McClintock e Strong
Nasceu em East Windsor, Connecticut, em 5 de outubro de 1703. Seu tataravô por parte de pai foi o Rev. Richard Edwards, um pastor em Londres na época da rainha Elisabeth. Seu bisavô, William Edwards, nascido na Inglaterra, veio para a América por volta de 1640, e foi um ilustre negociante em Hartford, Connecticut. Seu avô, Richard Edwards, nasceu em Hartford e passou sua vida ali como um respeitável e rico comerciante. Seu pai, o Rev. Timothy Edwards, nasceu em Hartford, em 14 de maio de 1669. Ele ingressou no Harvard College em 1687, e recebeu dois graus, de bacharel e de mestre em Artes, no mesmo dia, 4 de julho de 1961, um pela manhã, e o outro, à tarde, “um raro sinal de respeito por sua extraordinária proficiência no aprendizado”. Ele foi ordenado pastor da igreja em East Windsor em maio de 1694. Em 1711, ele foi designado, pela Assembleia Legislativa de Connecticut, capelão das tropas enviadas em uma importante expedição ao Canadá. Ele ficou famoso por sua erudição, fidelidade e influência de caráter. Em geral, ele pregava de improviso, e até passar dos setenta anos de idade ele sequer escrevia os títulos de seus discursos. Ele viveu para desfrutar da fama de seu filho, e morreu em 27 de janeiro de 1758. Por parte de mãe, o bisavô do Presidente Edwards foi o ilustríssimo Anthony Stoddard, que emigrou do oeste da Inglaterra para Boston, e foi membro da Assembleia Geral de 1665 até 1684. O avô de Edwards foi o Rev. Solomon Stoddard, de Northampton, Massachusetts; um dos mais eruditos e influentes pastores da Nova Inglaterra. A mãe de Edwards foi Ester, a segunda filha do pastor de Northampton, uma mulher de excelente educação e de rara força de caráter.
A história do Presidente Edwards não pode ser
plenamente compreendida sem se considerar que, de ambos os lados, paterno e
materno, ele estava ligado a famílias que pertenciam à aristocracia
eclesiástica da Nova Inglaterra. Ele foi o único filho homem e teve dez irmãs,
algumas das quais se tornaram esposas de homens eminentes. Ele foi educado por
seu pai e por suas quatro irmãs mais velhas (todas eram hábeis eruditas) para o
Yale College, no qual ele entrou em 1716, pouco antes de completar treze anos
de idade. Durante o ano seguinte, seu estudo favorito foi Locke sobre o Human Understanding (Entendimento Humano). “Tomando
este livro em suas mãos, em alguma ocasião não muito antes de sua morte, ele
disse a alguns de seus mais seletos amigos que estavam com ele, que ficou
inexpressivamente entretido e satisfeito com ele quando o leu em sua juventude,
na faculdade; que ficou tão interessado e teve mais satisfação e prazer em
estudá-lo do que o mais ganancioso sovina em encher as mãos de prata e ouro de
algum tesouro recém descoberto.” Quando estava com cerca de 12 anos de idade,
ele escreveu um ensaio que indica que ele estava completamente interessado na
questão do Materialismo. Por volta da mesma época, ele escreveu alguns notáveis
ensaios sobre questões de filosofia natural (física). Tendo se distinguido na
faculdade como um pensador perspicaz, e também como um escritor apaixonado, ele
recebeu seu grau de bacharel em 1720, e apresentou seu “discurso de saudação, o
qual também foi o de despedida.”
Quando ainda era um garoto, provavelmente por volta
de sete ou oito anos de idade, ele começou a desenvolver seu caráter religioso.
Ele escreve: “Naquele tempo, eu fique abalado por muitos meses, e preocupado
acerca das coisas da religião e da salvação da minha alma, e era abundante nos
deveres religiosos. Eu orava cinco vezes ao dia em secreto, e gastava muito
tempo em conversas religiosas com outros garotos, e me encontrava com eles
para orarmos juntos. Eu não sei que tipo de prazer na religião experimentei.
Eu, com alguns colegas de escola, nos juntamos e construímos uma tenda em um
pântano, em um lugar muito retirado, como um local de oração; e, além disso, eu
tinha meus próprios lugares secretos particulares no bosque, para onde
costumava me retirar, e era, de tempos em tempos, muito abalado. Minhas
afeições pareciam estar cheias de vida e ser facilmente excitadas, e eu parecia
estar em meu ambiente quando me engajava nos deveres religiosos.” Refletindo
sobre essas ardentes emoções, Edwards não as considerou mais tarde como sinais
de genuína piedade. Ele era perspicaz na análise do caráter e acostumado a
encorajar não apenas a outros, mas também a si mesmo, ao hábito do rigoroso
autoexame e ao cuidado zeloso contra a influência do amor próprio. Embora desde
sua infância ele tenha sido obediente, dócil e exemplar em seu comportamento
exterior, ele escreveu acerca de sua infância e juventude: “Eu me sentia, às
vezes, muito desconfortável, especialmente na última parte da minha época de
faculdade, quando agradava a Deus acometer-me com uma pleurisia, na qual ele me
levava para perto da sepultura e me sacudia sobre o abismo do inferno. Todavia,
não muito depois de me recuperar eu caia novamente em meus antigos caminhos de
pecado. Porém Deus não permitia que continuasse com alguma tranquilidade. Eu
tinha grandes e violentas lutas interiores, até que, depois de muitos
conflitos com as inclinações perversas, repetidas resoluções e obrigações às
quais eu me submetia por algum tipo de voto a Deus, fui levado a romper
totalmente com todos os caminhos perversos anteriores, e com todo pecado
exterior conhecido, e a aplicar-me a buscar a salvação e a praticar muitos
deveres religiosos, mas sem aquele tipo de afeição e deleite que experimentara
anteriormente.” Com sua fidelidade característica em examinar seus motivos, ele
olhou com desconfiança para sua busca pelo Senhor segundo esta “maneira
miserável que”, ele diz, “o fizera questionar algumas vezes se alguma vez
resultou em que estava salvo, estando pronto a duvidar se uma busca tão miserável
foi bem-sucedida em alguma ocasião.” Após um tempo, mas ele não declara
precisamente em qual período, ele começou a receber uma contínua confiança
quanto a ter sido regenerado pelo Santo Espírito. Em um estilo poético e
fervoroso, que frequentemente caracteriza seus escritos, ele diz: “Comecei a
ter novos tipos de apreensões e pensamentos sobre Cristo, a obra da redenção e
o glorioso caminho da salvação por meio dele. Não sei como expressar isto de
outra forma senão mediante uma calma e doce abstração de alma de todas as
preocupações deste mundo, e, às vezes, um tipo de visão ou pensamentos e imaginações
fixas de estar sozinho nas montanhas ou em algum deserto solitário, longe da
humanidade, conversando docemente com Cristo, e arrebatado e consumido em Deus.”
Em uma ocasião “eu andava sozinho, em um lugar solitário, nas pastagens de meu
pai, para contemplação. A medida que caminhava ali e olhava para o céu e para
as nuvens, veio à minha mente um senso tão doce da gloriosa majestade e graça
de Deus que não sei como expressar. Tive a impressão de ver ambas em doce
comunhão, majestade e mansidão unidas; era uma majestade doce, gentil e santa,
e também uma mansidão grandiosa, uma impressionante doçura, uma docilidade
sublime, grande e santa. Depois disto, meu senso das coisas divinas aumentou
gradualmente e tornou-se mais e mais vívido, e tinha mais daquela doçura
interior. A aparência de todas as coisas foi alterada; parecia ser, por assim
dizer, de um aspecto calmo, doce, ou aparência da glória divina em quase todas
as coisas. A excelência de Deus, sua sabedoria, sua pureza e seu amor pareciam
tornarem-se visíveis em cada coisa: no sol, na lua e nas estrelas; nas nuvens e
no céu azul; na grama, nas flores, nas árvores; na água e em toda natureza em
que costumava fixar grandemente minha mente. Frequentemente costumava sentar-me
e observar a lua por muito tempo e, de dia, gastava muito tempo em observar as
nuvens e o céu, para contemplar a doce glória de Deus nessas coisas, ao mesmo
tempo cantando com uma voz baixa minhas contemplações do Criador e Redentor, e
raramente algo em todas as obras da natureza era tão doce para mim como o
trovão e o relâmpago; antigamente nada era mais terrível para mim. Antes, eu
costumava ficar aterrorizado de modo incomum com o trovão, e a ficar acometido
de terror quando via surgir uma tempestade com raios e trovões; mas agora, pelo
contrário, me regozijo. Sinto Deus, se posso falar assim, à primeira aparição
de uma tempestade de raios, e costumo usar a oportunidade para concentrar-me a
fim de ver as nuvens, ver os relâmpagos e ouvir a majestosa e terrível voz do
trovão de Deus; o que, às vezes, era extraordinariamente interessante,
levando-me a doces contemplações de meu grande e glorioso Deus. Enquanto assim ocupado,
sempre me parecia natural cantar ou salmodiar minhas meditações, exprimir meus
pensamentos em solilóquios com voz de canto.”
A perspicácia de seu intelecto, a atividade de sua
imaginação, a vivacidade de seus sentimentos e a profundidade de sua piedade,
foram considerados como sinais de seu chamado para o ministério do Evangelho.
Tendo sido aluno residente por quase dois anos no Yale College, depois de sua
graduação, e tendo continuado seus estudos teológicos durante este período, ele
foi “aprovado” como pregador em junho ou julho de 1722, vários meses antes de
completar dezenove anos de idade. De agosto de 1722 até abril de 1723, ele
pregou para uma pequena Igreja Presbiteriana na cidade de Nova York. Sua
eloquência fascinou seus ouvintes, mas ele se sentiu compelido a declinar de
seus insistentes convites para tornar-se seu pastor. Em suas caminhadas
solitárias ao longo das margens calmas do Hudson ele aprendeu mais e mais “sobre
as insondáveis profundezas da corrupção e do engano ocultos” que faziam parte
de seu coração, sobre a beleza e a amabilidade da verdadeira santidade. “Santidade,
como a descrevi a partir de minhas meditações sobre ela, pareceu-me ser de uma
natureza agradável, encantadora, serena e calma, que trazia uma pureza, brilho,
quietude e arrebatamento inexprimíveis à alma. Em outras palavras, ela faz a
alma como um campo ou jardim de Deus, com todo tipo de flores, desfrutando uma
doce calma, e raios suaves e vivificantes do sol. A alma de um verdadeiro
cristão, como descrevi em minhas meditações, parecia como uma pequena flor
branca, como podemos ver na primavera, baixa e humilde no chão, abrindo seu
centro para receber os agradáveis raios do sol da glória; regozijando-se, por
assim dizer, em um calmo êxtase; difundindo ao redor uma fragrância doce;
permanecendo calma e amorosamente no meio das outras flores ao redor, todas
abrindo de igual maneira seu centro para beber da luz do sol.” Foi durante sua
residência em Nova York que ele escreveu as primeiras trinta e quatro de suas
famosas Resolutions (Resoluções) para
a direção de sua vida.
Em setembro de 1723, ele foi chamado para uma tutoria no Yale College. Tendo passado o inverno e a primavera seguintes em rigoroso estudo na faculdade, ele iniciou sua tutoria em junho de 1724 e a deixou em setembro de 1726. Após ter declinado vários convites para assumir a supervisão de igrejas, ele foi ordenado, em 15 de fevereiro de 1727, como pastor da igreja em Northampton, auxiliar de seu famoso avô, Solomon Stoddard. Ele cresceu em eminência como pregador, especialmente como pregador da lei e da soberania divinas, da total pecaminosidade do homem por natureza, da justificação pela fé e da punição eterna. Frequentemente ele falava extempore; ele raramente fazia um gesto; sua voz não era imponente; seu poder era o do pensamento profundo e do sentimento forte. Dr. Trumbull diz que, quando o Sr. Edwards estava pregando em Enfield, Connecticut, “houve tal respiração de angústia e choro que o pregador foi obrigado a dirigir-se ao povo e pedir silêncio para que pudesse ser ouvido.” Um senhor fez uma observação ao Presidente Dwight de que, quando em sua juventude, ouviu o Sr. Edwards descrever o dia do julgamento, ele supôs plenamente que imediatamente após o término do sermão “o Juiz desceria e a separação final ocorreria.” Durante a pregação de um de seus discursos mais esmagadores, no púlpito de um ministro desacostumado a tal autoridade, é dito que este ministro perdeu a cabeça a ponto puxar o pregador pelo casaco e tentar parar a corrente de tão apavorante eloquência com a pergunta, “Sr. Edwards! Sr. Edwards! Deus não é um Ser misericordioso?”
Em fevereiro de 1729, em consequência da morte do Sr. Stoddard, todo encargo da congregação de Northampton foi transferido para o Sr. Edwards. Em 1734 e 1735 ocorreu um notável “avivamento” dos sentimentos religiosos em sua paróquia; outro ocorreu em 1740, em cujo período ele se tornou amigo íntimo de George Whitefield. Durante esses dois desenvolvimentos da atividade religiosa, ele pregou com uma força que intimidava seus ouvintes. Embora seus labores paroquiais fossem variados e intensos, ele estudou os fenômenos do avivamento com a perspicácia de um filósofo, e esses fenômenos o instigaram a escrever uma de suas mais vívidas dissertações. De fato, quase todas as obras que ele publicou durante seu ministério em Northampton indicam o grau no qual ele trabalhou para a promoção ou para a direção daqueles “avivamentos” religiosos pelos quais seu ministério foi distinguido. Algumas dessas obras são simplesmente sermões, outras são tratados maiores. Elas trazem os seguintes títulos: God glorified in man's dependence (Deus é glorificado na dependência do homem – 1731); A divine and supernatural light imparted to the soul by the Spirit of God (Uma luz divina e sobrenatural é concedida à alma pelo Espírito de Deus – 1734; um sermão famoso por sua filosofia espiritual); Curse ye Meroz (Maldição de Jabes – 1735); A faithful narrative of the surprising work of God in the conversion of many hundred souls in Northampton, etc. (Uma narrativa fiel da surpreendente obra de Deus na conversão de muitas centenas de almas em Northampton, etc. – Londres, 1736); Five discourses prefixed to the american edition of this narrative (Cinco discursos prefaciados à edição americana desta narrativa – 1738); Sinners in the hands of an angry God (Pecadores nas mãos de um Deus irado – 1741, um dos sermões mais impressionante); Sorrows of the bereaved spread before Jesus (Tristezas do desolado estendidas perante Jesus – 1741); Distinguishing marks of a work of the true Spirit (Marcas distintivas de uma obra do verdadeiro Espírito – 1741); Thoughts on the revival in New England, etc. (Pensamentos sobre o avivamento na Nova Inglaterra, etc – 1742); The watchman's duty and account (Os deveres e o valor do vigia – 1743); The true excellency of a gospel minister (A verdadeira excelência de um ministro do evangelho – 1744); A treatise concerning religious affections (Um tratado concernente às afeições religiosas – 1745, uma de suas obras mais espiritual e analítica); An humble attenpt to promote explicit agreement and visible union among God's people in extraordinary prayer (Uma humilde tentativa de promover concordância explícita e união visível entre o povo de Deus em oração extraordinária – 1746); True saints, when absent from the body, presente with the Lord (Verdadeiros santos, quando ausentes do corpo, presentes com o Senhor – 1747); Gods awful judgments in breaking the strong rods of the community (Os terríveis julgamentos de Deus na quebra das varas fortes da comunidade – 1748); Life and Diary of the Reverend David Brainerd (A vida e o diário do Rev. David Brainerd – 1749; um livro que exerceu influência definitiva sobre Henry Martin, e tem influenciado o espírito missionário das igrejas inglesas e americanas); Christ the example of gospel ministers (Cristo, o exemplo dos ministros do evangelho – 1749); Qualifications for full communion in the visible church (Qualificações para plena comunhão na igreja visível – 1749; um tratado de importância tanto histórica quanto teológica); Farewell sermon to the people of Northampton (Sermão de despedida do povo de Northampton – 1750; chamado de “o melhor sermão de despedida jamais escrito”).
As últimas duas publicações sugerem o evento mais
lamentável na vida do Presidente Edwards. Ele foi demitido de seu pastorado em
Northampton em 22 de junho de 1750. Já em 1744, ele havia ofendido a muitos, e
entre esses algumas das famílias mais influentes de sua congregação, por causa
de algumas medidas rigorosas que ele adotou em relação a alegadas imoralidades
prevalecentes em Northampton. Toda a paróquia ficou estremecida com sua
resoluta e inflexível reprovação, e ficou predisposta a resistir a qualquer
inovação subsequente que ele propusesse. Seu avô, o Sr. Stoddard, tinha
favorecido o princípio de que pessoas não convertidas, que não fossem imorais, tinham o direito de participar da Ceia do
Senhor. A influência dominante do Sr. Stoddard induziu não apenas a Igreja de
Northampton, mas muitas outras igrejas também, a adotar este princípio. O Sr.
Edwards, depois de prolongada deliberação, se opôs a isto. Toda a comunidade
foi provocada por sua coragem em contestar os ensinos de um homem como Solomon
Stoddard, “cuja palavra era lei”. Após uma longa e intensa controvérsia, ele
foi dispensado do ofício que adornara por mais de vinte e três anos. Ele nunca encontrou
motivo para mudar as opiniões que eram tão odiosas a seu povo; e dois anos após
sua demissão ele publicou uma obra intitulada: Misrepresentation corrected and truth vindicated in
a reply to Mr. Solomon Williams’s book on qualifications for communion; to
which is add a letter from Mr. Edwards to his late flock at Northampton (Distorção corrigida e
verdade vindicada em uma resposta ao livro do Sr. Solomon Williams sobre as
qualificações para a comunhão; à qual é adicionada uma carta do Sr. Edwards a seu
último rebanho em Northampton – 1752). Após sua morte, e depois de uma
desastrosa controvérsia por todo o país, seus princípios prevaleceram entre as
igrejas evangélicas.
Nos dias atuais, quando a demissão de pastores é
tão frequente, não podemos imaginar com facilidade a aflição e injúria que
Edwards sofreu em consequência das dificuldades com sua paróquia. Ele estava
com quarenta e sete anos e não tinha acumulado bens para sustentar sua grande e
dispendiosa família. Ele foi compelido a receber ajuda pecuniária de seus
amigos de partes remotas deste país e da Grã-Bretanha. Sua esposa era
descendente dos condes de Kingston, e uma dama de raras habilidades. A descrição
que ele fez dela, em sua mocidade, foi declarada pelo Dr. Chalmers como uma das
mais belas composições no idioma. Ele casou-se com ela em 27 de julho de 1727,
e, por ocasião de sua demissão, seu filho mais velho, mais tarde o juiz Timothy
Edwards, estava com cerca de doze anos de idade; seu segundo filho, mais tarde
o Dr. Jonathan Edwards, estava com cerca de cinco anos; e seu filho mais jovem,
mais tarde o juiz Pierpont Edwards, era um bebé de dois ou três meses; sua
terceira filha, mais tarde a mãe de Aaron Burr, estava com dezoito anos; e sua
quarta filha, mais tarde a mãe do presidente Timothy Dwight, estava com
dezesseis anos. Ele teve uma família de três filhos e sete filhas, outra filha,
Jerusha, morrera três anos antes de sua demissão. Ela foi noiva de David
Brainerd, que fora um estimado habitante na família de seu pai.
Em julho de 1751, cerca de um ano após sua
demissão, Edwards foi instalado como pastor de uma pequena Igreja
Congregacional em Stockbridge, Massachusetts, e missionário da tribo indígena
housatônica daquele lugar. Ele pregava de improviso aos índios por meio de um
intérprete. Neste território rude, ele foi tristemente afligido com febre e
calafrio e outras doenças ligadas aos novos assentamentos. Ele publicou um
sermão característico, em 1752, intitulado True grace distinguish from the experience of devils
(Verdadeira graça distinta da experiência dos demónios).
Em 1754, ele publicou a mais famosa de suas obras –
seu Essay on the Freedom of the
Will (Ensaio sobre a liberdade da vontade). Existem interpretações conflitantes sobre
esse ensaio. Uma escola de intérpretes afirma que ele cria em uma inabilidade literal da alma para agir de outra forma da qual ela age;
outra escola afirma que ele não cria em uma inabilidade que é natural e literal,
mas apenas em uma que é moral,
figurativa, “uma inabilidade assim chamada impropriamente”. Uma escola sustenta que ele
cria que a liberdade consiste em mero poder de fazer o que a alma desejou
previamente, de realizar externamente o que a alma já escolheu
antecedentemente; outra escola sustenta que ele cria que a liberdade consiste
no poder de escolher um dentre dois objetos – um poder tal que os homens não
são “impedidos por alguma necessidade fatal de fazer, e até mesmo desejando e
escolhendo como lhes agrada, com plena liberdade; sim, com o mais alto tipo de
liberdade que jamais foi concebido, ou que possivelmente jamais poderia ser concebido
no coração de algum homem” (Carta a um teólogo escocês). Uma escola considera Edwards
como concordando com os calvinistas que sustentam que o “homem, em seu estado
de inocência, tinha liberdade e poder de fazer o que é bom e agradável a Deus,
mas, entretanto, era mutável, de modo que podia cair desse estado”, e que o “homem,
mediante sua queda em um estado de pecado, perdeu totalmente toda habilidade de
vontade para qualquer bem espiritual que acompanha a salvação”. Outra escola
considera Edwards como negando esta proposição em seu sentido literal, e afirmando-a apenas em
seu sentido figurativo, e crendo que desde a Oueda
o homem possui toda liberdade ou permissão que sempre teve, ou pode ser suposto
ter. Uma classe de críticos supõe que ele crê que os motivos são as causas
eficientes ou necessárias das volições; outra classe supõe que ele crê que a
volição é o resultado
dos motivos como uma ocasião, em vez de efeito necessário do motivo como
uma causa. A última classe interpreta
toda sua teoria da vontade à luz das seguintes observações de Edwards ao
teólogo escocês: “Pelo contrário, tenho basicamente declarado que a conexão
entre coisas antecedentes e consequentes, que ocorre com relação aos atos das
vontades dos homens, que é chamada de necessidade moral, é chamada
impropriamente pelo nome de necessidade, e que termos como obrigação, não pode, impossível, incapaz,
irresistível, inevitável, invencível, etc, quando aplicados aqui,
não são aplicados em seu significado próprio, e são usados de forma ilógica e
com perfeita insignificância, ou em um sentido completamente diferente de seu
significado original e próprio, e de seu uso na linguagem comum, e que uma
necessidade como esta que se ocupa dos atos das vontades dos homens é mais
apropriadamente chamada de certeza do que de necessidade, não sendo outra senão
a conexão certa entre o sujeito e o predicado da proposição que afirma sua
existência.” E dito por muitos que Edwards não faz distinção entre a vontade e
as sensibilidades; alguns pensam que ele faz distinção; os atos da vontade
consistindo nos atos de escolha
moral, o processo das sensibilidades consistindo o que em outro lugar ele
chama de “sentimentos ou afeições
naturais ou animais”.
Durante seu quase banimento para Stockbridge, ele
escreveu outra de suas mais famosas obras, intitulada The Great Christian Doctrine of Original Sin Defended, etc (A grande doutrina do
pecado original defendida, etc). A obra foi concluída em 26 de maio de 1757,
mas não foi publicada até 1758, vários meses após sua morte. Talvez a peculiaridade
mais marcante desse tratado seja sua defesa da doutrina de que havia uma unidade ou identidade
constituída de Adão e sua posteridade; “eles são constituídos”, por assim
dizer, “uma pessoa complexa, ou um todo moral”; como uma árvore quando, um século mais
velha, é uma planta com o pequeno broto
da qual cresceu – como o corpo do homem quando, quarenta anos mais velho, é um com o corpo bebé do qual cresceu – como o corpo e a
alma são um um com o outro, assim há
uma “constituição” divina, segundo a qual Adão e sua posteridade são “vistos como
um, e tratados como tal”; que em sua descendência “a primeira
existindo de uma disposição corrupta não deve ser considerada como pecado pertencente
a ela, distinta de sua participação no
primeiro pecado de Adão”; que “a culpa que um homem tem sobre sua alma em sua
primeira existência é uma e simples, a saber, a culpa da apostasia original, a
culpa do pecado pelo qual as espécies se rebelaram contra Deus. Esta, e a culpa
que surge da primeira corrupção ou disposição depravada do coração, não devem
ser consideradas como duas coisas distintamente
imputadas e creditadas aos homens aos olhos de Deus”, mas são uma e a mesma
coisa, segundo uma constituição arbitrária, como a que causa a contínua
identidade de um rio que flui constantemente, ou do corpo de um animal que
flutua constantemente. “Quando chamo isto de constituição arbitrária, quero dizer que é uma
constituição que não depende de nada exceto da vontade divina, que a vontade divina não
depende de nada exceto da sabedoria
divina”. Durante seu isolamento em Stockbridge, Edwards
escreveu sua Dissertation
Concerning the End for which God Created the World (Dissertação acerca do fim
pelo qual Deus criou o mundo), e também sua Dissertation Concerning the Nature of True Virtue (Dissertação acerca da
natureza da verdadeira virtude). Ele gastou muito estudo no primeiro destes
tratados e, no segundo, toda sua vida. Uma classe de seus intérpretes acredita
que ele escreveu o primeiro deles com o propósito, e que o tratado alcançou o
resultado, de modificar o aspecto popular do calvinismo e, com isso, remover
algumas das objeções populares ao sistema como anteriormente sustentado. Eles
creem que Edwards tinha o propósito de tomar a soberania de Deus mais agradável
ao mostrar que ela objetiva os mais elevados interesses de suas criaturas; que
a glória de Deus e o bem-estar do universo são uma e a mesma coisa, e, portanto,
quando é dito que Deus governa o universo para sua própria glória, também é
dito que ele o governa para seu bem-estar. No segundo dos dois últimos tratados
citados, um tratado que, como o primeiro e como muitos de seus outros ensaios,
tinha o propósito de reconciliar a razão com a fé – um tratado cujos rudimentos
foram escritos em sua mocidade, e são encontrados espalhados por muitas de suas
obras publicadas – ele reduz toda bondade moral “ao amor do ser em geral”, e
ele considera este amor como um ato da vontade, distinto do “sentimento animal
ou natural”. Aqueles teólogos calvinistas que creem que todas as virtudes, tais
como fé, justiça e etc, estão ativas em sua natureza e são meras formas de
benevolência, e que todo pecado está igualmente ativo e é a preferência
escolhida de um bem inferior sobre um superior, apelam para a Dissertation on Virtue (Dissertação sobre a
virtude) de Edwards como tendo dado um notável impulso ao que tem sido chamado
por vários nomes, tais como nova teologia, teologia da Nova Inglaterra ou
teologia hopkinsiana. As duas últimas dissertações supramencionadas não foram
publicadas até 1788, trinta anos depois de sua morte. Em 1764, dezoito sermões
de Edwards foram publicados em um volume, ao qual o Dr. Samuel Hopkins prefaciou
com suas memórias. Em 1777, sua famosa
History of Redemption (História da Redenção); em 1788, um novo volume de
seus sermões, em 1789, outro volume de seus sermões, em 1793, sua Miscellaneous observations on importante theological
subjects (Miscelânea de observações sobre assuntos teológicos importantes), em 1796,
sua Remarks on important
theological controversies (Notas sobre controvérsias teológicas importantes)
foram publicadas em Edimburgo, Escócia. Suas obras publicadas foram reunidas e
impressas em oito volumes em Worcester, Massachusetts, sob o trabalho editorial
do Dr. Samuel Austin, em 1809, e têm sido reimpressas repetidamente na Inglaterra
e na América. Uma edição maior de seus escritos, em dez volumes, incluindo uma
autobiografia e muito material novo, especialmente sua Notes on the Bible (Notas sobre a Bíblia),
foi publicada em Nova York, em 1829, sob o cuidado editorial do Rev. Dr. Sereno
Edwards Dwight. Partes desta edição têm sido reimpressas na Inglaterra. Em
1852, sua obra intitulada Charity
and its fruits (Caridade e seus frutos) foi publicada pela
primeira vez, e, mais recentemente, um volume de seus escritos foi impresso na
Inglaterra, o qual nunca foi impresso na América.
Um dos aspectos mais interessantes nos quais o
presidente Edwards pode ser visto é o de sua influência sobre Whitefield,
Brainerd e dois de seus pupilos teológicos: Bellamy e Hopkins. Outro aspecto,
é o de sua influência sobre estudiosos e teólogos europeus. Vários de seus
tratados foram publicados na Grã-Bretanha antes de serem publicados na
América, e a avaliação feita sobre ele pelo Dr. Erskine, Dr. Chalmers, Robert
Hall, Dugald Stewart, Sir Henry Moncrief, Sir James Mackintosh, Dr. Priestley,
Dr. George Hill, Isaac Taylor e outros é mais elevada do que a expressa pelos
homens da mesma posição neste país. É um fato notável que, enquanto vivia em um
tipo de exílio como missionário entre os índios, em Stockbridge, ele foi
convidado para a presidência da faculdade em Princeton, Nova Jersey. Ele foi
eleito para o ofício em 26 de setembro de 1757. Em sua primeira resposta aos
administradores, ele expressou sua grande surpresa por sua nomeação e, entre
outras razões para declinar, disse com sua simplicidade característica: “Tenho
uma constituição peculiarmente desafortunada em muitos aspectos, ligada a
comidas sólidas moles, insípidas, grandes e escassas de fluídos, e um baixo
fluxo de entusiasmo, ocasionando frequentemente um tipo de fraqueza infantil e
desprezo de expressão, presença e conduta, com uma desagradável melancolia e
obstinação muito imprópria para a conversa, mas especialmente para a
administração de uma faculdade.” Ele foi demitido de seu pastorado em
Stockbridge em 4 de janeiro de 1758, depois de ter trabalhado nele por seis
anos e meio. Ele passou uma parte de janeiro e todo o mês de fevereiro em
Princeton, cumprindo alguns deveres na faculdade, mas não foi empossado senão
em 16 de fevereiro de 1758. Ele foi vacinado contra varíola em 23 do do mesmo
mês e, após os efeitos ordinários da inoculação terem cedido um pouco, uma
segunda febre sobreveio e ele morreu em 22 de março de 1758. Ele residiu em
Princeton por cerca de nove semanas, e fora empossado como presidente da
faculdade apenas há cinco semanas. Estava com 54 anos, 5 meses e 17 dias de
idade. Seu pai morreu aos 89 anos, apenas dois meses antes del; seu genro, o
presidente Burr, morreu com 42 anos, apenas seis meses antes dele; sua filha, a
presidente Sra. Burr, morreu com 27 anos, apenas dezesseis dias antes dele; sua
esposa morreu com 49 anos, apenas seis meses e dez dias depois dele. Os três
últimos supracitados esão enterrados no mesmo cemitério, em Princeton.
(E. A. P.)
Extraído da Enciclopédia
da Literatura Bíblica, Teológica e Eclesiástica McClintock e Strong
Disponível em AGES Digital
Library
Tradução: Paulo Corrêa Arantes
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