Frase da Semana

Assim, tudo é de Deus, está em Deus e existe para Deus; ele é o começo, o meio e o fim.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Jonathan Edwards - Missionário


Escrito pela professora Rachel Wheeler, Universidade da Indiana-Universidade Purdue, Indianápolis

Jonathan Edwards raramente é lembrado por seu trabalho como missionário. Os sete últimos anos de sua vida, gastos no posto missionário de fronteira em Stockbridge, Massachusetts, são lembrados, de forma ambivalente, como o período de exílio produtivo, após sua demissão do púlpito em Northampton, em 1750. Foi em seu gabinete em Stockbridge que ele escreveu suas obras primas de filosofia e teologia (Freedom of the Will, “Liberdade da Vontade”; Nature of True Virtue, “Natureza da Verdadeira Virtude”; e Original Sin, “Pecado Original”).
Contudo, a vida de Edwards esteve intimamente ligada aos esforços missionários muito antes dele assumir a função de missionário no assentamento de fronteira de Stockbridge, Massachusetts.
            Membros de sua família tinham exercido papeis centrais na fundação da missão de Stockbridge, a primeira missão importante desde a devastação da Guerra do Rei Filipe, na década de 1620. Edwards partilhava da opinião de seu avô, Solomon Stoddard, de que as guerras e outras experiências coloniais eram punições de Deus por causa da negligência no compromisso da colônia (como explicada na carta da Baía de Massachusetts de 1629) em levar o evangelho aos índios. Stoddard tinha castigado os habitantes da Nova Inglaterra por sua negligência para com as almas dos índios em seu sermão de 1723, intitulado Whether God. Is Not Angry with the Country for Doing So Little toward the Conversion of the Indians? (Será que Deus não está irado com a nação por fazer pouco a favor da conversão dos índios?). O filho de Stoddard, e tio de Edwards, John Stoddard foi basicamente o responsável pela negociação entre os índios Housatônicos-Moicanos e o governo de Massachusetts, pela compra das terras housatônicas, em 1724, para o assentamento inglês, e, dez anos mais tarde, pela fundação da missão que veio a ser conhecida como Stockbridge. O primo de Edwards, o Rev. Stephen Williams, fora capturado quando criança, no ataque de índios a Deerfield, em 1704. Quando adulto, Williams também foi um proponente ministerial chave da missão housatônica.
            Quando foi proposto o nome de Edwards como o possível sucessor do recentemente falecido John Sergeant, em 1750, o parente de Edwards e residente em Stockbridge, Ephraim Williams Jr., objetou, crendo (não sem razão) que Edwards não era adaptado para a tarefa. Ele cria que Edwards não era social, político e também muito velho para aprender a língua dos índios. Williams lamentou era uma vergonha que “uma cabeça tão cheia de teologia fosse tão vazia de política”. Entretanto, ele antecipou o aumento do valor dos bens que a presença de Edwards traria. [1]
            Apesar de Edwards, de fato, gastar longas horas em seu gabinete a partir de sua mudança para Stockbridge, ele ganhou a confiança e o respeito dos índios residentes em Stockbridge. Edwards desenvolveu uma profunda simpatia para com os índios de Stockbridge, talvez, em parte, porque os principais procurado de terras indígenas, em Stockbridge, fossem membros do mesmo clã Williams que ajudou a expulsar Edwards de Northampton! Em incontáveis cartas aos superintendentes da missão em Boston, Edwards tentou proteger os índios de Stockbridge de transações injustas, enquanto também defendia suas próprias ações na administração da missão.
Como pastor, Edwards pregou regularmente aos índios sob seus cuidados (mais de 200 manuscritos de sermões pregados aos índios sobreviveram) com a assistência de seu intérprete, John Wauwaumpequunaunt. Edwards não comprometeu a doutrina calvinista nesses sermões, mas frequentemente encorajou seus congregantes índios ao lembra-los que cristo morreu por alguns de todas as nações, e que poder e riqueza terrenos (algo de que os índios de Stockbridge claramente careciam) não eram sinais de eleição. A experiência de Edwards ao catequizar a juventude de Stockbridge o levou a desenvolver ideias inovadoras acerca da educação, que enfatizava o poder instrutivo da narrativa em vez da rotina da memorização.
            Além de seu trabalho em Stockbridge, foi o trabalho de Edwards como editor que teve mais impacto sobre missões. Sua publicação do diário de David Brainerd, em 1749, dois anos após a melancólica morte do missionário de tuberculose, tornou-se popular na época de sua impressão e veio a ser a obra mais reimpressa de Edwards, provendo inspiração a muitos missionários no movimento de missão internacional recentemente excitado do século 19. A Life of Brainerd de Edwards ajudou a fortalecer a imagem de autonegação do missionário, que sujeita seu corpo e espírito a grandes provações.

[1] Ephraim Williams Jr. to Jonathan Ashley, May 2, 1751, in Wyllis Wright, org., Colonel Ephraim Williams:  A Documentary Life  (Pittsfield:  Berkshire County Historical Society, 1970), p. 61.

A professora Rachel Wheeler tem trabalhado de forma intensa na interação entre índios e missionários na América primitiva. Após completar sua dissertação na Universidade de Yale, ela tem ensinado no Lewis and Clark College, e na Indiana University-Purdue University Indianápolis.


Disponível no Jonathan Edwards Center, Yale University. www.edwards.yale.edu

Tradução: Paulo Corrêa Arantes

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