“Um Observador Atento”
“As
cartas e escritos pessoais mostram o Edwards privado e humano, o homem por trás
dos tratados e sermões. Edwards emerge desses escritos não como um erudito
austero e distante, mas como um observador atento, ardentemente interessado
tantos nos eventos locais quanto nos mundiais, e como um leitor perspicaz de
pessoas e situações. As cartas, em particular, revelam muitos aspectos do mundo
pessoal de Edwards. Elas variam quanto ao temperamento, do agressivamente
argumentativo passando pelo gentilmente encorajador até o intelectual e
espiritualmente pesquisador…
Escrevendo Cartas e Narrativa
Pessoal
Escrever
cartas era necessário para aqueles que viviam muito distantes em uma época
anterior às conveniências de transporte e comunicações modernos. No século 18,
além disso, a preocupação com a comunidade e uma nova interação social entre,
até agora, grupos exclusivos, criou uma confluência entre o ensaio formal e a
comunicação pessoal, que resultou no meio termo designado como “epistolar”. O
contemporâneo de Edwards, Benjamin Franklin, talvez o mais perspicaz explorador
das tendências culturais na história da civilização Americana, não se tornou um
mestre das diversas formas epistolares à toa. Das brilhantes cartas familiar de
Abigail Adams, ou a imensa correspondência intelectual e política de Thomas
Jefferson, até as várias formas de discursos informais de Franklin, o cenário
americano foi ativo com novos modos de expressão pessoal durante o século 18…
Na
cultura provincial da Nova Inglaterra, o modo epistolar pode ter recebido algum
reforço a partir da narrativa de conversão e outros relatos anteriores que
enfatizavam a experiência de um indivíduo por meio da narrativa pessoal.
Certamente algumas das composições mais impressionantes de Edwards foram
entregues no modo epistolar: sua carta a Paul Dudley, descrevendo o voo da
aranha (21/outubro/1723), sua carta a Benjamin Colman, detalhando os
avivamentos de Northampton (30/maio/1735) e sua “Narrativa Pessoal”, que
provavelmente foi parte de uma carta a Aaron Burr (14/dezembro/1740). Esses
documentos demonstram não apenas conveniência de cartas como um artifício
prático, mas também o senso de Edwards das convenções epistolares de seus dias.
Jonathan Edwards não era uma Abigail Adams nem um Benjamin Franklin como
escritor de cartas, mas ele exibe por toda parte um senso apurado das
convenções epistolares com respeito ao envolvimento subjetivo, um
reconhecimento cuidadosamente ajustado do leitor, e uma voz adaptada
precisamente ao assunto à mão…
Uma ampla audiência
O maior
meio de expressão de Edwards foi sua pena. Conforme ele disse aos Curadores do
College of New Jersey, em sua carta de 19 de outubro de 1757, ‘Até onde sou
capaz de julgar quais talentos eu tenho, para beneficiar minhas criaturas
amigas pela palavra, eu penso que posso escrever melhor do que falar.’ Sentado
em seu escritório com uma pena nas mãos, ele colaborou e competiu com muitas
das mentes mais brilhantes de seus dias, que incluíam líderes educacionais, políticos
e militares. Embora o registro existente represente apenas uma fração das
cartas que ele escreveu, esse registro confirma amplamente se poder de atrair e
persuadir. Além disso, as cartas registram seu relacionamento com as pessoas
comuns: família, vizinhos, congregações e colegas de ministério. Elas também
ilustram seu relacionamento com os discípulos, como Joseph Bellamy, que perpetuou
seu legado. Ao mesmo tempo, as cartas de Edwards revelam suas fraquezas e
defeitos, como sua justiça própria e orgulho, e, às vezes, sua adesão
autodestrutiva ao dever.” [1]
[1] Claghorn, George, “Introduction to ‘Letters and Personal Writings’”, in Works of
Jonathan Edwards, Vol. 16, org. George Claghorn (New Haven: Yale University Press,
1999), p. 3-5.
Veja também, Correspondência de, para e acerca de Edwards e sua Família (WJE
Online, Vol. 32)
Disponível no Jonathan Edwards
Center, Yale University. www.edwards.yale.edu
Tradução: Paulo Corrêa Arantes
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