Conferência Belém para Pastores de 1988
Meu tema é “O
Pastor como Teólogo, Reflexões sobre a Vida e Ministério de Jonathan Edwards”.
Um dos livros de Edwards, escrito em 1742, foi recentemente reeditado com uma
introdução de Charles Colson. Colson escreveu,
A igreja ocidental – grande parte dela à deriva,
enculturada e infectada pela graça barata – precisa desesperadamente ouvir o
desafio de Edwards.... Acredito que as orações e o trabalho daqueles que amam e
obedecem a Cristo em nosso mundo ainda poderão prevalecer, à medida que
mantiverem a mensagem de um homem como Jonathan Edwards.
Presumo que
você esteja entre aqueles que amam e obedecem a Cristo, e que anseiam que suas
orações e seu trabalho prevaleçam sobre a incredulidade e o mal em suas igrejas
e suas comunidades, e, eventualmente, no mundo. E acredito que Colson está
certo ao dizer que Edwards tem um desafio para nós que pode nos ajudar muito,
não apenas em sua mensagem, mas também em sua vida como pastor-teólogo.
O verdadeiro Jonathan Edwards
A maioria de
nós não conhece o verdadeiro Jonathan Edwards. Todos nós nos lembramos das
aulas de Inglês do ensino médio ou das aulas de História Americana. Os livros
didáticos tinham uma pequena seção sobre “Os Puritanos” ou “O Grande
Avivamento”. E o que lemos? Bem, meu filho mais velho está no 9º ano agora, e
seu livro de História Americana tem um parágrafo sobre o Grande Avivamento, que
começa com a frase mais ou menos assim: “O Grande Avivamento foi um breve
período de intenso sentimento religioso nas décadas de 1730 e de 40, o qual
causou a divisão de muitas igrejas.”
E, para muitos
livros didáticos, Edwards não é mais do que um perturbador obscuro das igrejas
naqueles dias de fervor do Avivamento. Assim, o que temos como exemplo do
puritanismo moderno é um trecho de seu sermão, “Sinners in the Hands of an
Angry God” (Pecadores nas mãos de um Deus irado). Talvez um assim:
O Deus que mantém você sobre o abismo do inferno,
assim como alguém segura uma aranha, ou algum inseto repugnante, sobre o fogo,
abomina você e está terrivelmente provocado: sua ira contra você queima como
fogo; ele considera você como digno de nada mais exceto de ser lançado no fogo;
ele tem olhos mais puros para suportar ter você à sua vista; você é dez mil
vezes mais abominável aos olhos dele do que a mais odiosa serpente venenosa aos
nossos.
E assim as
crianças ficam com a impressão de que Edwards era um misantropo deprimente,
rabugento, mal-humorado, talvez patológico, que caiu no discurso religioso
grotesco da mesma forma que algumas pessoas caem na obscenidade.
Porém nenhum
menino do ensino médio é convidado a lutar contra o que Edwards estava
enfrentando como pastor. Quando você lê “Pecadores nas mãos de um Deus irado”,
você percebe rapidamente que Edwards não estava caindo nesse tipo de linguagem
por acidente. Ele estava trabalhando como pastor para comunicar uma realidade
que via nas Escrituras, e que acreditava ser infinitamente importante para seu
povo.
E antes que
qualquer um de nós, especialmente nós, pastores, desdenhemos da imagem de
Edwards, é melhor pensarmos muito sobre qual é o nosso próprio método para
ajudar nosso povo a sentir o peso da realidade de Apocalipse 19.15. Edwards se
coloca diante deste texto com reverência. Ele praticamente fica boquiaberto com
o que vê aqui. João escreve neste versículo: “[Cristo] pisa o lagar do vinho do
furor da ira do Deus Todo-Poderoso”.
Ouça o
comentário de Edwards neste sermão,
As palavras são extremamente terríveis. Se tivesse
sido dito apenas "a ira de Deus", as palavras teriam implicado aquilo
que é infinitamente terrível; mas é "o furor e a ira de Deus! O furor de
Yahweh! Oh, quão terrível deve ser isso! Quem pode expressar ou conceber o que
tais expressões carregam em si?
A qual estudante do ensino médio
foi pedido alguma vez que enfrentasse o que realmente está em questão aqui? Se
a Bíblia é verdadeira, e se ela diz que algum dia Cristo pisará seus inimigos
como um lagar com uma ira que é feroz e todo-poderosa, e se você é um pastor
encarregado de aplicar a verdade bíblica ao seu povo para que fujam da ira por
vir, então qual seria a sua linguagem? O que você diria para fazer as pessoas
sentirem a realidade de textos como esses?
Edwards
trabalhou com a linguagem, com imagens e metáforas porque ficou muito atordoado
e aterrorizado com as realidades que viu na Bíblia. Você ouviu aquela frase na
citação que acabei de ler: “Quem pode expressar ou conceber o que tais
expressões carregam em si?” Edwards acreditava que era impossível exagerar o
horror da realidade do inferno. Os professores do ensino médio fariam bem em
fazer aos seus alunos a pergunta realmente investigativa: “Por que é que
Jonathan Edwards se esforçou para encontrar imagens da ira e do inferno que
chocassem e aterrorizassem, enquanto os pregadores contemporâneos tentam
encontrar abstrações e circunlocuções que se afastam de imagens bíblicas
concretas e palpáveis de fogo inextinguível, de vermes imortais e de ranger de dentes?”
Se fosse feita esta pergunta simples e histórica aos nossos alunos, meu palpite
é que alguns dos mais brilhantes responderiam: “Porque Jonathan Edwards
realmente acreditava no inferno, mas a maioria dos pregadores de hoje não.”
Porém
ninguém nos pediu para levar Edwards a sério e, deste modo, a maioria de nós
não o conhece. A maioria de nós não sabe que ele conhecia o seu céu ainda
melhor do que o seu inferno, e que a sua visão de glória era tão atraente
quanto a sua visão de julgamento era repulsiva.
A maioria de
nós não sabe que ele é considerado hoje, tanto por historiadores seculares como
evangélicos, como o maior pensador protestante que a América já produziu.
Dificilmente foi escrito algo mais perspicaz sobre o problema da soberania de
Deus e da responsabilidade do homem do que o seu livro, The Freedom of the
Will (A Liberdade da Vontade).
A maioria de
nós não sabe que ele não foi apenas o graveto de Deus para o Grande Avivamento,
mas também o seu analista e crítico mais penetrante. Seu livro intitulado The
Religious Affections (As Afeições Religiosas) expõe a alma com um cuidado
tão implacável e uma honestidade bíblica que, duzentos anos depois, ainda
quebranta o coração do leitor sensível.
A maioria de
nós não sabe que Edwards era movido por um grande desejo de ver concluída a
tarefa missionária da igreja. Quem sabe se Edwards foi mais influente em seus
esforços teológicos sobre a liberdade da vontade, a natureza da verdadeira
virtude, o pecado original e a história da redenção, ou se ele foi mais
influente por causa de seu grande zelo missionário e por ter escrito Life of
David Brainerd (A Vida de David Brainerd).
Algum de nós
sabe que coisa incrível é que este homem, que foi pastor numa pequena cidade
durante 23 anos de uma igreja de 600 pessoas, missionário entre os índios
durante 7 anos, que criou 11 filhos fiéis, que trabalhou sem a ajuda de luz
eléctrica, ou de processadores de texto, ou de correspondência rápida, ou até
mesmo de papel suficiente para escrever, que viveu apenas até aos 54 anos, e
que morreu com uma biblioteca de 300 livros – que este homem liderou um dos
maiores avivamentos dos tempos modernos, escreveu livros teológicos que
ministraram durante 200 anos e fizeram mais pelo movimento missionário moderno
do que qualquer pessoa da sua geração?
Sua biografia
do jovem missionário David Brainerd teve um efeito incalculável no
empreendimento missionário moderno. Quase imediatamente desafiou o espírito dos
grandes aventureiros de Deus. Gideon Hawley, um dos missionários protegidos de
Edwards, carregou-o em seus alforjes e escreveu, em 1753 (pouco antes da morte
de Edwards), quando a pressão estava quase além da capacidade de resistência: “Preciso,
preciso muito, de algo mais do que humano para me apoiar. Eu leio minha Bíblia
e a Vida do Sr. Brainerd, os únicos livros que trouxe comigo, e deles tenho um
pouco de apoio.”
John Wesley
publicou uma versão abreviada de Brainerd's Life (A Vida de Brainerd),
de Edwards, em 1768, dez anos após a morte de Edwards. Ele desaprovava o
calvinismo de Edwards e Brainerd, mas disse: “Encontre pregadores do espírito
de David Brainerd e nada poderá resistir a eles.”
A lista de
missionários que testemunham da inspiração de Brainerd's Life (A Vida de
Brainerd) através da obra de Jonathan Edwards é mais longa do que qualquer um
de nós imagina: Francis Asbury, Thomas Coke, William Carey, Henry Martyn,
Robert Morrison, Samuel Mills, Fredrick Schwartz, Robert M' Cheyne, David
Livingstone, Andrew Murray. E poucos dias antes de morrer, Jim Elliot, que foi
martirizado pelos Aucas, escreveu em seu diário: “Confissão de orgulho –
sugerida ontem pelo Diário de David Brainerd – deve se tornar uma coisa
frequente para mim.”
Assim, durante
250 anos, Edwards tem alimentado o movimento missionário com a sua biografia de
David Brainerd. E David Bryant, hoje, não esconde o fato de que o livro de
Edwards sobre alianças de oração (The Humble Attempt – Humilde
Tentativa) é a inspiração para o seu próprio esforço no movimento de oração
pelo avivamento e pela evangelização mundial hoje. Portanto, Brainerd é lido e
conhecido há dois séculos. E a visão de Edwards de oração unida está ganhando
vida novamente na pessoa de David Bryant. Porém quem conhece o homem que
escreveu esses livros?
Mark Noll, que
ensina história em Wheaton e refletiu muito sobre o trabalho de Edwards,
descreve a tragédia assim:
Desde Edwards, os evangélicos americanos não pensaram
na vida a partir da base como cristãos, porque toda a sua cultura deixou de
fazê-lo. A piedade de Edwards continuou na tradição avivalista, a sua teologia
continuou no calvinismo acadêmico, mas não houve sucessores para a sua visão de
mundo extasiada em Deus ou para a sua filosofia profundamente teológica. O
desaparecimento da perspectiva de Edwards na história cristã americana foi uma
tragédia. (Citado em “Jonathan Edwards, Moral Philosophy, and the Secularization
of American Christian Thought”, Reformed Journal (fevereiro de 1983):26.
Ênfase minha.)
A bússola dos meus próprios
estudos teológicos
E,
francamente, gostaria de poder recriar para todos vocês o que significou para
mim encontrar meu caminho, pouco a pouco, rumo a essa cosmovisão fascinada por
Deus. Ele começou quando estava no seminário, quando li Essay on the Trinity
(Ensaio sobre a Trindade), depois Freedom of the Will (Liberdade da
Vontade), depois Dissertation concerning the End for which God created the
World (Dissertação sobre o fim para o qual Deus criou o mundo), depois Nature
of True Virtue (Natureza da Verdadeira Virtude), e então Religious
Affections (Afeições Religiosas) de Edwards.
Juntamente com
a Bíblia, Edwards tornou-se a bússola dos meus estudos teológicos. Não que ele
tenha algo parecido com a autoridade das Escrituras, mas que ele é um mestre
dessas Escrituras, e um precioso amigo e professor.
Um dos meus
professores do seminário sugeriu-nos, por volta de 1970, que encontrássemos um
grande e piedoso professor na história da igreja e que fizéssemos dele um
companheiro para toda a vida. Isso é o que Edwards se tornou para mim. É
difícil superestimar o que ele significou para mim, teológica e pessoalmente,
na minha visão de Deus e no meu amor por Cristo.
Isso aconteceu
quando eu era professor em Betel, porque Edwards propôs e lutou com muitas
questões que eram absolutamente essenciais para mim naquela época. Agora,
porém, trabalho como pastor há quase oito anos, e posso dizer que Edwards fez
toda a diferença no mundo.
Estou
profundamente convencido de que o que nosso povo precisa é de Deus. Preguei
sobre o reinado de Cristo há duas semanas, no domingo de Páscoa, a partir de 1
Coríntios 15.20-28. No final, diz que um dia o próprio Filho estará sujeito ao
Pai, para que Deus seja tudo em todos. Argumentei que a necessidade do
reinado de Cristo (expressa nas palavras: “Porém convém que ele reine até que
haja posto todos os seus inimigos debaixo dos pés”) está enraizada nas próprias
exigências de Deus, o Pai, a fonte da divindade – para que esteja Deus em toda
a plenitude de sua glória, a imagem e reflexo de sua glória, o Filho deve
voltar-se, curvar-se e chamar toda a atenção através de si mesmo para o Pai.
Seis
versículos depois, Paulo pede aos coríntios, que questionavam a ressurreição de
Cristo: “Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns
ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa.” O que
eles precisavam, e o que o nosso povo precisa, é de uma verdadeira visão da
grandeza de Deus. Eles precisam ver todo o panorama de suas excelências.
O povo precisa
ver um homem fascinado por Deus no domingo de manhã e na reunião dos diáconos.
Robert Murray M'Cheyne disse: "O que meu povo mais precisa é de minha
santidade pessoal. Isso mesmo. Porém a santidade humana nada mais é do que uma
vida embriagada de Deus." E nosso povo precisa ouvir a pregação fascinada
por Deus. O próprio Deus precisa ser o tema da nossa pregação, em sua
majestade, e santidade, e justiça, e fidelidade, e soberania e graça. E com
isso não quero dizer que não devamos pregar sobre coisas práticas essenciais,
como paternidade, divórcio, AIDS, glutonaria, televisão e sexo. Deveríamos, de
fato! O que quero dizer é que todas essas coisas deveriam ser levadas
diretamente para a santa presença de Deus, e expostas às raízes de sua religiosidade
ou impiedade.
O que nosso
povo precisa não é de belas pequenas palestras morais ou psicológicas sobre
como se dar bem no mundo. Ele precisa ver que tudo, absolutamente tudo – desde
as vendas de garagem e a reciclagem de lixo até a morte e os demônios, tem a
ver com Deus em toda a sua infinita grandeza. A maior parte do nosso povo não
tem ninguém, ninguém no mundo que possa proclamar a majestade de Deus para ele.
Portanto, a maioria está faminta pela visão infinita e extasiada por Deus de
Jonathan Edwards, e nem mesmo sabe disso.
São como
pessoas que cresceram em uma sala com teto plano de gesso branco, de 2,5 metros
e sem janelas. Elas nunca viram o amplo céu azul, ou o sol brilhando na glória
do meio-dia, ou os milhões de estrelas de uma noite clara no campo, ou uma
montanha de um trilhão de toneladas. E, assim, elas não conseguem explicar o
sentimento de pequenez, e trivialidade, e mesquinharia e insignificância em
suas almas. Mas é porque não há grandeza. O que nosso povo precisa é da visão
da realidade fascinada por Deus que Jonathan Edwards teve.
Cerca de cinco
anos atrás, durante nossa semana de oração de janeiro, decidi pregar sobre a
santidade de Deus a parir de Isaías 6. E resolvi, no primeiro domingo do ano, pregar
sobre os primeiros quatro versículos desse capítulo, e expor a visão da
santidade de Deus:
No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor
assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o
templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas
cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns
para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a
terra está cheia da sua glória. As bases do limiar se moveram à voz do que
chamava, e a casa encheu-se de fumaça.
Então preguei
sobre a santidade de Deus e fiz o meu melhor para exibir a majestade e a glória
de um Deus tão inacessivelmente santo. Não proferi uma palavra de aplicação à
vida do nosso povo (o que não é uma boa prática regularmente).
Mal sabia eu
que, na semana anterior a esta mensagem, uma das jovens famílias da nossa
igreja descobriu que o seu filho vinha sendo abusado sexualmente por mais de um
ano por um familiar próximo. Foi incrivelmente devastador. Houve envolvimento
da polícia. Assistentes sociais. Psiquiatras. Médicos. Eles estavam lá naquela
manhã de domingo e ouviram aquela mensagem.
Eu me pergunto
quantos de nossos conselheiros, pastores hoje, teriam dito: Piper, você não vê
que seu povo está sofrendo? Você não pode descer da sua torre de marfim de
teologia e ser prático? Você não percebe que tipo de pessoa senta na sua frente
no domingo?
Vários meses
depois, os tristes detalhes começaram a surgir. E o marido veio até mim, um
domingo depois de um culto, me chamou de lado e disse: “John, estes foram os
meses mais difíceis de nossas vidas. Você sabe o que me ajudou a superar? A
visão da grandeza da santidade de Deus que você me deu na primeira semana de
janeiro. Foi a rocha sobre a qual pudemos nos firmar.”
Há apenas uma
semana atrás, conversei com uma mulher que frequenta esta igreja há mais de
sete anos. Ela não é membro. Ela estava se divorciando naqueles primeiros dias
e sabia que eu era contra. Ela disse, na semana passada: “Apesar de toda a
minha turbulência, sentimentos confusos e solidão, precisei de sua posição e de
sua visão ao longo desses anos. Elas foram cruciais para minha sobrevivência
espiritual.”
E, oh, como eu
gostaria que tivéssemos tempo para conversar sobre o que a visão deste Deus
significou para o movimento missionário aqui na Belém. Deixe-me colocar em uma
palavra. Os jovens de hoje, na Belém, não ficam entusiasmados com denominações
e agências. Eles ficam entusiasmados com a grandeza de um Deus global e com o
propósito inevitável de um Rei soberano.
Eu acreditava
nisso antes de ser pastor. Acredito ainda mais fortemente agora, depois de oito
anos de ministério pastoral. A majestade, a soberania e a beleza de Deus são o
eixo da vida da igreja, tanto no cuidado pastoral como no alcance missionário.
Em outras palavras, a cosmovisão fascinada por Deus que Jonathan Edwards tinha
não era produto e prerrogativa de um teólogo acadêmico. Era o coração do seu
trabalho pastoral.
E por isso
quero deixar que Edwards nos admoeste e nos encoraje com o seu exemplo. Espero
que todos vocês comprem a nova biografia de Iain Murray. E espero que muitos de
vocês adquiram suas Works (Obras) ou pelo menos a brochura de Religious
Affections (Afeições Religiosas). Mas não me entenda mal. Nenhum de nós
nesta sala será um Jonathan Edwards. Ele está quase sozinho em uma categoria.
Pensar que qualquer pensamento assim resultaria em nada além de desânimo.
Devemos ser nós mesmos.
Escreva 1
Coríntios 15.10 em cada livro, conferência e seminário – “Pela graça de Deus
sou o que sou”. Eu poderia desejar ter o gênio estratégico de Ralph Winter, ou
a precisão teológica e o discernimento de um J. I. Packer, mas não serei eles,
nem Jonathan Edwards. Porém podemos aprender e ser inspirados a prosseguir,
talvez muito além das nossas realizações atuais, em compreensão, santidade e
fidelidade. Podemos ser bons uns para os outros, desde que não tentemos imitar.
O olho do corpo não é o ouvido e o pé não é a mão.
Sustentando Nossa Visão de
Deus
Então deixe-me
contar algumas coisas sobre o trabalho de Edwards que sustentaram sua visão de
Deus. Algumas delas se encaixarão na tua vida e outras não. Minha oração é que
você veja algo aqui que te dê um novo senso de zelo e compromisso com o maior
chamado do mundo. Deixe-me colocar isso na forma de quatro exortações a partir
da vida deste pastor.
Edwards nos
exorta à determinação radical em nossa ocupação com coisas espirituais.
Ouça duas de
suas resoluções que tomou em 1723, quando tinha quase 20 anos.
# 44. Resolvi que nenhum outro fim, exceto a religião,
terá qualquer influência em qualquer uma de minhas ações; e que nenhuma ação
será, na menor circunstância, diferente da que o fim religioso a levará.
# 61. Resolvi que não cederei àquela indiferença que
acho que desvia e relaxa minha mente de estar plena e fixamente voltada para a
religião, qualquer que seja a desculpa que eu possa ter para ela...
Penso que esta
é uma aplicação do princípio de Paulo em 2 Timóteo 2.4-6: “Nenhum soldado em
serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer
àquele que o arregimentou. Igualmente, um atleta não é coroado se não lutar
segundo as normas. O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos
frutos.”
Penso que o
que acontece com muitos pastores é que o ministério não prospera com tanto
poder e alegria como esperavam, e apenas para sobreviver emocionalmente começam
a dar lugar a divertimentos, diversões e hobbies. O ministério se torna um
trabalho de 40 horas por semana, como qualquer outro, e então as noites e os
dias de folga são preenchidos com diversões agradáveis e inofensivas. E todo o
sentimento muda. A urgência radical enfraquece. A mentalidade de tempo de
guerra muda para uma mentalidade de tempo de paz. O estilo de vida começa a
ficar confortável. A ardente determinação da visão evapora.
Deixe-me dizer
isso novamente. Nosso povo precisa de um homem embriagado por Deus. Mesmo que
critiquem o fato de você não estar disponível para jantar no sábado à noite,
porque precisa estar com Deus; eles precisam de pelo menos um homem em suas
vidas que esteja radical e totalmente focado em Deus e na busca pelo
conhecimento de Deus, e no ministério da palavra de Deus. Quantas pessoas em
suas igrejas você conhece que estão trabalhando para conhecer a Deus, que estão
se esforçando sinceramente no estudo e na oração para ampliar sua visão de
Deus. Muito poucos. Pois bem, o que será de nossas igrejas se nós, os pastores,
que são encarregados de conhecer e explicar todo o conselho de Deus, nos
tornarmos neutros, pararmos de ler, de estudar e de escrever, e assumirmos mais
hobbies e assistirmos mais televisão?
Edwards nos
exorta a uma ocupação obstinada com Deus, a tempo e fora de tempo. Edwards
chama esse esforço para conhecer Deus de “divindade” em vez de teologia. É uma
ciência muito acima de todas as outras ciências. Ouça o que ele diz que deveria
nos ocupar:
O próprio Deus, o eterno Três em um, é o objeto
principal desta ciência; e a seguir Jesus Cristo, como Deus-homem e Mediador, e
a gloriosa obra de redenção, a obra mais gloriosa que já foi realizada, então
as grandes coisas do mundo celestial, a herança gloriosa e eterna comprada por
Cristo, e prometida no Evangelho; a obra do Espírito Santo de Deus nos corações
dos homens; nosso dever para com Deus e a maneira pela qual nós mesmos podemos
nos tornar... como o próprio Deus em nossa medida. Todos estes são objetos
desta ciência. (Works, II, 159)
Se a ocupação obstinada com estas
coisas for deixada a alguns teólogos académicos nas faculdades e seminários,
enquanto todos os pastores se tornam técnicos, gestores e organizadores, poderá
haver um sucesso superficial durante algum tempo, enquanto os americanos ficam
entusiasmados com um programa ou outro, mas a longo prazo os ganhos
revelar-se-ão superficiais e fracos, especialmente no dia do julgamento.
Portanto, a
primeira exortação de Edwards é ser radicalmente obstinado no seu compromisso
de conhecer a Deus.
Trabalhe
diligentemente para conhecer as Escrituras.
Não obtenha
sua visão de Deus de segunda mão. Nem mesmo deixe Edwards ou Packer serem sua
fonte primária de divindade. Este foi o exemplo que o próprio Edwards nos deu.
Seu primeiro biógrafo, Sereno Dwight, disse que, quando chegou ao pastorado em
Northampton, “ele havia estudado teologia, não principalmente em sistemas ou
comentários, mas na Bíblia, e no caráter e nas relações mútuas de Deus com suas
criaturas, do que todos seus princípios são derivados” (Works, I,
xxxvii).
Certa vez,
Edwards pregou um sermão intitulado “A importância e a vantagem de um
conhecimento completo da verdade divina”. Nele ele disse: “Seja assíduo [!] na
leitura das Sagradas Escrituras. Esta é a fonte de onde todo o conhecimento da
divindade deve ser derivado. Portanto, não deixe este tesouro ser negligenciado
por você” (Works, II, 162).
E ele deu um
exemplo maravilhoso em sua própria diligência no estudo da própria Bíblia.
Estive na Biblioteca Beinecke, de Yale, em outubro passado, onde as obras não
publicadas de Edwards estão armazenadas. Eles me levaram ao nível inferior e a
uma salinha onde dois ou três homens trabalhavam em manuscritos antigos com
microscópios e iluminação especial. Pude ver alguns dos manuscritos dos sermões
de Edwards (incluindo “Pecadores nas mãos de um Deus irado”), seu catálogo de
leituras e sua Bíblia intercalada.
Ele desmontou
uma grande Bíblia página por página, inseriu uma folha de papel em branco entre
cada página e costurou novamente o livro. Depois traçou uma linha no centro de
cada página em branco para formar duas colunas para anotações. Página após
página, nas partes mais remotas das Escrituras, havia extensas notas e
reflexões em sua caligrafia minúscula e quase ilegível.
Penso que há
razões para acreditar que Edwards realmente cumpriu a sua 28ª resolução,
enquanto estava em Yale.
Resolvi: Estudar as Escrituras tão firme, constante e
frequentemente, de modo que eu possa encontrar, e compreender claramente, meu
próprio crescimento no conhecimento das mesmas.
Considero esta resolução como uma
repreensão e um grande incentivo para fazer um balanço das minhas prioridades
pastorais e das minhas prioridades de leitura. 2 Pedro 3.18 diz: “Crescei na
graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” Então Edwards
resolveu estudar a Bíblia de forma tão “firme, constante e frequente” de modo
que pudesse ver crescimento.
Quantos de nós
temos um plano para crescer em nossa compreensão de todo o terreno das
Escrituras? A maioria de nós não usa a Bíblia como fonte para obter sermões,
devocionais e ajuda devocional pessoal? Porém será que trabalhamos nas
Escrituras de tal maneira que podemos ver claramente que hoje entendemos algo
nela que não entendíamos ontem?
Temo que
muitos de nós trabalhemos na leitura de livros sobre teologia e sobre a vida da
igreja com o objetivo de crescer, mas não tenhamos nenhum plano e não façamos
nenhum esforço sustentado para avançar de forma firme e constante em nossa
compreensão da Bíblia. A segunda exortação de Edwards é que isto não deveria
ser assim. Estude a Bíblia de forma tão firme, constante e frequente que você
perceba claramente que está crescendo nela.
Edwards nos
exorta a aproveitar o tempo e a fazer o que nossas mãos encontrarem para fazer
com todas as nossas forças.
Sua sexta
resolução foi simples e poderosa: “Resolvi: Viver com todas as minhas forças
enquanto eu viver”. A resolução #5 foi semelhante: “Resolvi: Nunca perder um
momento de tempo, mas aproveitá-lo da maneira mais proveitosa possível.”
Ele acreditava
muito em fazer o que pudesse no tempo que tinha, em vez de adiar as coisas para
uma ocasião mais conveniente. A resolução #11 é uma das razões pelas quais ele
fez progressos tão surpreendentes em sua compreensão teológica. Diz: “Resolvi:
Quando penso em qualquer teorema sobre a divindade a ser resolvido, devo fazer
imediatamente o que puder para resolvê-lo, se as circunstâncias não o
impedirem.”
Edwards não
era um leitor passivo. Ele lia com o objetivo de resolver problemas. A maioria
de nós é amaldiçoada por uma tendência à leitura passiva. Lemos da mesma forma
que as pessoas assistem TV. Não fazemos perguntas enquanto lemos. Não
perguntamos: Por que esta frase segue aquela frase? Como este parágrafo se
relaciona com aquele de três páginas anteriores? Não investigamos a ordem do
pensamento, nem ponderamos o significado dos termos. E se vemos um problema,
estamos habituados a deixá-lo para os especialistas, e raramente abordamos uma
solução naquele momento da forma como Edwards disse que estava comprometido em
fazer se o tempo permitisse. Porém, Edwards nos chama a sermos ativos em nossas
mentes quando lemos. Um pastor não será capaz de alimentar seu rebanho com uma
visão rica e desafiadora da Palavra de Deus, a menos que se torne um pensador
disciplinado. Mas quase nenhum de nós faz isso por natureza. Devemos treinar a
nós mesmos a fazer isso. E uma das melhores maneiras de nos treinarmos a pensar
sobre o que lemos é ler com a caneta na mão e anotar uma sequência de ideias
que nos venha à mente. Sem isso, simplesmente não conseguiremos sustentar uma
sequência de perguntas e respostas suficientemente longa para chegar a
conclusões penetrantes. Este foi o método simples que fez com que o gênio
natural de Edwards produzisse resultados imensos e duradouros. Ouça a descrição
de Sereno Dwight sobre sua disciplina a esse respeito.
Ainda menino, ele começou a estudar com a caneta na
mão; não com o propósito de copiar os pensamentos de outros, mas com o
propósito de anotar e preservar o pensamento sugerido à sua própria mente....
Esta prática muito útil... ele seguiu constantemente em todos os seus estudos
ao longo da vida. Sua caneta parece ter estado sempre em sua mão. A partir
desta prática... ele obteve a grande vantagem de pensar continuamente durante
cada período de estudo; de pensar com precisão; de pensar de forma conectada;
de pensar habitualmente em todos os momentos... de seguir cada assunto de
pensamento até onde fosse capaz... de preservar seus melhores pensamentos,
associações e imagens, e então organizá-los sob seus devidos títulos, prontos
para uso posterior; de fortalecer regularmente a faculdade de pensar e
raciocinar mediante exercícios constantes e eficientes; e, acima de tudo, de
moldar-se gradualmente em um ser pensante... (Works, I, xviii)
Dwight nos conta como ele
aproveitou os dias que levava a cavalo para ir de uma cidade a outra. Ele
pensava em algo até chegar a alguma conclusão e, então, prendia um pedaço de
papel em seu casaco e desafiava sua mente a lembrar a sequência de pensamentos
quando tirava o papel em casa (Works, I, xxxviii).
Edwards
podia passar até 13 horas por dia em seu escritório, diz Dwight, por causa de
sua decisão de não visitar seu povo, exceto quando solicitado. Ele recebia
pessoas em seu escritório para conversar, e frequentemente ministrava reuniões
privadas em vários bairros, além de catequizar os jovens em sua casa.
Provavelmente não deveríamos segui-lo neste padrão de trabalho pastoral. Ele
pode até ter errado nessa escolha. Porém nós, que amamos o que ele escreveu,
não o culparemos muito.
Ele acordava
cedo, mesmo naqueles dias sem eletricidade. Na verdade, ele provavelmente
estava falando sério quando escreveu em seu diário, em 1728: “Acho que Cristo
recomendou levantar-se de manhã cedo, levantando-se da sepultura muito cedo.”
Não é fácil
saber como era sua vida familiar sob esse tipo de cronograma rigoroso. Dwight
diz em certo lugar: “À noite, ele geralmente se permitia um período de
relaxamento, no meio de sua família”. (Works, I, xxxviii) Mas, em outro
lugar, o próprio Edwards diz (em 1734, quando tinha 31 anos): “Eu julgo que é
melhor, quando estou em boa disposição para a contemplação divina, ou engajado
na leitura das Escrituras, ou em qualquer estudo de assuntos divinos, que,
normalmente, não serei interrompido para ir jantar, mas renunciarei ao meu
jantar, em vez de ser interrompido” (Works, I, xxxvi). Penso que seria
justo dizer que a chave indispensável para criar 11 filhos crentes nestas
circunstâncias foi uma união incomum com Sarah, que era uma mulher incomum.
No que diz
respeito aos seus hábitos alimentares, ele não apenas estava disposto a pular o
jantar por causa do estudo, se as coisas estivessem realmente fluindo, ele
também, diz-nos Dwight, “observou cuidadosamente os efeitos dos diferentes
tipos de alimentos e selecionou aqueles que melhor se adequavam à sua
constituição e o tornavam mais apto para o trabalho mental”. (Works, I,
xxxviii) Edwards estabeleceu esse padrão quando tinha 21 anos, quando escreveu
em seu diário:
Com moderação na dieta e comendo tanto quanto possível
o que é leve e de fácil digestão, sem dúvida serei capaz de pensar com mais
clareza e ganharei tempo; 1. Prolongando minha vida; 2. Necessitará de menos
tempo para digestão, após as refeições; 3. Poderei estudar mais atentamente,
sem prejuízo à saúde; 4. Precisará de menos tempo para dormir; 5. Raramente
será incomodado com dor de cabeça. (Works, I, xxxv)
Recomendo à
sua consideração se tal cuidado para maximizar o tempo e a eficácia na devoção
ao ministério da palavra é o que Paulo quis dizer quando falou em remir o
tempo, e quando o Pregador disse: “Tudo o que a sua mão achar para fazer,
faça-o com a sua força”.
O trabalho
teológico de Edwards nos exorta a estudar em prol da adoração sincera e da
obediência prática.
Você se lembra
do que Mark Noll disse: “A piedade de Edwards continuou na tradição avivalista,
sua teologia continuou no calvinismo acadêmico, mas não houve sucessores para
sua cosmovisão fascinada por Deus...” O doce casamento entre razão e afeição,
entre pensamento e sentimento, entre cabeça e coração, entre estudo e adoração,
que ocorreu na vida de Jonathan Edwards, tem sido raro desde sua época e ainda
é raro.
Portanto, a
exortação final é recuperar aquela “lógica em chamas”, como a chamavam os
puritanos – em chamas de alegria e obediência.
Edwards não
seguiu uma paixão por Deus porque isso era a cereja do bolo da fé. Para ele, a
fé estava fundamentada num senso de Deus que era mais do que aquilo que a razão
sozinha poderia proporcionar. Ele disse,
Um verdadeiro senso da glória de Deus é aquele que
nunca pode ser obtido mediante [raciocínio] especulativo; e se os homens se
convencerem por meio de argumentos de que Deus é santo, isso nunca dará um
senso de sua amável e gloriosa santidade. Se eles argumentarem que ele é muito
misericordioso, isso não dará um senso de sua gloriosa graça e misericórdia.
Este senso deve ser uma descoberta mais imediata e consciente, que deve dar à
mente um senso real da excelência e da beleza de Deus. (Works, II, 906)
Em outras
palavras, é inútil simplesmente acreditar que Deus é santo e
misericordioso. Para que essa crença tenha algum valor salvífico, devemos
“sentir” a santidade e a misericórdia de Deus. Isto é, devemos ter um
verdadeiro deleite nestas coisas pelo que elas são em si. Caso contrário, o
conhecimento não será diferente daquele que os demônios têm.
Isto significa
que todo o seu estudo e pensamento foram em vão? Na verdade, não. Por que?
Porque ele diz: “Quanto mais você tiver um conhecimento racional das coisas
divinas, mais oportunidades haverá, quando o Espírito for soprado em teu
coração, de ver a excelência dessas coisas e de provar a doçura delas.” (Works,
II, 162, ver p.16)
Porém o
objetivo de tudo é esse sabor espiritual, não apenas conhecer a Deus, mas
deleitar-se nele, saboreá-lo, apreciá-lo. E assim, apesar de todo o seu poder
intelectual, Edwards estava muito longe de ser um acadêmico frio, imparcial,
neutro e desinteressado.
Ele disse em
sua 64ª resolução:
Resolvi, quando encontro aqueles “gemidos
inexprimíveis”, dos quais fala o apóstolo, e aquelas “aspirações da alma pelo
desejo que tem”, das quais o salmista fala... Não me cansarei de me esforçar
sinceramente para dar vazão aos meus desejos, nem das repetições de tal
seriedade.
Em outras
palavras, ele estava tão empenhado em cultivar sua paixão por Deus quanto em
cultivar seu conhecimento de Deus. Ele lançou-se na couraça de sua carne não
apenas pela verdade, mas também por mais graça. A 30ª resolução diz:
Resolvi, esforçar-me todas as semanas para ser elevado
na religião e para um exercício mais elevado da graça do que na semana
anterior.
E esse avanço foi, para Edwards,
intensamente prático. Ele disse ao seu povo o que procurava para si mesmo.
Não procure
crescer em conhecimento principalmente para receber aplausos e para poder
discutir com os outros; mas procurem-no para o benefício de suas almas e a fim
de praticar... Pratique de acordo com o conhecimento que você possui. Esta será
a forma de saber mais.... [De acordo com o Salmo 119.100] “Sou mais prudente
que os idosos, porque guardo os teus preceitos.” (Works, II, 162s)
O grande
objetivo de todo estudo – de toda teologia – é um coração voltado para Deus e a
uma vida de santidade. O grande objetivo de todo o trabalho de Edwards era a
glória de Deus. E a melhor coisa que aprendi com Edwards, creio eu, é que Deus
não é glorificado principalmente por ser conhecido, nem por ser obedientemente
obedecido. Ele é mais glorificado por ser apreciado. Deus glorifica-se também
para com as criaturas de duas maneiras: (1) ao aparecer-lhes, manifestando-se
ao seu entendimento; (2) ao comunicar-se aos seus corações, e no regozijo e
deleite deles, e desfrutando das manifestações que ele faz de si mesmo.... Deus
é glorificado não apenas por sua glória ser vista, mas por seu regozijo nela...
[Quando] aqueles que a veem deleitam-se nela: Deus é mais glorificado do que se
eles apenas o virem; sua glória é então recebida por toda a alma, tanto pelo
entendimento como pelo coração.
Deus fez o
mundo para que ele pudesse se comunicar e a criatura receber sua glória; e para
que ela possa ser recebida tanto pela mente como pelo coração. Aquele que
testifica sua opinião da glória de Deus [não] glorifica tanto a Deus quanto
aquele que testifica também sua aprovação e seu deleite nela. (The Philosophy of Jonathan Edwards,
Harvey G. Townsend, Westport, CT: Greenwood Press Publishers, 1955, Miscellanies,
#448, p. 133; ver também #87, p. 128, e #332, p. 130 e #679, pág. 138)
E assim a
exortação final e mais importante para nós a partir da vida e obra de Jonathan
Edwards é esta: em todo o teu estudo e em todo o teu ministério pastoral
procure glorificar a Deus desfrutando dele para sempre.
O desfrutar de
Deus é a única felicidade com a qual nossas almas podem ficar satisfeitas. Ir
para o céu, para desfrutar plenamente de Deus, é infinitamente melhor do que as
acomodações mais agradáveis aqui. Pais e mães, esposos, esposas ou filhos, ou a
companhia de amigos terrenos, são apenas sombras; mas Deus é a substância.
Estes são apenas raios dispersos, mas Deus é o sol. Estes são apenas rios. Mas
Deus é o oceano (Works, II, 244).
Tradução:
De: The Pastor as Theologian – Life and
Ministry of Jonathan Edwards
1988 Bethlehem Conference for Pastors – John
Piper
Por: Paulo Arantes