George Whitefield nasceu na Inglaterra,
em 1714. Quando criança, Whitefield amava atuar e imitava os
pregadores que ouvia. Embora sua educação inicial tenha sido irregular por
causa dos problemas financeiros de sua família, em 1732 ele começou a
frequentar a Universidade de Oxford. Lá ele conheceu Carlos Wesley, um
estudante anglicano piedoso que encorajou Whitefield ao cristianismo piedoso.
Whitefield se juntou ao “Clube Santo”, liderado pelo irmão de Carlos, João
Wesley. O clube era um ajuntamento de estudantes que se dedicavam à oração, ao
jejum e a outros exercícios espirituais, foram chamados de “metodistas” por
causa dos métodos usados para promover a santidade pessoal. Esses jovens
aprofundaram sua espiritualidade e, com Whitefield e os Wesley à frente,
criaram o movimento metodista.
Whitefield foi ordenado depois de receber seu Bacharelado
em Artes. Ele começou a pregar imediatamente, mas ele não se estabeleceu como
ministro de uma paróquia. Em vez disso, ele se tornou um pregador e evangelista
itinerante. Assim como os Wesley haviam feito anteriormente, Whitefield fez sua
primeira viagem à América do Norte em 1738, viajando para a recém-estabelecida
colônia da Geórgia. Ali ele concebeu a ideia de estabelecer um orfanato, o qual
ele chamou de Betesda. Whitefield
levantou dinheiro para o orfanato pelo resto de sua vida
Depois que ele voltou para a Inglaterra, a pregação de
Whitefield tornou-se cada vez mais popular. Whitefield pregava em um estilo
dramático que as multidões amavam, envolvendo-se, por exemplo, em conversas
imaginadas no púlpito. Seus caluniadores diziam que ele era mais um ator do que
um pregador. Sua voz era poderosa, o que era uma necessidade a fim de se
alcançar as grandes multidões que se reuniam para ouvi-lo. Ele pregava em
igrejas estabelecidas sempre que podia, mas frequentemente ele recorria à
pregação ao ar-livre, quando não conseguia encontrar uma igreja que colaborava
ou quando a audiência era grande demais. Durante a maior parte de sua vida,
Whitefield pregou vários sermões todos os dias da semana. E Whitefield, como os
outros metodistas, procurava os grupos de pessoas que os outros ministros
ignoravam, como mineiros na Grã-Bretanha ou os escravos na Geórgia.
A pregação de Whitefield não era diferente apenas por
causa do seu estilo; sua mensagem também era diferente. Onde os outros
ministros anglicanos enfatizavam o ritual religioso ou a vida moral, Whitefield
pregava a conversão. Seus ouvintes deviam ser internamente mudados, por meio da
fé em Jesus Cristo, para uma salvação pessoal do pecado, para experimentar um
novo nascimento através do Espírito Santo. Esta conversão e regeneração podiam
ser experimentadas num instante, Whitefield pregava, se as pessoas apenas se
arrependerem e crerem.
A medida que ele se tornava cada vez mais popular,
Whitefield também se tornava cada vez mais divisivo. Muitos ministros
estabelecidos achavam que ele estava errado ao enfatizar a conversão e que seu
estilo era muito extravagante. Eles o acusaram de ser um “entusiasta”, isto é,
alguém que feria a dignidade da pregação e reivindicava de modo ilegítimo a
revelação de Deus. Whitefield, por sua vez, foi impiedoso e, às vezes, não
amoroso em seus ataques aos outros ministros, a quem ele acusava de ignorar o
evangelho e de servir a Satanás. Essas disputas começaram a criar uma divisão
entre evangélicos como Whitefield e o anglicanismo tradicional. Whitefield
também rompeu com seu colega metodista, John Wesley, por causa de um argumento
teológico, o que levou a um rompimento pessoal, e os metodistas se separaram em
dois campos.
Em 1739, Whitefield retornou às colônias para o que se
tornaria o mais importante tour de pregação de sua vida. Ao mesmo tempo em que
levantava dinheiro para o Orfanato da Geórgia, Whitefield pregou em todas as
colônias, da Nova Inglaterra até a Geórgia, em uma viagem que durou mais de um
ano. Ele realizou reuniões tanto ao ar-livre quanto em qualquer igreja que o
convidasse. A viagem foi bem divulgada, pois Whitefield providenciou a
cobertura do jornal, e escreveu muitos panfletos e sermões em suas viagens,
aproveitando assim o poder da imprensa em prol do avivamento. Consequentemente,
Whitefield pregou para multidões tremendamente grandes, incluindo alguns
encontros que totalizaram dezenas de milhares.
O que fez a turnê de pregação de Whitefield tão
importante foi que ela surgiu durante o auge de vários avivamentos locais. Na
Nova Inglaterra, sob o comando de Jonathan Edwards, na Pensilvânia e em New
Jersey, sob o comando de William e Gilbert Tennent, e na Virgínia, sob o
comando de Samuel Davies, esses avivamentos levaram a muitos convertidos.
Whitefield pregou ao lado de cada um desses ministros. Foi a experiência
compartilhada da pregação de Whitefield, tanto pelas dezenas de milhares de
pessoas que compareciam aos seus cultos quanto pelo público ainda maior que lia
sobre eles em jornais e panfletos, que transformaram uma série de avivamentos
locais espalhados no Grande Avivamento.
Em seu retorno para a Grã-Bretanha, em 1741, Whitefield
continuou seu ministério de pregação, embora sua popularidade estivesse
diminuindo. Muitas igrejas foram fechadas para ele por causa de seus ataques ao
clero anglicano, então ele pregou ao ar livre e estabeleceu uma capela para si
mesmo, em Londres.
Whitefield viajou novamente para as colônias, em 1744. Os
fogos do Grande Avivamento tinham diminuído de intensidade, mas Whitefield
conseguiu atiçá-los novamente, embora não com tanto sucesso quanto em sua turnê
anterior. Como na Inglaterra, ele encontrou um número crescente de igrejas
fechadas a ele por ministros que se opunham ao Avivamento. Whitefield também
continuou a levantar dinheiro para o Betesda. Lamentavelmente, ao tentar
sustentar o orfanato de modo permanente, Whitefield aceitou a doação de alguns
escravos e comprou alguns de si mesmo. Esses escravos começaram a trabalhar em
uma plantação na Geórgia, e a renda era destinada ao orfanato. Whitefield já
havia se oposto de forma branda à escravidão, mas pensando apenas em seu
orfanato, tornou-se um praticante e defensor da escravidão. Os evangélicos, que
eram seus contemporâneos, estavam começando a ter sérias dúvidas sobre a
escravidão e até mesmo a se opor a ela, e os evangélicos liderariam mais tarde o
movimento antiescravista.
Em 1748, Whitefield retornou para a Inglaterra. Ele se
tornou o capelão pessoal de Selina Hastings, a condessa de Huntingdon e uma
proeminente patrona dos ministros evangélicos. A medida que Whitefield
envelhecia, sua saúde piorava. Ainda assim, ele continuou pregando várias vezes
todos os dias, viajando por toda a Inglaterra, Irlanda, Escócia e várias outras
vezes para a América do Norte.
Whitefield retornou às colônias, em 1769, pela última
vez. Ele tentou, sem sucesso, planejar fundar uma faculdade em Betesda. Ele
também abraçou a causa política das colônias, que, naquela época, estavam
envolvidas em disputas com a Grã-Bretanha imperial. Durante outra turnê de
pregação, Whitefield morreu em Newburyport, Massachusetts, onde ele foi
enterrado na Igreja Presbiteriana da cidade.
Whitefield foi um homem com um dom notável e uma energia
implacável para pregar. Embora seu zelo em pregar o evangelho e converter à fé
em Cristo, às vezes, o tenha levado à divisão, essez zelo também o transformou no
pregador mais amplamente conhecido e ouvido em seus dias. Para muitas pessoas,
de ambos os lados do Atlântico, os sermões de Whitefield, tanto pessoalmente
quanto impressos, foram a única experiência religiosa compartilhada que os
conectaram a outras pessoas afetadas pelos avivamentos. Whitefield, mais do que
qualquer outro homem, transformou uma série de avivamentos no Grande Avivamento.
Original
disponível em: www.greatawakening.com
Tradução: Pr.
Paulo Arantes