas coisas deveriam ser levadas diretamente para a santa presença de Deus, e expostas às raízes de sua religiosidade ou impiedade.

O que nosso povo precisa não é de belas pequenas palestras morais ou psicológicas sobre como se dar bem no mundo. Ele precisa ver que tudo, absolutamente tudo – desde as vendas de garagem e a reciclagem de lixo até a morte e os demônios, tem a ver com Deus em toda a sua infinita grandeza. A maior parte do nosso povo não tem ninguém, ninguém no mundo que possa proclamar a majestade de Deus para ele. Portanto, a maioria está faminta pela visão infinita e extasiada por Deus de Jonathan Edwards, e nem mesmo sabe disso.

São como pessoas que cresceram em uma sala com teto plano de gesso branco, de 2,5 metros e sem janelas. Elas nunca viram o amplo céu azul, ou o sol brilhando na glória do meio-dia, ou os milhões de estrelas de uma noite clara no campo, ou uma montanha de um trilhão de toneladas. E, assim, elas não conseguem explicar o sentimento de pequenez, e trivialidade, e mesquinharia e insignificância em suas almas. Mas é porque não há grandeza. O que nosso povo precisa é da visão da realidade fascinada por Deus que Jonathan Edwards teve.

Cerca de cinco anos atrás, durante nossa semana de oração de janeiro, decidi pregar sobre a santidade de Deus a parir de Isaías 6. E resolvi, no primeiro domingo do ano, pregar sobre os primeiros quatro versículos desse capítulo, e expor a visão da santidade de Deus:

 

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. As bases do limiar se moveram à voz do que chamava, e a casa encheu-se de fumaça.

 

Então preguei sobre a santidade de Deus e fiz o meu melhor para exibir a majestade e a glória de um Deus tão inacessivelmente santo. Não proferi uma palavra de aplicação à vida do nosso povo (o que não é uma boa prática regularmente).

Mal sabia eu que, na semana anterior a esta mensagem, uma das jovens famílias da nossa igreja descobriu que o seu filho vinha sendo abusado sexualmente por mais de um ano por um familiar próximo. Foi incrivelmente devastador. Houve envolvimento da polícia. Assistentes sociais. Psiquiatras. Médicos. Eles estavam lá naquela manhã de domingo e ouviram aquela mensagem.

Eu me pergunto quantos de nossos conselheiros, pastores hoje, teriam dito: Piper, você não vê que seu povo está sofrendo? Você não pode descer da sua torre de marfim de teologia e ser prático? Você não percebe que tipo de pessoa senta na sua frente no domingo?

Vários meses depois, os tristes detalhes começaram a surgir. E o marido veio até mim, um domingo depois de um culto, me chamou de lado e disse: “John, estes foram os meses mais difíceis de nossas vidas. Você sabe o que me ajudou a superar? A visão da grandeza da santidade de Deus que você me deu na primeira semana de janeiro. Foi a rocha sobre a qual pudemos nos firmar.”

Há apenas uma semana atrás, conversei com uma mulher que frequenta esta igreja há mais de sete anos. Ela não é membro. Ela estava se divorciando naqueles primeiros dias e sabia que eu era contra. Ela disse, na semana passada: “Apesar de toda a minha turbulência, sentimentos confusos e solidão, precisei de sua posição e de sua visão ao longo desses anos. Elas foram cruciais para minha sobrevivência espiritual.”

E, oh, como eu gostaria que tivéssemos tempo para conversar sobre o que a visão deste Deus significou para o movimento missionário aqui na Belém. Deixe-me colocar em uma palavra. Os jovens de hoje, na Belém, não ficam entusiasmados com denominações e agências. Eles ficam entusiasmados com a grandeza de um Deus global e com o propósito inevitável de um Rei soberano.

Eu acreditava nisso antes de ser pastor. Acredito ainda mais fortemente agora, depois de oito anos de ministério pastoral. A majestade, a soberania e a beleza de Deus são o eixo da vida da igreja, tanto no cuidado pastoral como no alcance missionário. Em outras palavras, a cosmovisão fascinada por Deus que Jonathan Edwards tinha não era produto e prerrogativa de um teólogo acadêmico. Era o coração do seu trabalho pastoral.

E por isso quero deixar que Edwards nos admoeste e nos encoraje com o seu exemplo. Espero que todos vocês comprem a nova biografia de Iain Murray. E espero que muitos de vocês adquiram suas Works (Obras) ou pelo menos a brochura de Religious Affections (Afeições Religiosas). Mas não me entenda mal. Nenhum de nós nesta sala será um Jonathan Edwards. Ele está quase sozinho em uma categoria. Pensar que qualquer pensamento assim resultaria em nada além de desânimo. Devemos ser nós mesmos.

Escreva 1 Coríntios 15.10 em cada livro, conferência e seminário – “Pela graça de Deus sou o que sou”. Eu poderia desejar ter o gênio estratégico de Ralph Winter, ou a precisão teológica e o discernimento de um J. I. Packer, mas não serei eles, nem Jonathan Edwards. Porém podemos aprender e ser inspirados a prosseguir, talvez muito além das nossas realizações atuais, em compreensão, santidade e fidelidade. Podemos ser bons uns para os outros, desde que não tentemos imitar. O olho do corpo não é o ouvido e o pé não é a mão.

 

Sustentando Nossa Visão de Deus

Então deixe-me contar algumas coisas sobre o trabalho de Edwards que sustentaram sua visão de Deus. Algumas delas se encaixarão na tua vida e outras não. Minha oração é que você veja algo aqui que te dê um novo senso de zelo e compromisso com o maior chamado do mundo. Deixe-me colocar isso na forma de quatro exortações a partir da vida deste pastor.

Edwards nos exorta à determinação radical em nossa ocupação com coisas espirituais.

Ouça duas de suas resoluções que tomou em 1723, quando tinha quase 20 anos.

 

# 44. Resolvi que nenhum outro fim, exceto a religião, terá qualquer influência em qualquer uma de minhas ações; e que nenhuma ação será, na menor circunstância, diferente da que o fim religioso a levará.

# 61. Resolvi que não cederei àquela indiferença que acho que desvia e relaxa minha mente de estar plena e fixamente voltada para a religião, qualquer que seja a desculpa que eu possa ter para ela...

 

Penso que esta é uma aplicação do princípio de Paulo em 2 Timóteo 2.4-6: “Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou. Igualmente, um atleta não é coroado se não lutar segundo as normas. O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos.”

Penso que o que acontece com muitos pastores é que o ministério não prospera com tanto poder e alegria como esperavam, e apenas para sobreviver emocionalmente começam a dar lugar a divertimentos, diversões e hobbies. O ministério se torna um trabalho de 40 horas por semana, como qualquer outro, e então as noites e os dias de folga são preenchidos com diversões agradáveis e inofensivas. E todo o sentimento muda. A urgência radical enfraquece. A mentalidade de tempo de guerra muda para uma mentalidade de tempo de paz. O estilo de vida começa a ficar confortável. A ardente determinação da visão evapora.

Deixe-me dizer isso novamente. Nosso povo precisa de um homem embriagado por Deus. Mesmo que critiquem o fato de você não estar disponível para jantar no sábado à noite, porque precisa estar com Deus; eles precisam de pelo menos um homem em suas vidas que esteja radical e totalmente focado em Deus e na busca pelo conhecimento de Deus, e no ministério da palavra de Deus. Quantas pessoas em suas igrejas você conhece que estão trabalhando para conhecer a Deus, que estão se esforçando sinceramente no estudo e na oração para ampliar sua visão de Deus. Muito poucos. Pois bem, o que será de nossas igrejas se nós, os pastores, que são encarregados de conhecer e explicar todo o conselho de Deus, nos tornarmos neutros, pararmos de ler, de estudar e de escrever, e assumirmos mais hobbies e assistirmos mais televisão?

Edwards nos exorta a uma ocupação obstinada com Deus, a tempo e fora de tempo. Edwards chama esse esforço para conhecer Deus de “divindade” em vez de teologia. É uma ciência muito acima de todas as outras ciências. Ouça o que ele diz que deveria nos ocupar:

 

O próprio Deus, o eterno Três em um, é o objeto principal desta ciência; e a seguir Jesus Cristo, como Deus-homem e Mediador, e a gloriosa obra de redenção, a obra mais gloriosa que já foi realizada, então as grandes coisas do mundo celestial, a herança gloriosa e eterna comprada por Cristo, e prometida no Evangelho; a obra do Espírito Santo de Deus nos corações dos homens; nosso dever para com Deus e a maneira pela qual nós mesmos podemos nos tornar... como o próprio Deus em nossa medida. Todos estes são objetos desta ciência. (Works, II, 159)

 

Se a ocupação obstinada com estas coisas for deixada a alguns teólogos académicos nas faculdades e seminários, enquanto todos os pastores se tornam técnicos, gestores e organizadores, poderá haver um sucesso superficial durante algum tempo, enquanto os americanos ficam entusiasmados com um programa ou outro, mas a longo prazo os ganhos revelar-se-ão superficiais e fracos, especialmente no dia do julgamento.

Portanto, a primeira exortação de Edwards é ser radicalmente obstinado no seu compromisso de conhecer a Deus.

Trabalhe diligentemente para conhecer as Escrituras.

Não obtenha sua visão de Deus de segunda mão. Nem mesmo deixe Edwards ou Packer serem sua fonte primária de divindade. Este foi o exemplo que o próprio Edwards nos deu. Seu primeiro biógrafo, Sereno Dwight, disse que, quando chegou ao pastorado em Northampton, “ele havia estudado teologia, não principalmente em sistemas ou comentários, mas na Bíblia, e no caráter e nas relações mútuas de Deus com suas criaturas, do que todos seus princípios são derivados” (Works, I, xxxvii).

Certa vez, Edwards pregou um sermão intitulado “A importância e a vantagem de um conhecimento completo da verdade divina”. Nele ele disse: “Seja assíduo [!] na leitura das Sagradas Escrituras. Esta é a fonte de onde todo o conhecimento da divindade deve ser derivado. Portanto, não deixe este tesouro ser negligenciado por você” (Works, II, 162).

E ele deu um exemplo maravilhoso em sua própria diligência no estudo da própria Bíblia. Estive na Biblioteca Beinecke, de Yale, em outubro passado, onde as obras não publicadas de Edwards estão armazenadas. Eles me levaram ao nível inferior e a uma salinha onde dois ou três homens trabalhavam em manuscritos antigos com microscópios e iluminação especial. Pude ver alguns dos manuscritos dos sermões de Edwards (incluindo “Pecadores nas mãos de um Deus irado”), seu catálogo de leituras e sua Bíblia intercalada.

Ele desmontou uma grande Bíblia página por página, inseriu uma folha de papel em branco entre cada página e costurou novamente o livro. Depois traçou uma linha no centro de cada página em branco para formar duas colunas para anotações. Página após página, nas partes mais remotas das Escrituras, havia extensas notas e reflexões em sua caligrafia minúscula e quase ilegível.

Penso que há razões para acreditar que Edwards realmente cumpriu a sua 28ª resolução, enquanto estava em Yale.

 

Resolvi: Estudar as Escrituras tão firme, constante e frequentemente, de modo que eu possa encontrar, e compreender claramente, meu próprio crescimento no conhecimento das mesmas.

 

Considero esta resolução como uma repreensão e um grande incentivo para fazer um balanço das minhas prioridades pastorais e das minhas prioridades de leitura. 2 Pedro 3.18 diz: “Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” Então Edwards resolveu estudar a Bíblia de forma tão “firme, constante e frequente” de modo que pudesse ver crescimento.

Quantos de nós temos um plano para crescer em nossa compreensão de todo o terreno das Escrituras? A maioria de nós não usa a Bíblia como fonte para obter sermões, devocionais e ajuda devocional pessoal? Porém será que trabalhamos nas Escrituras de tal maneira que podemos ver claramente que hoje entendemos algo nela que não entendíamos ontem?

Temo que muitos de nós trabalhemos na leitura de livros sobre teologia e sobre a vida da igreja com o objetivo de crescer, mas não tenhamos nenhum plano e não façamos nenhum esforço sustentado para avançar de forma firme e constante em nossa compreensão da Bíblia. A segunda exortação de Edwards é que isto não deveria ser assim. Estude a Bíblia de forma tão firme, constante e frequente que você perceba claramente que está crescendo nela.

Edwards nos exorta a aproveitar o tempo e a fazer o que nossas mãos encontrarem para fazer com todas as nossas forças.

Sua sexta resolução foi simples e poderosa: “Resolvi: Viver com todas as minhas forças enquanto eu viver”. A resolução #5 foi semelhante: “Resolvi: Nunca perder um momento de tempo, mas aproveitá-lo da maneira mais proveitosa possível.”

Ele acreditava muito em fazer o que pudesse no tempo que tinha, em vez de adiar as coisas para uma ocasião mais conveniente. A resolução #11 é uma das razões pelas quais ele fez progressos tão surpreendentes em sua compreensão teológica. Diz: “Resolvi: Quando penso em qualquer teorema sobre a divindade a ser resolvido, devo fazer imediatamente o que puder para resolvê-lo, se as circunstâncias não o impedirem.”

Edwards não era um leitor passivo. Ele lia com o objetivo de resolver problemas. A maioria de nós é amaldiçoada por uma tendência à leitura passiva. Lemos da mesma forma que as pessoas assistem TV. Não fazemos perguntas enquanto lemos. Não perguntamos: Por que esta frase segue aquela frase? Como este parágrafo se relaciona com aquele de três páginas anteriores? Não investigamos a ordem do pensamento, nem ponderamos o significado dos termos. E se vemos um problema, estamos habituados a deixá-lo para os especialistas, e raramente abordamos uma solução naquele momento da forma como Edwards disse que estava comprometido em fazer se o tempo permitisse. Porém, Edwards nos chama a sermos ativos em nossas mentes quando lemos. Um pastor não será capaz de alimentar seu rebanho com uma visão rica e desafiadora da Palavra de Deus, a menos que se torne um pensador disciplinado. Mas quase nenhum de nós faz isso por natureza. Devemos treinar a nós mesmos a fazer isso. E uma das melhores maneiras de nos treinarmos a pensar sobre o que lemos é ler com a caneta na mão e anotar uma sequência de ideias que nos venha à mente. Sem isso, simplesmente não conseguiremos sustentar uma sequência de perguntas e respostas suficientemente longa para chegar a conclusões penetrantes. Este foi o método simples que fez com que o gênio natural de Edwards produzisse resultados imensos e duradouros. Ouça a descrição de Sereno Dwight sobre sua disciplina a esse respeito.

 

Ainda menino, ele começou a estudar com a caneta na mão; não com o propósito de copiar os pensamentos de outros, mas com o propósito de anotar e preservar o pensamento sugerido à sua própria mente.... Esta prática muito útil... ele seguiu constantemente em todos os seus estudos ao longo da vida. Sua caneta parece ter estado sempre em sua mão. A partir desta prática... ele obteve a grande vantagem de pensar continuamente durante cada período de estudo; de pensar com precisão; de pensar de forma conectada; de pensar habitualmente em todos os momentos... de seguir cada assunto de pensamento até onde fosse capaz... de preservar seus melhores pensamentos, associações e imagens, e então organizá-los sob seus devidos títulos, prontos para uso posterior; de fortalecer regularmente a faculdade de pensar e raciocinar mediante exercícios constantes e eficientes; e, acima de tudo, de moldar-se gradualmente em um ser pensante... (Works, I, xviii)

 

Dwight nos conta como ele aproveitou os dias que levava a cavalo para ir de uma cidade a outra. Ele pensava em algo até chegar a alguma conclusão e, então, prendia um pedaço de papel em seu casaco e desafiava sua mente a lembrar a sequência de pensamentos quando tirava o papel em casa (Works, I, xxxviii).

            Edwards podia passar até 13 horas por dia em seu escritório, diz Dwight, por causa de sua decisão de não visitar seu povo, exceto quando solicitado. Ele recebia pessoas em seu escritório para conversar, e frequentemente ministrava reuniões privadas em vários bairros, além de catequizar os jovens em sua casa. Provavelmente não deveríamos segui-lo neste padrão de trabalho pastoral. Ele pode até ter errado nessa escolha. Porém nós, que amamos o que ele escreveu, não o culparemos muito.

Ele acordava cedo, mesmo naqueles dias sem eletricidade. Na verdade, ele provavelmente estava falando sério quando escreveu em seu diário, em 1728: “Acho que Cristo recomendou levantar-se de manhã cedo, levantando-se da sepultura muito cedo.”

Não é fácil saber como era sua vida familiar sob esse tipo de cronograma rigoroso. Dwight diz em certo lugar: “À noite, ele geralmente se permitia um período de relaxamento, no meio de sua família”. (Works, I, xxxviii) Mas, em outro lugar, o próprio Edwards diz (em 1734, quando tinha 31 anos): “Eu julgo que é melhor, quando estou em boa disposição para a contemplação divina, ou engajado na leitura das Escrituras, ou em qualquer estudo de assuntos divinos, que, normalmente, não serei interrompido para ir jantar, mas renunciarei ao meu jantar, em vez de ser interrompido” (Works, I, xxxvi). Penso que seria justo dizer que a chave indispensável para criar 11 filhos crentes nestas circunstâncias foi uma união incomum com Sarah, que era uma mulher incomum.

No que diz respeito aos seus hábitos alimentares, ele não apenas estava disposto a pular o jantar por causa do estudo, se as coisas estivessem realmente fluindo, ele também, diz-nos Dwight, “observou cuidadosamente os efeitos dos diferentes tipos de alimentos e selecionou aqueles que melhor se adequavam à sua constituição e o tornavam mais apto para o trabalho mental”. (Works, I, xxxviii) Edwards estabeleceu esse padrão quando tinha 21 anos, quando escreveu em seu diário:

 

Com moderação na dieta e comendo tanto quanto possível o que é leve e de fácil digestão, sem dúvida serei capaz de pensar com mais clareza e ganharei tempo; 1. Prolongando minha vida; 2. Necessitará de menos tempo para digestão, após as refeições; 3. Poderei estudar mais atentamente, sem prejuízo à saúde; 4. Precisará de menos tempo para dormir; 5. Raramente será incomodado com dor de cabeça. (Works, I, xxxv)

 

Recomendo à sua consideração se tal cuidado para maximizar o tempo e a eficácia na devoção ao ministério da palavra é o que Paulo quis dizer quando falou em remir o tempo, e quando o Pregador disse: “Tudo o que a sua mão achar para fazer, faça-o com a sua força”.

O trabalho teológico de Edwards nos exorta a estudar em prol da adoração sincera e da obediência prática.

Você se lembra do que Mark Noll disse: “A piedade de Edwards continuou na tradição avivalista, sua teologia continuou no calvinismo acadêmico, mas não houve sucessores para sua cosmovisão fascinada por Deus...” O doce casamento entre razão e afeição, entre pensamento e sentimento, entre cabeça e coração, entre estudo e adoração, que ocorreu na vida de Jonathan Edwards, tem sido raro desde sua época e ainda é raro.

Portanto, a exortação final é recuperar aquela “lógica em chamas”, como a chamavam os puritanos – em chamas de alegria e obediência.

Edwards não seguiu uma paixão por Deus porque isso era a cereja do bolo da fé. Para ele, a fé estava fundamentada num senso de Deus que era mais do que aquilo que a razão sozinha poderia proporcionar. Ele disse,

 

Um verdadeiro senso da glória de Deus é aquele que nunca pode ser obtido mediante [raciocínio] especulativo; e se os homens se convencerem por meio de argumentos de que Deus é santo, isso nunca dará um senso de sua amável e gloriosa santidade. Se eles argumentarem que ele é muito misericordioso, isso não dará um senso de sua gloriosa graça e misericórdia. Este senso deve ser uma descoberta mais imediata e consciente, que deve dar à mente um senso real da excelência e da beleza de Deus. (Works, II, 906)

 

Em outras palavras, é inútil simplesmente acreditar que Deus é santo e misericordioso. Para que essa crença tenha algum valor salvífico, devemos “sentir” a santidade e a misericórdia de Deus. Isto é, devemos ter um verdadeiro deleite nestas coisas pelo que elas são em si. Caso contrário, o conhecimento não será diferente daquele que os demônios têm.

Isto significa que todo o seu estudo e pensamento foram em vão? Na verdade, não. Por que? Porque ele diz: “Quanto mais você tiver um conhecimento racional das coisas divinas, mais oportunidades haverá, quando o Espírito for soprado em teu coração, de ver a excelência dessas coisas e de provar a doçura delas.” (Works, II, 162, ver p.16)

Porém o objetivo de tudo é esse sabor espiritual, não apenas conhecer a Deus, mas deleitar-se nele, saboreá-lo, apreciá-lo. E assim, apesar de todo o seu poder intelectual, Edwards estava muito longe de ser um acadêmico frio, imparcial, neutro e desinteressado.

Ele disse em sua 64ª resolução:

 

Resolvi, quando encontro aqueles “gemidos inexprimíveis”, dos quais fala o apóstolo, e aquelas “aspirações da alma pelo desejo que tem”, das quais o salmista fala... Não me cansarei de me esforçar sinceramente para dar vazão aos meus desejos, nem das repetições de tal seriedade.

 

Em outras palavras, ele estava tão empenhado em cultivar sua paixão por Deus quanto em cultivar seu conhecimento de Deus. Ele lançou-se na couraça de sua carne não apenas pela verdade, mas também por mais graça. A 30ª resolução diz:

 

Resolvi, esforçar-me todas as semanas para ser elevado na religião e para um exercício mais elevado da graça do que na semana anterior.

 

E esse avanço foi, para Edwards, intensamente prático. Ele disse ao seu povo o que procurava para si mesmo.

Não procure crescer em conhecimento principalmente para receber aplausos e para poder discutir com os outros; mas procurem-no para o benefício de suas almas e a fim de praticar... Pratique de acordo com o conhecimento que você possui. Esta será a forma de saber mais.... [De acordo com o Salmo 119.100] “Sou mais prudente que os idosos, porque guardo os teus preceitos.” (Works, II, 162s)

O grande objetivo de todo estudo – de toda teologia – é um coração voltado para Deus e a uma vida de santidade. O grande objetivo de todo o trabalho de Edwards era a glória de Deus. E a melhor coisa que aprendi com Edwards, creio eu, é que Deus não é glorificado principalmente por ser conhecido, nem por ser obedientemente obedecido. Ele é mais glorificado por ser apreciado. Deus glorifica-se também para com as criaturas de duas maneiras: (1) ao aparecer-lhes, manifestando-se ao seu entendimento; (2) ao comunicar-se aos seus corações, e no regozijo e deleite deles, e desfrutando das manifestações que ele faz de si mesmo.... Deus é glorificado não apenas por sua glória ser vista, mas por seu regozijo nela... [Quando] aqueles que a veem deleitam-se nela: Deus é mais glorificado do que se eles apenas o virem; sua glória é então recebida por toda a alma, tanto pelo entendimento como pelo coração.

Deus fez o mundo para que ele pudesse se comunicar e a criatura receber sua glória; e para que ela possa ser recebida tanto pela mente como pelo coração. Aquele que testifica sua opinião da glória de Deus [não] glorifica tanto a Deus quanto aquele que testifica também sua aprovação e seu deleite nela. (The Philosophy of Jonathan Edwards, Harvey G. Townsend, Westport, CT: Greenwood Press Publishers, 1955, Miscellanies, #448, p. 133; ver também #87, p. 128, e #332, p. 130 e #679, pág. 138)

E assim a exortação final e mais importante para nós a partir da vida e obra de Jonathan Edwards é esta: em todo o teu estudo e em todo o teu ministério pastoral procure glorificar a Deus desfrutando dele para sempre.

O desfrutar de Deus é a única felicidade com a qual nossas almas podem ficar satisfeitas. Ir para o céu, para desfrutar plenamente de Deus, é infinitamente melhor do que as acomodações mais agradáveis aqui. Pais e mães, esposos, esposas ou filhos, ou a companhia de amigos terrenos, são apenas sombras; mas Deus é a substância. Estes são apenas raios dispersos, mas Deus é o sol. Estes são apenas rios. Mas Deus é o oceano (Works, II, 244).

 

Tradução:

De: The Pastor as Theologian – Life and Ministry of Jonathan Edwards

1988 Bethlehem Conference for Pastors – John Piper

Por: Paulo Arantes 

Jonathan Edwards: Suas contribuições para o Calvinismo, para a Teologia evangélica, para a Ética cristã e para a prática religiosa

Um ensaio lido diante da Associação Ministerial de Columbus, Ohio, USA

 

Não é o propósito deste ensaio falar detalhadamente dos incidentes na vida e na carreira de Jonathan Edwards; de sua ascendência piedosa e digna na Inglaterra e na América; de seu nascimento na humilde paróquia de Connecticut, onde seu pai pregou e trabalhou por mais de sessenta anos; de sua juventude sob a educação de uma mãe notável, tanto pela cultura intelectual quanto pelas grandes realizações religiosas, e na companhia de dez irmãs, mais velhas e mais novas, cuja influência e treinamento contribuíram muito para seu desenvolvimento mental e para sua pureza moral de coração e de propósito; de sua infância precoce, de seu rápido desenvolvimento mental e espiritual, de sua carreira universitária e de suas realizações acadêmicas, de seu ingresso no ministério aos dezenove anos, de sua subsequente tutela e do simultâneo prosseguimento de estudos teológicos e especulativos; de sua transferência para o pastorado em Northampton, e de sua continuidade nessa posição por vinte e três anos, até que foi expulso dela em meio a circunstâncias de grande provação; de seu retiro para serviço adicional na cidade fronteiriça de Stockbridge, basicamente como missionário entre os índios daquela localidade; de sua eleição para a presidência da Faculdade de Princeton e de sua mudança para lá; e de sua morte prematura aos 55 anos, no momento em que estava assumindo as funções desse alto cargo.

Nem é o propósito deste ensaio descrever o caráter e as qualidades pessoais deste eminente homem – falar em detalhes dos dons peculiares, físicos e mentais, com os quais a bondosa natureza o dotou; da bondade atenciosa e da obediência amorosa que marcaram sua vida naquele lar humilde, porém santificado; das raras qualidades que deram distinção à sua virilidade precoce, e da posição que ele conquistou para si mediante suas realizações superiores; da grande e especial obra da graça em sua mente, em seus sentimentos, em sua vontade, tornando-o, mesmo no início de sua carreira pública, um exemplo marcante do que essa graça divina pode fazer dentro de uma alma consciente e alegremente entregue às suas operações; daquela rara combinação de humildade e dignidade cristãs, do amor fraternal e da firme fidelidade de princípios, da leal devoção ao que ele acreditava ser a verdade, e desejo sincero de que todos os homens conhecessem essa verdade e fossem abençoados por meio dela para sempre, qualidades que tornaram seu nome sinônimo de virilidade espiritual em suas formas mais supremas; da sua paciência sob as provações que sobrecarregaram ao máximo a sua natureza religiosa, a calma com que enfrentou a oposição, a injúria e a pobreza, a serena disposição zelosa ano após ano ao longo do elevado caminho do serviço a Deus e aos homens, ao qual se consagrou; de sua santa e feliz comunhão com o Pai Celestial e de sua alegria inefável em Cristo como seu Salvador, e de sua vida secreta de companheirismo com o Espírito Santo como seu líder, guia e santificador; de tudo o que ele foi e se tornou como um homem notavelmente dotado por natureza com seus dons mais raros em rica abundância, e pela graça alçada aos níveis mais elevados de experiência e maturidade cristãs, um homem digno, em seu caráter pessoal, de um lugar entre os maiores e mais nobres discípulos e representantes de Cristo e de seu Evangelho em todas as épocas da igreja cristã.

Nem é o propósito deste ensaio falar longamente sobre o trabalho e labor de Edwards desde o início até ao fim de sua carreira como ministro, de seus incansáveis estudos e pesquisas na exegese bíblica, na teologia e na filosofia; de seus raros dons como pregador, claro na exposição, vívido na ilustração, poderoso no argumento e quase irresistível em seus apelos à consciência e ao coração, semelhante em tudo isso, se não superior a George Whitefield, seu admitido padrão no púlpito; do seu trabalho discreto e fiel na paróquia, buscando sempre o bem espiritual e a salvação dos homens, e do seu interesse constante em tudo o que dizia respeito ao reino de Cristo, não apenas neste continente, mas no velho mundo; de seu admirável acúmulo de sermões, ensaios, tratados e investigações, do que uma grande proporção nunca foi publicada, e especialmente de seus principais escritos, como seu relato sobre o grande Revival in New England (Avivamento na Nova Inglaterra), seu Life of Davi Brainerd (Vida de David Brainard), sua incompleta History of Redemption (História da Redenção), seu ensaio sobre as Religious Affections (Afeições Religiosas), sua dissertação sobre a Nature of Virtue (Natureza da Virtude), seus tratados sobre os Divine Decrees (Decretos Divinos) e sobre a Efficacious Grace (Graça Eficaz), sua exposição da doutrina do Original Sin (Pecado Original), sua discussão sobre o End or Purpose of God in the Creation of the World (Fim ou Propósito de Deus na Criação do Mundo), e eminentemente sua Inquiry into the Nature and Range of the Freedom of the Will (Investigação sobre a Natureza e o Alcance da Liberdade da Vontade), um volume escrito em quatro meses, acerca do qual Chalmers disse que o ajudou mais do que qualquer outro livro não inspirado, e que Isaac Taylor elogiou como um clássico da metafísica – uma série de escritos que, se a escassa literatura disponível, as limitações circunstanciais, as condições e oportunidades desfavoráveis forem devidamente consideradas, deve ser considerada quase sem paralelo nos anais da literatura desta categoria na América.

Tampouco é o propósito deste ensaio falar dos efeitos da personalidade e das produções de Edwards sobre sua própria geração ou sobre as gerações que se seguiram, ou da influência que ele exerceu, ainda exerce e provavelmente exercerá sobre o pensamento, as experiências, a crença e a prática de milhões de adeptos da nossa santa fé em todo o mundo, pelo menos até onde nossa língua inglesa é falada. É bem sabido que ele atraiu para perto de si um grupo de discípulos inteligentes e sérios, como Hopkins e Bellamy, Smalley e Dwight e Emmons, que se dedicaram com extremo zelo à publicação e promoção das doutrinas que ele ensinou; de modo que os seus ensinos se tornaram as forças dominantes nos círculos teológicos da Nova Inglaterra durante mais de um século, e mesmo agora não perderam a sua energia estimulante e edificante; de modo que a sua doutrina foi levada através do Hudson e tornou-se a base de um novo tipo de fé e prática presbiteriana, agora tão ampla como o continente; de modo que a sua exposição do Evangelho, como um conjunto da verdade salvadora e como uma experiência santa, influenciou de forma proveitosa milhares de outras mentes em várias comunhões cristãs; de modo que as suas palavras de verdade e sobriedade foram transportadas através dos mares e foram semeadas como sementes graciosas na Escócia, onde alguns dos seus escritos foram publicados pela primeira vez, no País de Gales e na Inglaterra e no continente, de modo que, como pensador e professor, ele se encontra agora completamente à frente da longa linhagem de ilustres estudiosos e teólogos na América, e dificilmente se pode dizer que tenha um superior em qualquer país ou época cristã.

Propõe-se neste ensaio simplesmente falar, de uma forma necessariamente breve e superficial, das contribuições específicas que Jonathan Edwards, pela graça de Deus, foi capaz de fazer, em primeiro lugar, ao sistema particular de doutrina conhecido como Calvinismo; em segundo lugar, à teologia evangélica em geral; em terceiro lugar, à correta concepção da ética cristã ou da regra do dever; e, finalmente, dentro do campo da religião prática.

I. Voltando-nos mais especificamente para a discussão proposta, podemos notar, primeiro, tão brevemente quanto possível, as contribuições de Edwards àquele sistema ou tipo de teologia cristã que é comumente conhecido como Calvinismo.

O Presidente Ezra Styles, de Yale, a quem Fisher descreve como um homem de grande reputação e caráter estimável, registrou em seu diário, em 1787, uma geração após a morte de Edwards, a seguinte declaração e profecia concernente ao grande teólogo e suas obras e influência:

“Os valiosos escritos do Presidente Edwards, noutra geração, passarão como um aviso transitório, talvez pouco acima do esquecimento, como Willard ou Twisse ou Norton; e quando a posteridade ocasionalmente os encontrar no entulho das bibliotecas, os raros personagens que puderem lê-los e ficarem satisfeitos com eles, serão considerados tão singulares e excêntricos quanto hoje em dia um admirador de Suarez, Tomás de Aquino ou Dionísio, o Areopagita.” Dos três primeiros mencionados, Twisse foi o primeiro presidente ou moderador da Assembleia de Westminster, descrito por Baillie, nas suas cartas, como “um homem meramente estudioso”, e o autor, entre outras obras, de um notável tratado em latim sobre a Predestinação. Norton foi um dos principais pregadores no início da Nova Inglaterra, autor de uma obra teológica intitulada The Orthodox Evangelist (O Evangelista Ortodoxo), e de um conjunto maior de teologia nunca impresso. Willard foi um dos primeiros presidentes do Harvard College, autor de muitos sermões impressos e de um grande livro em formato de fólio, Body of Divinity (Conjunto de Teologia), que consiste em uma série de palestras mensais sobre o Breve Catecismo, continuado por mais de dezenove anos – o primeiro trabalho extenso sobre teologia publicada na América. Dos outros, Dionísio foi um convertido de Paulo em Atenas, a quem foram atribuídas por algum tempo certas cartas espúrias que levam seu nome, mas escritas durante o terceiro ou quarto século. Tomás de Aquino foi o médico angélico da igreja medieval, cujas obras ainda são estudadas como livros-textos nos seminários romanos na Europa e na América. Suarez foi um jesuíta espanhol do século 16, cujo epitáfio do túmulo nos diz que ele foi o professor da Europa, como também do mundo inteiro, um Aristóteles nas ciências naturais, um angélico Tomás na teologia, um Jerônimo no estilo, um Ambrósio no púlpito, um Agostinho na polêmica, um Atanásio na explicação da fé, um Bernardo na piedade melíflua, um Gregório na exposição das Escrituras e, em uma palavra, o olho do mundo cristão.

Os sermões e outras produções publicados do Presidente Stiles são agora, juntamente com o seu nome, “pouco acima do esquecimento”, enquanto muitas terras celebram o nascimento de Edwards, as suas obras resistiram ao teste do tempo e ainda são reconhecidas como entre as foças estimulantes e edificantes que fluem para e através da cristandade evangélica.

Seu próprio filho foi proeminente entre seus descendentes, com o mesmo nome, possuindo muito da mesma habilidade e gênio, e passando por uma carreira notavelmente semelhante como estudante, tutor, ministro, pastor e presidente de faculdade, e morrendo na mesma idade. A este filho devemos um notável ensaio, escrito principalmente em defesa do pai, e destinado a expor os Improvements (Aperfeiçoamentos), como ele os denomina, que foram feitos por meio de Edwards no Calvinismo precedente. No prefácio ao seu tratado sobre Will (Vontade), Edwards declara sua relação com o Calvinismo em linguagem forte. Depois de protestar contra o uso de termos como calvinista e arminiano para descrever diferenças teológicas, ele diz, por um lado, que não consideraria errado ser chamado de calvinista, mas, por outro lado, ele diz: “Eu rejeito totalmente uma dependência de Calvino, ou crer nas doutrinas que defendo porque ele creu e as ensinou; e não posso ser justamente acusado de crer em tudo exatamente como ele ensinou.” Muito menos que todos os teólogos de sua época, ele poderia ser descrito com justiça como um calvinista fatalista, que crê em um Deus cuja natureza era cruel, em um governo moral absurdo e intolerável, e em uma soberania sobre a vida e os destinos dos homens tão horrível visto que é suprema e irresistível. Seu propósito invencível de testar cada princípio ou dogma teológico pelo padrão da razão é expresso com força na seção final desse tratado. Ao opor-se a certas objeções que poderiam, como ele supunha, serem levantadas contra a sua doutrina sobre a vontade como demasiada metafísica ou obscura, ele diz: A questão não é se o que é dito é metafísica, lógica ou matemática; Latim, Francês, Inglês ou Mohawk; mas se o raciocínio é bom e os argumentos verdadeiramente conclusivos.

Esses Improvements (Aperfeiçoamentos) estavam relacionados a muitos dos tópicos centrais da teologia cristã, como o propósito de Deus na criação da terra e do homem, o governo divino sobre o homem, a origem do mal e especialmente do mal moral, o estado corrupto do homem como um pecador, liberdade e necessidade relacionadas à vontade, a natureza da virtude vista sob o aspecto cristão, a verdadeira base ou fundamento da expiação, regeneração e conversão, justificação pela fé, a vida cristã e a religião experimental. O escritor afirmou que, sobre esses assuntos importantes, seu pai introduziu um método mais racional, colocou em ação uma filosofia mais sábia e, assim, declarou e defendeu suas conclusões de modo a tornar manifesta a harmonia essencial das doutrinas discutidas com a razão mais elevada e pura. Não foi reivindicado que Edwards tinha desenvolvido quaisquer novos dogmas, radicalmente inconsistentes com o Calvinismo antecedente, mas sim que, às vezes, ao eliminar excrescências naquele sistema histórico, e mais frequentemente ao introduzir explicações úteis e ao colocar as doutrinas aceitas sob uma nova e fresca luz, ele aperfeiçoou, expandiu e recomendou o sistema à credibilidade humana como ninguém foi capaz de fazer antes dele.

Os tratados, os sermões, as dissertações e os volumes específicos nos quais esta tarefa foi realizada, ou pelo menos tentada, ocorrerão imediatamente a todo estudante cuidadoso dos escritos de Edwards. Se tudo o que, no auge da devoção filial, foi reivindicado pelo filho, foi realmente defendido pelo pai, tem sido questionado em vários pontos. O fato de que o sistema não só foi melhorado, mas também tornado completo, acabado até à perfeição, não foi declarado pelos primeiros discípulos de Edwards, nem foi, por um momento sequer, afirmado por ele mesmo, como de fato não o foi por nenhum dos seus adeptos inteligentes em tempos mais recentes. Pois, na verdade, o Calvinismo é um esquema de doutrina, tão vital e tão complexo e variado em seus elementos, que é capaz de muitas formas de combinação, muitas mudanças de proporção e, em certo sentido, incapaz de continuar era após era em qualquer forma cristalizada. Está na própria natureza desse sistema desenvolver-se e expandir-se continuamente, amadurecendo através dos séculos a partir de sua origem paulina, Edwards seguindo Calvino como Calvino seguiu Agostinho, e assim progredindo constantemente em direção a uma completude que podemos muito bem acreditar que não poderá alcançar até ser desenvolvido, elevado, purificado na grande escola do céu.

No entanto, permanece o fato geral de que o Calvinismo exibiu uma forma mais ampla, mais imponente e mais espiritual – uma forma menos fatalista na tendência, e menos exclusiva no aspecto e impressão, e, portanto, obtendo maior poder para educar e persuadir os homens do que aparentemente ocorria antes de Edwards o iluminar com seus ensinos. E é importante notar aqui dois fatos específicos de grande importância: Primeiro, que os aperfeiçoamentos feitos por ele seguiram principalmente ao longo do curso de maior graça e liberdade na oferta do Evangelho, de maior liberdade e consequente responsabilidade por parte do pecador, da potência incomensurável da verdade revelada quando enfatizada pelas ministrações do Espírito Santo, e do resultante dever da igreja de orar e trabalhar, e de fazer todos os sacrifícios possíveis com vistas à salvação final de toda a raça humana. E segundo, que, ao efetuar uma mudança de tão grande importância no sistema calvinista, ele o trouxe a uma associação mais estreita com a teologia de professores anglicanos, como o bispo Butler, com as melhores variedades do luteranismo espiritual, e especialmente com aquela forma de Arminianismo da qual seu grande colega, Wesley, era um imponente representante, e que agora está participando tão harmoniosamente com o Calvinismo na tarefa comum de ganhar o mundo para Cristo.

II. A segunda série de contribuições feitas por Edwards aparece no campo mais amplo da teologia evangélica em geral. Deve ser dito aqui que ele não era, em nenhum sentido, um crítico destrutivo ou controversista. Ele não pertencia, nem por temperamento nem por convicção, àquela classe de homens que se deleitam e ofendem a todos ao sempre apontarem as falhas, aumentando os defeitos e a imperfeição nas teologias existentes, embora não possuam capacidade nem disposição para fornecer quaisquer aperfeiçoamentos ou correções naquilo que criticam – vespas que estão sempre zumbindo e picando tudo o que tocam, e sempre envenenando tudo o que picam. Era, antes, seu desejo e objetivo constantes corrigir o que ele considerava defeituoso na doutrina em vigor, por meio da introdução de alguma concepção mais ampla, mais abrangente, mais claramente explicativa e racional da verdade discutida. Aqueles que estudaram seus ensinos sempre perceberam que ele se preocupava com as deficiências ou aberrações doutrinárias apenas onde discernia, ou pensava discernir, de modo que o aperfeiçoamento era tanto possível quanto necessário; e também viram que ele estava sempre animado ao propor tal aperfeiçoamento, não por uma presunçosa vaidade, nem por qualquer disposição vulgar de crítica ou de controvérsia, mas por um desejo sincero e abnegado de instruir, de esclarecer, de ajudar, seja no conhecimento ou na fé.

Mesmo quando se sentiu chamado a combater aquela tendência insidiosa de humanização do Filho de Deus e de redução da sua missão mediadora a um nível análogo ao de outros professores meramente humanos – uma tendência que, meio século depois, culminou no Unitarismo de Charming e seus sucessores – ele procurou corrigir essa tendência, não por meio de denúncia, ou disputa ou ridicularização, mas por meio de um retrato tão brilhante, piedoso e completamente bíblico de nosso Senhor na glória de sua pessoa e missão, como a Divindade Encarnada, quando deveria ter colocado um fim de uma vez por todas a tais concepções racionalizadoras e destrutivas de Cristo e de sua obra salvadora. Esta foi uma ilustração de seu método invariável de lidar com o que ele considerava dogmas errôneos ou defeituosos, por quem quer que os afirmasse. Ao tratar, por exemplo, do decreto divino, da eleição individual, da graça eficaz, do pecado original e da relação entre a queda de Adão e a queda da humanidade nele e através dele, ele dificilmente revela um traço daquela impaciência desdenhosa e daquela depreciação dos antagonistas que tantas vezes magoam o estudante sincero das Institutas de Calvino. Por outro lado, ele habitualmente mostra uma simpatia verdadeira e amorosa para com os errôneos nestes pontos, um desejo paciente de conduzi-los à verdade maior, e uma expectativa esperançosa de que, quando virem a verdade, voltarão espontaneamente seus olhos e seus corações para ela, atraídos e puxados – para usar a expressão de Chalmers – pelo poder explusivo de uma nova afeição.

As contribuições de Edwards à teologia evangélica em suas formas genéricas já foram parcialmente sugeridas pelos títulos dados e não podem ser aqui mencionadas em detalhes. Seus ensinos a respeito da trindade em Deus e das encarnações, e da mediação de Cristo e dos ministérios salvadores do Espírito Santo em cada alma crente; a respeito da queda e do pecado do homem, e da culpa e corrupção de sua natureza, e da necessidade da graça e da ajuda divina para sua restauração; a respeito do plano de salvação do Evangelho, a missão expiatória de nosso Redentor, a indispensabilidade da fé nele e da obediência a ele como o Senhor e Soberano eleito da alma; a respeito da justificação por meio de tal fé e devoção, e da nova vida graciosamente transmitida como necessária consequência, e da esperança sublime e edificante quanto ao futuro avivamento no peito do crente – os seus ensinos concernentes a todos estes temas vitais, e outros que possam ser mencionados, tornaram-se a posse inestimável, não apenas dos calvinistas, mas de toda a igreja de Cristo, seja qual for o nome. Esses ensinos fizeram muito, muito mesmo, para acelerar a pulsação e fortalecer o coração da cristandade universal, e por causa desses ensinos a cristandade já é, e durante séculos será cada vez mais, profundamente grata a ele.

Uma breve referência deve ser feita, neste contexto, àquele notável ensaio sobre a natureza da Trindade em Deus, que apenas agora foi dado ao mundo, pela primeira vez, em forma impressa. Este ensaio, escrito aparentemente durante o início do ministério de Edwards, e de tempos em tempos ampliado, mas ainda incompleto quanto à forma literária, é uma tentativa de mostrar que Deus é, por sua própria natureza, um Ser essencialmente trino e, portanto, eternamente triplicando-se em personalidade trina como Pai, Filho e Espírito Santo, preparatória para sua revelação de si mesmo neste triplo aspecto à nossa raça no interesse da redenção. O que quer que se possa dizer sobre o sucesso desta apresentação altamente especulativa de um tema que deve ser profundamente misterioso para os homens – se de fato pode ser possível para nós, algum dia, alcançarmos qualquer explicação suficiente do fato de uma trindade interna e eterna, como a Sagrada Escritura a afirma – ninguém pode deixar de apreciar a profunda perspicácia, a quase pretensa agudeza natural, a piedade adoradora que caracterizam o tratado póstumo.

Uma ilustração de caráter mais prático merece menção especial aqui. Antes da época de Edwards, as igrejas da Nova Inglaterra aceitaram, sem exame, a teoria de membresia da Igreja de Cristo do velho mundo, sob o que foi denominado como a Aliança do Meio-Termo, como obtida por herança ou por batismo, e, portanto, como não envolvendo necessariamente o que é familiarmente descrito como uma mudança de coração – uma teoria que ainda prevalece amplamente, não apenas na parte protestante do continente europeu, mas nas comunidades religiosas da Grã-Bretanha, como uma herança perniciosa de Roma, e que muito contribuiu para corromper a espiritualidade e prejudicar a eficiência do protestantismo onde quer que ele tenha se firmado. Na melhor das hipóteses, era a concepção romana errônea de que o meio de ir a Cristo, através da Igreja, são os seus ministros e as ordenanças. Contra esta teoria, Edwards semeou a genuína e única doutrina verdadeira, de que a alma deve entrar na Igreja visível por meio de Cristo, e que a Igreja deve ser composta apenas por aqueles que fornecem evidências críveis, evidências em que se pode confiadamente acreditar, de que já estão unidos a Cristo pela fé e de que já são justificados por meio dele. Sobre o conflito que o anúncio deste conceito claro e correto envolveu, sobre a luta pela qual ele passou ao afirmá-lo, e sobre a privação e o martírio resultantes de sua fidelidade a ele, não é necessário falar agora. O grande fato é que a doutrina de Edwards, apesar de toda oposição, tornou-se a doutrina aceita por nossas igrejas da Nova Inglaterra, que atravessou e se enraizou em outro solo e dentro de igrejas de nomes diferentes, e que ainda permanece como um elemento permanente na fé e na prática de quase todas as organizações evangélicas neste continente. Se Edwards não tivesse feito nada mais além de escrever e, depois, defender como fez em seu tratado sobre as Qualifications for Full Communion (Qualificações para a Comunhão Plena), ele teria feito do protestantismo americano seu devedor para sempre.

III. Uma breve referência pode agora ser feita, em terceiro lugar, à grande contribuição de Edwards no campo da Ética, especialmente da Ética Cristã, como pode ser visto principalmente em seu tratado sobre a Nature of Virtue (Natureza da Virtude) – um tratado que pode ser apropriadamente colocado ao lado dos notáveis discursos de Butler sobre o mesmo assunto. Mackintosh, na sua valiosa dissertação sobre o “Progresso da Filosofia Ética”, se refere a Edwards, neste contexto, como o metafísico da América, talvez inigualável no argumento sutil, certamente insuperável entre os homens. Ele apresenta Edwards como um passo à frente da maioria dos metafísicos antes dele, ao ensinar que não apenas a percepção e a razão, mas a emoção e o sentimento também estão entre os princípios fundamentais da moral. A doutrina de Edwards está incorporada na proposição abrangente de que a virtude consiste no amor, no amor a todos os seres – antes de tudo, no amor supremo a Deus como fonte criativa e sustento de todos os outros seres, e em sua própria natureza perfeita e em suas atividades infinitamente merecedoras da mais alta consideração e devoção possíveis da parte de todas as suas criaturas – amor a todos os homens como criaturas e filhos de Deus, dotados de capacidades semelhantes, estabelecidos em relações vitais e afetuosas conosco e, portanto, tendo um direito indiscutível à nossa afeição e ao nosso serviço – amor na forma de benevolência até mesmo para com a criação animal, ilustrando em suas várias qualidades a sabedoria e a bondade daquele que as criou, e, portanto, merecedora de nosso interesse e cuidado – amor em um sentido subordinado, e, pela mesma razão, até mesmo para com o mundo vegetal, para com as árvores, as flores e as gramíneas, e também para com os céus estrelados como divinamente fabricados e sustentados, e cantando perpetuamente os louvores do Ser Supremo que os criou. Edwards inclui nesta categoria, de maneira especial, o amor por todos os santos, pelos bons e santos na terra, por toda a igreja de Cristo entre os homens, pelas hostes redimidas do céu e pelos anjos que circulam para sempre ao redor do trono de Deus, oferecendo-lhe seus tributos de afeição e reverência.

A doutrina de Edwards tem sido desafiada em vários pontos, mas especialmente com base no fato de a virtude não se basear no amor, mas no direito, como o princípio fundamental da moral. Não pode haver dúvida de que o direito, tal como é concebido pela razão e sentido pela consciência, individual e geral, e além disso como enunciado e reforçado pela voz da Revelação, é a regra final e definitiva para a ação humana, em todos os lugares e sempre. Isto não é apenas uma questão de percepção e razão, como tem sido frequentemente afirmado, tanto antes da era de Edwards e Butler quanto desde os seus dias; é também uma questão de emoção e sentimento, porque não apenas o julgamento e a vontade, mas também a consciência, como a sede e o centro de toda sensibilidade moral, está necessariamente envolvida em cada propósito e em cada ato da vida. Edwards, em nenhum lugar, questiona esta proposição, mas antes procura impregnar e glorificar esta concepção um tanto abstrata e fria de exatidão com o brilho penetrante do amor santo – para aquecer a consciência e animar a vontade mediante o toque carinhoso daquela afeição altruísta e universal que o próprio Deus exibe, e que é para a ação e a vida humana o que o calor e o brilho do sol do verão são para o mundo da natureza. Qualquer que seja a verdade quanto à harmonia destes dois conceitos especulativos sobre a virtude, não pode haver dúvida de que ele estava consciente de não haver nenhum conflito entre elas, pois, de todos os homens que já viveram, ele estava entre os mais fiéis ao que acreditava estar certo, mais desinteressado e gentil em sua devoção ao que é certo, e mais pronto a segui-la através de lutas e provações, não apenas nesta vida, mas em todos os mundos para sempre. E é a excelência especial do seu ensino que ele enfatizou o amor como fornecedor da base estimulante de todo dever, de toda obrigação e de responsabilidade. Pois o verdadeiro amor sempre torna o seu possuidor responsável perante Deus, perante os seus semelhantes e perante si mesmo, por todas as suas ações para com todos os outros seres, de acordo com as suas diversas reivindicações. A obrigação é o correlato necessário e universal desse amor; quem ama, no sentido cristão, vive sempre e em toda parte sob a correspondente responsabilidade.

Não pode ser questionado com justiça que o ensino de Edwards sobre este assunto tem sido amplamente difundido e tem produzido grandes benefícios no campo da moral, tanto especulativa como prática. Embora levado ao extremo por alguns de seus discípulos, como, por exemplo, na surpreendente proposição de Samuel Hopkins, de que alguém deveria, por amor a Deus, tornar-se disposto até mesmo a ser condenado, se a glória divina exigisse tal sacrifício, a doutrina teve ampla influência na Nova Inglaterra, mesmo em círculos bastante avessos ao seu autor e aos seus ensinos gerais. Esse ensino foi recentemente apresentado no famoso tratado do Presidente Hopkins sobre a “Lei do Amor, ou Amor como Lei”. Ele lançou as bases para algumas distinções inestimáveis entre a ética natural e a ética cristã, entre a filosofia moral de Platão e a regra moral proclamada por Cristo. E, por mais que a doutrina deva estar sempre associada, pelo menos nas suas formas mais elevadas, a uma experiência religiosa genuína e a uma vida de discipulado amoroso, ela não pode deixar de colher grandes frutos na esfera do dever, inspirando os homens a fazerem o que é certo em todos os lugares, não apenas porque é certo como a razão o discerne, mas também porque o coração o impele e se alegra com o certo e com cada obrigação que este impõe. Por esta razão, foi dito com justiça que esta concepção de benevolência universal, amor puro e ativo a todos os seres, tornou-se historicamente o fundamento tanto de movimentos humanitários, como o da abolição da escravatura, quanto das missões cristãs, tanto no país como entre as nações e raças mais ignorantes. Merecidamente, portanto, o metafísico alemão, Immanuel Fichte, disse com referência a este ensaio: “Este pensador solitário da América do Norte atingiu aqui a base mais fundamental e também a mais elevado que pode estar por baixo do princípio da moral.” John Fiske, em seu discurso sobre o “Pensamento Liberal na América”, diz: “Poucas figuras na história são mais patéticas ou mais sublimes do que a de Jonathan Edwards nas florestas solitárias de Northampton ou Stockbridge, um pensador superado por poucos que viveram em profundidade e acuidade, um homem com alma de poeta e de profeta, lutando contra os problemas mais terríveis que a humanidade já enfrentou, com mais do que a coragem e a sinceridade de Agostinho ou Calvino, com toda a elevada inspiração de Fichte ou Novalis.” “Um ensaio interessante,” acrescenta ele, “poderia ser dedicado a traçar os efeitos provocados na Nova Inglaterra por esta personalidade gigante.”

4. A quarta e última série de contribuições de Edwards jaz no amplo campo da religião prática. Destas, o próprio homem, o homem na pureza e doçura de sua natureza moral, na elevação espiritual que o caracterizou mesmo em seus primeiros dias e se tornou um elemento tão notável em seus anos de maturidade, em sua piedade absorvente, em sua santa caminhada com Deus, seu contínuo amadurecimento para a imortalidade, à qual ele aspirava o tempo todo – ele mesmo foi, facilmente, o primeiro. Se ele nunca tivesse escrito nada, uma personalidade e um personagem como este teria feito para si um registro duradouro; se seus sermões nunca tivessem sido impressos, sua vida teria sido um sermão vivo ao longo dos tempos – um nobre testemunho da potência da graça divina para elevar, purificar e cristianizar a alma humana.

Não é fácil fazer mais do que referir-se, neste ponto, à sua pregação instrutiva, afetuosa e poderosa, na medida em que isso é exibido em seus discursos impressos. Muitos destes discursos são demasiado arcaicos na forma e na expressão, demasiado elaborados e complexos na estrutura e demasiado profundos nos seus conteúdos para serem amplamente lidos em nossa geração. Aqueles entre eles, em número de cinco ou seis, que foram pregados com efeito tão extraordinário em vários lugares durante os períodos de grande avivamento entre o povo, são frequentemente lidos parcialmente e livremente condenados, às vezes por homens que não têm cérebro nem coração para compreendê-los, com exclusão do número muito maior que está cheio da própria essência das Escrituras, que exalam o mais afetuoso amor pelas almas e exibem o homem na plenitude de sua natureza elevada e santa. Se aqueles que leem parágrafos aqui e ali dos sermões de primeira qualidade, apenas se voltassem para beber da melodia, da doçura e da cultura nutritiva da segunda (como The Nature and Reality of Spiritual Light (A Natureza e Realidade da Luz Espiritual), The Excellency of Christ (A Excelência de Cristo), True Grace (A Verdadeira Graça), The Wisdom Displayed in Salvation (A Sabedoria Demonstrada na Salvação), eles obteriam tanto uma concepção melhor sobre o pregador quanto obteriam alguns benefícios espirituais dos quais talvez necessitem muito.

O tratado de Edwards sobre as Religious Affections (Afeições Religiosas) é uma de suas duas principais contribuições para a religião prática. Planejado como uma análise da experiência religiosa derivada da graça de Deus, quando infundida na natureza moral, regenerando-a e vitalizando-a totalmente, e também como um relato das graças e virtudes particulares que brotam na alma crente, agora vivificada e santificada pelo amor, este tratado é digno do mais alto elogio; deveria estar sobre a mesa de cada pregador, tanto como uma ajuda para a compreensão adequada da vida religiosa de seu rebanho, quanto como um guia para um tratamento mais completo de sua própria alma. E se lhe for acrescentado a sua Life of David Brainerd (Vida de David Brainard) e as suas profundas e afetuosas reflexões sobre essa vida, a sua Narrative of Surprising Conversions (Narrativa de Conversões Surpreendentes) e a sua publicação Thoughts on the Revival of Religion in New England (Pensamentos sobre o Avivamento da Religião na Nova Inglaterra), os benefícios resultantes serão ainda maiores.

O título da outra contribuição essencial nesta seção de serviço é descrito por Edwards como uma Humble attempt to promote Explicit Agreement and Visible Union of God’s People in Extraordinary Prayer for the Revival of Religion and the Advancement of Christ’s Kingdom on Earth (Humilde tentativa de promover o acordo explícito e a união visível do povo de Deus em oração extraordinária pelo avivamento da religião e pelo avanço do Reino de Cristo na terra), nos termos, como ele acrescenta, das promessas e profecias das Escrituras sobre os Últimos Tempos. A sugestão de tal acordo teve origem na Escócia, onde, durante dois ou três anos, o povo cristão teve o costume de se reunir em determinados momentos para súplicas em conjunto pelo triunfo do Evangelho em todo o mundo. Petições estimulando tal acordo na oração foram distribuídas de forma um tanto ampla na Nova Inglaterra, e foi em apoio a esse movimento que Edwards preparou sua dissertação. Neste pequeno volume, ele argumenta a favor da oração como um dever, um privilégio e um recurso, e especificamente a favor da concordância ou união em oração ou intercessão como altamente aceitável a Deus, e certamente a ser seguida por sua bênção. Ele propõe que tal união continue neste caso por, pelo menos, sete anos, e que todos os ministros e igrejas deveriam concordar com a proposta – a Grã-Bretanha e a América concordando na santa petição: “Venha o Teu Reino”. Quando lembramos que este compromisso foi amplamente aceito e observado cem anos ou mais antes do que chamamos de Semana de Oração ter sido instituída, através da instrumentalidade de missionários presbiterianos residentes na Índia, ficamos maravilhados com a fé e a coragem com que a defenderam, ainda mais do que a notável habilidade com que a observância foi estimulada. Qualquer pastor que deseje despertar seu povo para a elevada tarefa de intercessão em conjunto pela grande bênção espiritual, encontrará argumentos e incentivos abundantes neste sério tratado.

Ao passarmos em revista essas notáveis e preciosas contribuições que Jonathan Edwards fez à causa de Cristo nas quatro áreas mencionadas, somos capazes de conceber uma avaliação justa, embora possa ser inadequada, do que ele foi como estudante e erudito, como metafísico e teólogo do tipo mais nobre, como homem de Deus tão eminente na piedade como na conduta, como verdadeiro crente e discípulo do Senhor Jesus, ilustre tanto na fé como nas obras – um homem cujo nome o mundo cristão nunca poderá esquecer, e cuja influência fluirá continuamente até os tempos milenares. No monumento de mármore que cobre suas cinzas sagradas, no cemitério de Princeton, pode-se ler em sonora latinidade uma elaborada descrição de suas características e dons, e esta visão geral pode ser adequadamente encerrada com esse eloquente testemunho.

“Você saberia, ó Viajante, que tipo de pessoa foi essa cuja parte mortal jaz aqui? Um homem de fato, de corpo alto, mas gracioso, enfraquecido pela assiduidade e abstinência e pelos estudos mais intensos; na intensidade do seu intelecto, seu julgamento perspicaz e sua prudência incomparável entre os mortais; notável em seu conhecimento das ciências e das artes liberais, eminente na crítica sagrada, e um teólogo distinto sem igual; um defensor invicto da fé cristã e um pregador sério, solene e penetrante; e, pelo favor de Deus, muito feliz no sucesso e resultado de sua vida. Ilustre em sua piedade, sereno nos costumes, mas amigável e benigno para com os outros, viveu para ser amado e respeitado, e agora, infelizmente! para ser lamentada sua morte. A faculdade enlutada chora por ele, e a igreja chora, mas o céu se alegra em recebê-lo:

Abi, Viator, et pia sequere vestigia.

(Saia daqui, ó Viajante, e seus passos piedosos o seguirão.)

 

Tradução:

De: Jonathan Edwards – His Contributions to Calvinism, to Evangelical Theology Generally, to Christian Ethics and to Practical Religion

Rev. Edward D. Morris

A paper read before the Ministerial Association of Columbus, Ohio, USA

Por: Paulo Arantes