Escrito
pela professora Rachel Wheeler, Universidade da Indiana-Universidade Purdue,
Indianápolis
Jonathan Edwards raramente é lembrado por seu trabalho como missionário.
Os sete últimos anos de sua vida, gastos no posto missionário de fronteira em
Stockbridge, Massachusetts, são lembrados, de forma ambivalente, como o período
de exílio produtivo, após sua demissão do púlpito em Northampton, em 1750. Foi
em seu gabinete em Stockbridge que ele escreveu suas obras primas de filosofia
e teologia (Freedom of the Will, “Liberdade
da Vontade”; Nature of True Virtue, “Natureza
da Verdadeira Virtude”; e Original Sin,
“Pecado Original”).
Contudo, a vida de Edwards esteve intimamente ligada aos esforços
missionários muito antes dele assumir a função de missionário no assentamento
de fronteira de Stockbridge, Massachusetts.
Membros de sua família tinham
exercido papeis centrais na fundação da missão de Stockbridge, a primeira
missão importante desde a devastação da Guerra do Rei Filipe, na década de
1620. Edwards partilhava da opinião de seu avô, Solomon Stoddard, de que as
guerras e outras experiências coloniais eram punições de Deus por causa da
negligência no compromisso da colônia (como explicada na carta da Baía de
Massachusetts de 1629) em levar o evangelho aos índios. Stoddard tinha
castigado os habitantes da Nova Inglaterra por sua negligência para com as almas
dos índios em seu sermão de 1723, intitulado Whether God. Is Not Angry with the Country for Doing So
Little toward the Conversion of the Indians? (Será que Deus não está irado com a nação por fazer
pouco a favor da conversão dos índios?). O filho de Stoddard, e tio de Edwards,
John Stoddard foi basicamente o responsável pela negociação entre os índios
Housatônicos-Moicanos e o governo de Massachusetts, pela compra das terras
housatônicas, em 1724, para o assentamento inglês, e, dez anos mais tarde, pela
fundação da missão que veio a ser conhecida como Stockbridge. O primo de
Edwards, o Rev. Stephen Williams, fora capturado quando criança, no ataque de
índios a Deerfield, em 1704. Quando adulto, Williams também foi um proponente
ministerial chave da missão housatônica.
Quando foi proposto o nome de
Edwards como o possível sucessor do recentemente falecido John Sergeant, em
1750, o parente de Edwards e residente em Stockbridge, Ephraim Williams Jr.,
objetou, crendo (não sem razão) que Edwards não era adaptado para a tarefa. Ele
cria que Edwards não era social, político e também muito velho para aprender a
língua dos índios. Williams lamentou era uma vergonha que “uma cabeça tão cheia
de teologia fosse tão vazia de política”. Entretanto, ele antecipou o aumento
do valor dos bens que a presença de Edwards traria. [1]
Apesar de Edwards, de fato, gastar
longas horas em seu gabinete a partir de sua mudança para Stockbridge, ele
ganhou a confiança e o respeito dos índios residentes em Stockbridge. Edwards
desenvolveu uma profunda simpatia para com os índios de Stockbridge, talvez, em
parte, porque os principais procurado de terras indígenas, em Stockbridge,
fossem membros do mesmo clã Williams que ajudou a expulsar Edwards de
Northampton! Em incontáveis cartas aos superintendentes da missão em Boston,
Edwards tentou proteger os índios de Stockbridge de transações injustas,
enquanto também defendia suas próprias ações na administração da missão.
Como pastor, Edwards pregou regularmente aos índios sob seus cuidados
(mais de 200 manuscritos de sermões pregados aos índios sobreviveram) com a
assistência de seu intérprete, John Wauwaumpequunaunt. Edwards não comprometeu
a doutrina calvinista nesses sermões, mas frequentemente encorajou seus
congregantes índios ao lembra-los que cristo morreu por alguns de todas as
nações, e que poder e riqueza terrenos (algo de que os índios de Stockbridge
claramente careciam) não eram sinais de eleição. A experiência de Edwards ao
catequizar a juventude de Stockbridge o levou a desenvolver ideias inovadoras
acerca da educação, que enfatizava o poder instrutivo da narrativa em vez da
rotina da memorização.
Além de seu trabalho em Stockbridge,
foi o trabalho de Edwards como editor que teve mais impacto sobre missões. Sua
publicação do diário de David Brainerd, em 1749, dois anos após a melancólica
morte do missionário de tuberculose, tornou-se popular na época de sua
impressão e veio a ser a obra mais reimpressa de Edwards, provendo inspiração a
muitos missionários no movimento de missão internacional recentemente excitado
do século 19. A Life of Brainerd de
Edwards ajudou a fortalecer a imagem de autonegação do missionário, que sujeita
seu corpo e espírito a grandes provações.
[1] Ephraim Williams Jr. to Jonathan Ashley,
May 2, 1751, in Wyllis Wright, org., Colonel Ephraim Williams: A
Documentary Life (Pittsfield: Berkshire County Historical
Society, 1970), p. 61.
A
professora Rachel Wheeler tem trabalhado de forma intensa na interação entre
índios e missionários na América primitiva. Após completar sua dissertação na
Universidade de Yale, ela tem ensinado no Lewis and Clark College, e na Indiana
University-Purdue University Indianápolis.
Disponível no Jonathan Edwards
Center, Yale University. www.edwards.yale.edu
Tradução: Paulo Corrêa Arantes
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