Jonathan Edwards,
santo, estudioso, pregador, pastor, metafísico, teólogo, calvinista e líder do
avivamento, viveu de 1703 até 1758. Ele era alto, reservado, de fala baixa,
assertivo e humilde de coração. Em 1727, após cinco anos no ministério,
tornou-se copastor da maior e elegante igreja em Northampton, New Hampshire;
onde seu avô, Solomon Stoddard, o principal idoso da vida eclesiástica no Valle
do Connecticut, agora um patriarca de oitenta e três anos, ministrava desde
1669. Northampton era uma cidade de cerca de 2.000 habitantes, e sua igreja era
a melhor conhecida e a mais influente na Nova Inglaterra fora a de Boston.
Stoddard era quase idolatrado pela congregação, muito da qual cresceu sob seu
ministério. Dois anos mais tarde, em 1729, a morte de Stoddard pôs fim a seu
pastorado de sessenta anos, e a partir de então Edwards foi ministro sozinho.
Em 1734-35 e 1740-42, ele viu movimentos extraordinários do Espírito de Deus em
sua congregação e, no último caso, por toda a Nova Inglaterra. A partir de 1743,
contudo, Edwards esteve em problemas com sua igreja por várias razões, e, em
1750, ele foi demitido do pastorado porque insistiu em restaurar a exigência,
suspendida por Stoddard, de confissão de fé pessoal como condição sine qua non para ser membro comungante
da igreja. Edwards, então, mudou-se para um posto missionário no pequeno
vilarejo fronteiriço de Stockbridge, e foi ali que ele escreveu seus grandes
tratados sobre A Liberdade da Vontade
e Pecado Original. Em 1757, ele se
tornou Presidente do Princeton College. Viajou para Princeton para dar início a
seu mandato em fevereiro de 1758. Sua primeira ação foi ser inoculado contra a
varíola, mas a inoculação produziu febre e, no mês seguinte, ele morreu.
2
Edwards
foi um puritano nascido fora do tempo. Dificilmente seja muito dizer, como um escritor
recente, que o Puritanismo é o que Edwards foi. Todas as suas raízes estavam na
teologia e na perspectiva dos pais fundadores da Nova Inglaterra, homens como
Hooker e Shepard, Cotton e Davenport. Ele foi um verdadeiro puritano, primeiro,
em sua devoção à Bíblia. Durante toda
sua vida ele trabalhou, sem medo e de forma incansável, para entender e aplicar
a Bíblia, e suas obras escritas (com exceção, talvez, das sobre profecia)
revelam uma perspicácia exegética comparável à de Calvino, ou Owen, ou Hodge,
ou Warfield. Durante toda sua vida ele alimentou sua alma com a Bíblia; e
durante toda sua vida ele alimentou seu rebanho com a Bíblia.
Novamente,
ele foi um verdadeiro puritano em suas convicções
doutrinárias. Numa época em que, como na Inglaterra, um Latitudinarianismo
(liberdade de pensamento) racionalista – a “perspectiva livre e católica de
Charles Chauncy e seus amigos – estava corroendo a herança puritana, Edwards
mostrou-se como um calvinista sobrenaturalista inflexível e franco,
diagnosticando o conceito da moda como Arminianismo e se opondo a ele; como os
puritanos tinham se oposto ao Arminianismo de seus dias, com base em suas
implicações religiosas. Edwards argumentou que o Arminianismo em qualquer forma
– qualquer forma, isto é, do sinergismo que produz convicção da verdade
espiritual obra de Deus, mas a conversão em si do homem – enfraquece a
verdadeira piedade. Ele faz Deus menor do que Deus; é três quartos do caminho
para o Deísmo e meio caminho para o verdadeiro Ateísmo. Ele destrói a devida
reverência a Deus porque nega nossa completa dependência dele. Ele contribui
para o orgulho, ao representar o ato decisivo em nossa salvação como nossa
própria obra. Assim, ele introduz na religião um princípio de autoconfiança;
que é, de fato, tornar a religião irreligiosa e basear a forma de piedade em
uma negação da questão. Esses eram pontos puritanos e, ao promovê-los, Edwards
mostrou-se um verdadeiro herdeiro da tradição puritana quanto à teologia.
Em
terceiro lugar, Edwards foi um verdadeiro puritano em seu conceito sobre a natureza da piedade cristã. Em
essência, Edwards sustentou, piedade é uma questão de glorificar o criador
mediante humilde dependência e grata obediência. Em termos cristãos isto
significa reconhecer nossa completa dependência de Deus quanto à vida e saúde,
igualmente por graça e glória, e amá-lo, louvá-lo e servi-lo por tudo que ele
nos tem dado gratuitamente por meio de seu Filho. Edwards tocou essa nota em
1731, em seu primeiro sermão publicado, um discurso sobre 1 Coríntios 1.29-31,
intitulado, “Deus é glorificado na dependência do homem”. O tema do sermão é
que Deus é glorificado na obra de redenção nisto, que aparece nela uma
dependência tão absoluta e universal da redenção nele.” E o sermão termina
assim:
Estejamos
exortados a exaltar somente a Deus, e a atribuir a ele toda a glória da
redenção. Esforcemo-nos por obter uma sensibilidade de nossa grande dependência
de Deus, e cresçamos nisso. [...] para mortificar a disposição autodependente e
de justiça própria. O homem é naturalmente inclinado de modo excessivo a
exaltar a si mesmo e a depender de seu próprio poder de bondade. [...] Porém,
esta doutrina deve nos ensinar a exaltar somente
a Deus; tanto pela confiança e dependência, quanto pelo louvor. Que seja ele glorificado, glória no Senhor.
Algum homem tem esperança de que é convertido e santificado [...], que seus
pecados estão perdoados, que foi recebido no favor de Deus, exaltado à honra e
bem-aventurança de ser filho de Deus, e herdeiro da vida eterna? Dê ele a Deus
toda glória; que o torna diferente do pior dos homens neste mundo, ou do mais
miserável dos condenados ao inferno. [...] Algum homem é eminente em santidade
e abundante em boas obras, não tome a glória disso para si mesmo, mas atribua
àquele que o fez “feitura dele, criado em Cristo Jesus para as boas obras”.[1]
O
pensamento sobre a completa dependência do homem de um Deus livre e onipotente
Deus controlou toda a perspectiva religiosa de Edwards, e agiu como o princípio
orientador de toda sua teologia.
Para
Edwards, portanto, a verdadeira religião era muito mais do que ortodoxia ou
ética, ou as duas juntas. Edwards não advogou a favor de uma crença fácil, ou
de um moralismo, ou de um formalismo que algum tipo. A verdadeira piedade era,
para ele, um dom sobrenatural; dinâmico quanto ao caráter e intensamente
experimental em suas realizações externas. Era, na verdade, uma concreta
comunhão com Deus por meio de Cristo, produzida no ser pelo Espírito Santo e
expressa em afeições e atividades reativas.
A
raiz da piedade, Edwards sustentou, é uma convicção sincera (em suas palavras,
um “senso cordial”) da realidade e glória das coisas divinas e celestiais
faladas no evangelho. Esta convicção é mais do que uma compreensão intelectual
das ideias teológicas, ou um tomar a verdade cristã como certa sob a pressão
constrangedora da opinião da comunidade; ela é, antes, o resultado da
iluminação divina direta que acompanha a Palavra de Deus escrita ou falada;
como Edwards explicou em 1734, em seu segundo sermão publicado, sobre Mateus
16.17, intitulado, “Uma luz divina e sobrenatural, imediatamente transmitida à
alma pelo Espírito de Deus, apresentada como uma doutrina tanto escriturística
como racional”.
A
iluminação divina resulta em conversões.
Essa luz é tal
que influencia eficazmente a inclinação e muda a natureza da alma. Ela
assemelha nossa natureza à Natureza divina. [...] este conhecimento afastará do
mundo e elevará a inclinação para as coisas celestiais. Ele fará o coração
voltar-se para Deus como a fonte do bem e a escolhê-lo como a única porção.
Esta luz, e esta somente, trará a alma a uma união salvadora com Cristo. Ela
conforma o coração ao evangelho, mortifica seus inimigos e oposições contra o
plano de salvação nele revelado: ela faz o coração abraçar alegre notícias, e
aderir inteiramente a revelação de Cristo como nosso Salvador, e concordar com
ela: ela faz toda a alma concordar e estar em sintonia com ele [...]
apegando-se a ele com plena inclinação e afeição; e dispõe eficazmente a alma a
dar-se inteiramente a Cristo. [...] Quando ela alcança o fundo do coração e
muda a natureza, ela dispõe eficazmente a uma obediência universal. Ela mostra
Deus como digno de ser obedecido e servido. Ela suscita no coração um sincero
amor por Deus [...] e o convence da realidade daquelas gloriosas recompensas
que Deus tem prometido àqueles que lhe obedecem.[2]
A
partir dessa renovação interna pela luz vivificante saem boas obras e mudança
de atitudes básicas. O ceticismo dos racionalistas e as ilusões dos
“entusiastas” acerca dos estados de espírito e coração autenticamente cristãos
forçou Edwards a dedicar atenção especial a este assunto, e, em seu Treatise concerning Religious Affections
(publicado em 1746, pregado inicialmente como uma série de sermões em 1742-43),
ele deu ao mundo o fruto de seu estudo. Ele começa argumentando que, na medida
em que as afeições são as funções fundamentais da vontade, a origem da ação,
segue, inevitavelmente, que “a verdadeira religião consiste, em grande parte,
em santas afeições”. Edwards explica:
Visto que as
afeições pertencem não apenas necessariamente à natureza humana, mas são uma
parte muito grande dela, assim (na medida em que, mediante a regeneração, as
pessoas são renovadas no homem todo) afeições santas pertencem não apenas
necessariamente à verdadeira religião, mas são uma parte muito grande dessa
religião. E visto que a verdadeira religião é prática, e Deus constituiu a
natureza humana assim, que as afeições são muito as fontes das ações dos
homens, isto também mostra que a verdadeira religião deve consistir muito nas
afeições.[3]
Tendo
estabelecido isto, Edwards prossegue para caracterizar as “afeições
verdadeiramente graciosas e santas” com uma perspicácia pastoral e teológica que
tem assegurado a este livro um lugar indisputável entre os clássicos de
discipulado e devoção de todos os tempos.
Em
tudo isto, o que Edwards está fazendo é esclarecer e justificar o conceito
puritano da religião experimental contra o frio moralismo da escola de
Tillotson. É como o herdeiro espiritual de Shepard, Flavel e Stoddard, os quais
ele cita constantemente em suas notas de rodapé (o primeiro especialmente), que
Edwards está escrevendo. Como eles, ele está interessado em insistir que o
cristianismo verdadeiro e vital é uma religião do coração bem como da cabeça, e
mostrar tão exatamente quanto possível como o coração deveria estar engajado
nela. Este, como temos visto, é um interesse peculiarmente puritano, e Edwards
mostra sua identidade com a perspectiva puritana ao adotá-lo.
Em
quarto lugar, Edwards foi um verdadeiro puritano em sua abordagem a pregação. Como seus predecessores do século dezessete,
ele pregou com um tríplice objetivo: fazer os homens entenderem, sentirem e
responderem à verdade do evangelho. Como eles, preparou o assunto de seus
sermões segundo o tríplice “método” de proposição, prova e aplicação –
“doutrina, razão e uso”, como os puritanos o chamavam. Como eles, ele visou
sinceridade de estilo, escondendo sua erudição de baixo de uma clareza de
afirmação deliberadamente sem enfeites. Às vezes, é suposto que, porque ele lia
um manuscrito no púlpito em um tom firme, calmo e uniforme, e evitava olhar
para sua congregação enquanto falava, ele não participava do interesse puritano
de pregar com integridade, autoridade e poder sentido – o interesse que Baxter
divulgou quando falou de seu desejo de ser “um pregador absolutamente sincero e
insistente”, um que
Pregava certo
de que nunca pregaria novamente,
E como um
moribundo a moribundos.
Porém,
isto é um equívoco. Edwards sabia muito bem que “o principal benefício obtido
pela pregação é mediante a impressão produzida na mente na ocasião, e não por
meio de um efeito que surge mais tarde mediante uma lembrança do que foi
pregado”.[4]
E quando a seriedade e veemência evangelística de Whitefield e dos Tennents,
durante o avivamento de 1749, encontrou-se sob fogo dos Latitudinarianos, que o
viam como um lapso lamentável no “entusiasmo”, no sentido de fantasia fanática,
Edwards correu em sua defesa:
Penso ser um
caminho excessivamente amoroso pregar acerca das grandes coisas da religião não
ter em si a tendência de gerar falsas apreensões delas, mas, pelo contrário,
uma tendência muito maior de gerar verdadeiras apreensões delas do que um caminho
moderado, tedioso e indiferente de falar delas. [...] Se o assunto for em sua
própria natureza digno de muita afeição, então falar dele com grande afeição
está mais de acordo com a natureza deste assunto [...], portanto, tem a
tendência de gerar verdadeiras ideias dele. [...] Devo considerar a mim mesmo
no caminho de meu dever excitar as afeições de meus ouvintes tão alto quanto
possivelmente eu puder, desde que eles sejam afetados com nada mais que a
verdade. [...] Sei que é moda desprezar um modo de pregação muito ardente e
emocional; e somente têm sido avaliados como pregadores os que mostram a grande
extensão de erudição, força de argumento e exatidão de método e linguagem.
Porém, humildemente entendo que tem sido por busca de entendimento ou por considerar
propriamente a natureza humana, que estes pregadores têm sido considerados ter
a maior tendência de responder aos fins da pregação. [...] Um aumento no
conhecimento especulativo da divindade não é o que nosso povo tanto necessita
como outra coisa. Homens podem abundar neste tipo de luz e não ter calor. [...]
Nosso povo não tem tanta necessidade de ter suas cabeças abastecidas, como ter
seus corações tocados; e eles têm maior necessidade deste tipo de pregação, a
qual tem a maior tendência de fazer isto.[5]
De
fato, a própria pregação de Edwards foi poderosa num alto grau. Humanamente
falando, ele tinha o dom único de tornar as ideias vivas por meio da precisão
clara com que as expunha. Ele desenrola uma seção de raciocínio com uma
precisão lenta e regular que é quase hipnótica em seu poder para fixar a
atenção nos sucessivos apriscos da verdade que se transforma em conceitos.
Tivesse Edwards tido não mais que um dom pagão de ensinos econômicos, ele teria
sido, sem dúvida, um executor/cantor de qualidade “Ancient Mariner” na sala de
leitura. A este poder expositivo convincente foi adicionado, no púlpito, uma
solenidade terrível, indicativa do temor de Deus que estava constantemente
sobre seu espírito; e o resultado foi uma pregação que sua congregação não
podia resistir nem esquecer. Edwards podia fazer duas horas parecerem vinte
minutos enquanto subjugava as consciências de seus ouvintes com as antigas
verdades claras sobre o pecado e a salvação; e a calma majestade de sua análise
inexorável não era menos usada por Deus para fazer os homens sentirem a força
da verdade do que era a veemência cheia de entusiasmo de George Whitefield. Um
de seus ouvintes, perguntado se Edwards era um pregador eloquente, respondeu:
Se você por
eloquência quer dizer o que geralmente é pretendido em nossas cidades; ele não
tem a pretensão de sê-lo. Ele não planejava a variação da voz, e nem ênfase
forte. Ele raramente gesticulava ou mesmo se movia; e não fazia nenhuma
tentativa pela eloquência de seu estilo, ou pela beleza de suas figuras, para
satisfazer o gosto e fascinar a imaginação. Porém, se você por eloquência quer
dizer o poder de apresentar uma verdade importante diante de uma audiência, com
o peso devastador do argumento, e com esta intensidade de sentimento que toda a
alma do orador é lançada em cada parte da concepção e pregação, de modo que é
fixada a solene atenção de toda a audiência, do começo ao fim, e as impressões
que são deixadas não podem ser apagadas, o Sr. Edwards foi o mais eloquente
homem que jamais ouvi falar.[6]
“Suas
palavras”, escreveu seu primeiro biógrafo, Hopkins, “frequentemente revelavam
muito de seu fervor interior, sem muito barulho ou emoção externa e caia com
grande peso sobre as mentes de seus ouvintes; e ele falava de forma a revelar
as fortes emoções de seu próprio coração, que tendia, de uma maneira muito
natural e impressionante, a mexer e afetar outros.”[7]
Uma comunicação de sentimentos como esta, da verdade sentida, era, de fato,
precisamente o que os puritanos tinham em mente quando falavam de pregação
“poderosa”.
Como
um amante da Bíblia, um calvinista, um mestre da religião do coração, um
pregador do evangelho de unção e poder, e, acima de tudo, um homem que amava a
Cristo, odiava o pecado e temia a Deus, Edwards era um puritano puro; de fato,
um dos mais puros e maiores de todos os puritanos. Historiadores da cultura
americana recentemente redescobriram Edwards como o maior contribuinte para a
herança filosófica e literária americana. Deseja-se que os cristãos evangélicos
atuais possam redescobrir por si mesmos a importante contribuição que este
puritano moderno fez para a elucidação da fé bíblica.
3
Evangelicais
do último século, como um todo, admiraram Edwards, mas apesar de tudo eles lhe
prestaram um triplo desserviço. Primeiro, o acusaram de ser ilegível. Porém,
alguém deve fazer a experiência para descobrir que isto não é verdade em tudo. O
nivelamento desta acusação era, de fato, um caso de grão e feixe. É verdade que
Edwards não se encaixa no acolchoamento retórico que o século dezenove
considerava como essencial ao bom estilo, mas isto é para seu crédito e não
contra ele. Ele é, hoje, muito mais palatável como escritor do que muitos de
seus críticos mais antigos. O máximo que alguém pode dizer contra ele é que,
ocasionalmente, seu desejo por uma fria precisão de linguagem o leva a escrever
sentenças que são muito longas e complexas para fácil assimilação na primeira
leitura. Porém, essa é sua única falha estilística, e isto não é comum; na
maior parte do tempo ele é admiravelmente claro, exato e penetrante.
Então,
em segundo lugar, o século passado tratou Edwards como um teólogo
essencialmente filosófico, principalmente com base na intensidade de The Freedom of the Will (A Liberdade da
Vontade). Agora, é verdade que Edwards tem um talento para o raciocínio
abstrato, e que cedeu completamente a este nesse tratado particular. Porém,
precisamos nos lembrar que tipo de tratado é A Liberdade da Vontade. Ele não é uma obra de teologia bíblica, mas
um polêmico ensaio elaborado, dirigido contra o que é, como Edwards realmente
via, uma posição essencialmente especulativa e filosófica – a do arminianismo
racionalista, que edifica tudo sobre o axioma de que o controle divino da ação
humana é incompatível com a responsabilidade moral do homem, e não pode,
portanto, ser um fato. Edwards escolheu, obviamente, o caminho mais esmagador
para lidar com essa posição – para voltar suas próprias armas contra si mesma;
para dar-lhe pontos e uma surra, por assim dizer, em seu próprio terreno. Porém
Liberdade da Vontade foi uma
apresentação ocasional, e não é característico do restante da obra de Edwards.
Fica claro, a partir de suas notas e memorandos privados, que a especulação
metafísica o fascinava e era, de fato, seu passatempo, mas ele nunca deixou a
filosofia ensiná-lo em sua fé, ou levá-lo para longe da Bíblia. Ele filosofou a partir da fé, não para ela; ele não considerava a especulação como necessária para a
salvação, e nenhum indício de seus interesses filosóficos penetra em seus
sermões. Ele adquiriu suas convicções e interesses da Bíblia, e é como um
teólogo bíblico que sua verdadeira estatura deve ser medida.
Finalmente
– e este é o pior desserviço de todos – os admiradores de Edwards do século
passado negligenciaram totalmente a principal contribuição original de Edwards
para a teologia, a saber, sua elucidação pioneira do ensino bíblico sobre o
tema do avivamento. Esse equívoco talvez seja perdoável, visto que o pensamento
de Edwards sobre esse assunto estava publicado de modo fragmentado em cinco
obras recentes que ele compôs em seus trinta anos: A Narrative of a Surprising Work of God in the Conversion of many
hundred souls em Northampton and the neighbouring Towns and Villages (Uma
narrativa da surpreendente obra de Deus na conversão de centenas de almas em
Northampton e em cidades e vilas vizinhas, 1735); A History of the Work of Redemption (Uma história da obra de
redenção, sermões pregados em 1739, publicados em 1744); The Distinguishing Marks of a Work of the Spirit of God (As marcas
distintivas de uma obra do Espírito de Deus, 1741). Thoughts on the Revival of Religion in New England in 1740
(Pensamentos sobre o avivamento da religião na Nova Inglaterra em 1741, 1742);
e o Treatise on the Religious Affections
(Tratado sobre as afeições religiosas, 1746). Todas essas, salvo a segunda,
estão preocupadas, de um modo ou de outro, em justificar os dois avivamentos
que o próprio Edwards tinha visto contra a corrente acusação de que eram meras
explosões de fanatismo. Esse objetivo imediato pode parecer limitar seu
interesse para as futuras gerações de leitores. Incrustado nelas, contudo, está
um relato bastante completo do avivamento como obra de Deus – em outras
palavras, uma teologia do avivamento – que é mais completa que qualquer coisa
produzida na época de Edwards, e é de valor permanente. Esta é, talvez, a
contribuição individual mais importante de Edwards tem a fazer para o
pensamento evangelical de nossos dias.
É
um fato notável que o interesse no tema do avivamento esteja aumentando nos
dias atuais: testemunha o crescimento de sociedades de avivamento de vários
tipos dentro das denominações protestantes. Está se espalhando mais e mais a
convicção de que somente uma visitação do alto pode alcançar as necessidades
das igrejas hoje. Porém, muitos de nós nos encontramos em dúvida quanto ao que
o avivamento realmente é, e o que deve ser esperado acontecer se o avivamento
vier. E existem dois tipos particulares de enganos neste ponto, aos quais
estamos todos inclinados.
O
primeiro é a falácia antiquariana.
Caímos vítimas desse engano quando formamos uma concepção do avivamento a
partir da história de um avivamento particular no passado, e então construímos
nossa concepção, assim formada como uma norma e parâmetro para qualquer
movimento de avivamento no futuro. Fazer isso é expor-nos a um duplo perigo.
Por
um lado, nos predispomos a ser muito ligeiros em identificar com o avivamento
explosões de excitamento religioso que exibem certos aspectos externos que
marcaram algum avivamento do passado – prostrações, visões, canto espontâneo ou
qualquer um dos aspectos que nos tem impressionado. Devemos lembrar que o diabo
pode produzir formas exteriores de excitamento religioso, assim como o Espírito
de Deus, e que, de fato, Satanás tem provocado confusão com frequência na
igreja por meio de movimentos de fanatismo auto enganados, que proclamaram a si
mesmos, sem dúvida de boa-fé, como movimentos do Espírito Santo em avivamento.
Necessitamos de um critério para discernir as duas partes; de outro modo,
Satanás estará livre para enganar-nos à medida que ele se deleita em satisfazer
nossa fome de avivamento com sua própria marca particular de ilusões
“entusiastas”. E precedente – “observação anterior”, como Edwards o chama – não
é um critério suficiente por si mesmo para esse propósito. Nas palavras de
Edwards, “o que a igreja tem usado não é uma regra pela qual nós devemos
julgar”, nestes casos, de um modo ou de outro.[8]
Necessitamos de um critério melhor do que este para discernir o espúrio do
verdadeiro.
Então,
por outro lado, mediante o conceber o avivamento totalmente em termos de algum
avivamento particular passado, tornamos mais difícil para nós mesmos reconhecer
algum avivamento futuro que Deus envie. Pois não é o hábito de Deus repetir-se.
Não há base para supor que a aparência do próximo avivamento será exatamente
como a aparência do último, algo mais do que seria esperar duas pessoas
passarem exatamente pela mesma sequência de experiências em suas conversões.
Aqueles que somente admitirão que Deus está agindo quando o verem repetindo
exatamente algo que ele fez antes, Edwards afirma, “limitam Deus onde ele não
limita a si mesmo. E este é especialmente irracional neste caso [i.e., o do
avivamento]”. Ele continua:
Todo aquele que
tem pesado bem os métodos maravilhosos e misteriosos da sabedoria divina ao
conduzir a obra da nova criação – ou no progresso da obra de redenção, desde a
primeira promessa à semente da mulher até este tempo – pode facilmente observar
que tem sido sempre o modo de Deus abrir novos cenários, e apresentar aos olhos
coisas novas e maravilhosas [...], para assombro do céu e terra [...].[9]
O
segundo engano que nos ameaça é a falácia
romântica. Caímos neste engano quando permitimos a nós mesmos imaginar que
o avivamento, uma vez que ele veio, funcionaria como o último capítulo em uma
história de detetive – resolvendo todos os nossos problemas, esclarecendo todas
as dificuldades que têm surgido na igreja e deixando-nos em um estado de paz e
contentamento idílicos, sem mais inquietação para nos deixar perplexos.
Um
estudo de Jonathan Edwards sobre o avivamento nos previne contra esses dois
enganos. Em primeiro lugar, Edwards nos defende da falácia antiquariana ao nos
ensinar os princípios bíblicos para determinar se uma erupção de excitamento
religioso é um derramamento do Espírito de Deus ou não. “Temos uma regra ao
alcance da mão”, ele afirma, “um livro sagrado que o próprio Deus colocou em
nossas mãos, com marcas claras e infalíveis, suficiente para esclarecer-nos em
coisas desta natureza.”[10]
E ele trabalha para mostrar-nos detalhadamente quais são essas marcas.
Depois,
em segundo lugar, Edwards nos defende da falácia romântica ao dirigir
constantemente nossa atenção para os problemas que o avivamento traz como
consequência. O avivamento significa renovação da vida, e vida significa
energia. É verdade que o avivamento liberta a igreja dos problemas criados pela
apatia e indiferença, mas é igualmente verdade que o avivamento lança a igreja
em um rebuliço de novos problemas criados pela enchente torrencial de
vitalidade espiritual desordenada e indisciplinada. Em um avivamento, os santos
são, repentinamente, despertados de um estado de indiferença e letargia
mediante uma nova e devastadora consciência da realidade das coisas espirituais
e de Deus. Eles são como dorminhocos sacudidos, despertados e, agora, meio
cegos pelo brilho extraordinário do sol. Dificilmente eles sabem, por ora, onde
estão; em um sentido, eles agora veem as coisas como nunca viram antes,
todavia, em outro sentido, por causa do próprio brilho da luz, dificilmente
eles veem alguma coisa. Eles caem em orgulho, ilusão, desequilíbrio, modo
censurador de falar, formas extravagantes de ação. Pessoas não convertidas são
envolvidas no que está acontecendo; elas sentem o poder da verdade, embora seus
corações permaneçam não regenerados; elas tornam-se “entusiastas”, iludidas e
autoconfiantes, duras e amargas, ardentes e presunçosas, excêntricas e
fanáticas, briguentas e desordeiras. Então, talvez, elas caiam em pecado
espetacular e apostasia total; ou então permaneçam na igreja para escandalizar
o restante dos homens pela manutenção, em bases dogmáticas perfeccionistas, que
enquanto o que elas fazem seja pecado em outros não é pecado nelas. Satanás
(que, como Edwards observa em algum lugar, foi “treinado na melhor escola de
teologia do universo”) vai passo a passo com Deus, ativamente pervertendo e
fazendo caricatura de tudo o que o Criador faz.
Um
avivamento, consequentemente, é sempre uma obra de Deus desfigurada e, quanto mais poderoso o avivamento for, mais
desfiguramentos escandalosos devemos esperar ver. Por isso, não podemos nos
surpreender se o avivamento vier a ser negado amargamente por membros
respeitáveis da igreja de discernimento espiritual limitado, por causa dos
excessos ligados a ele; nem pode causar-nos surpresa descobrir – como
regularmente acontece – que muitos ministros mantém-se contra o avivamento, e
até mesmo preguem contra ele e tentem suprimi-lo, com base em que de modo algum
ele é um fenômeno espiritual. Edwards teve de enfrentar tudo isto em sua
própria experiência, e ele nos prepara para enfrentar também. “Nunca deve ser
esperada uma obra de Deus sem pedras de tropeço”, ele escreveu de modo apavorante
em 1741; “[...] provavelmente veremos mais exemplos de apostasia e iniquidade
grosseira entre os que professam [...].”[11]
Não; avivamento, embora em si mesmo uma obra purgadora e purificadora de Deus,
nunca está livre de desfiguramentos que acompanham. Não precisamos ler mais que
o Novo Testamento para apreciar isto. Todavia, isto não deve cegar-nos para o
fato de que o avivamento é uma obra real e gloriosa de Deus, e uma grande bênção
a ser desejada quando a vitalidade da igreja é baixa. Prosseguiremos, agora,
para examinar o relato teológico do avivamento feito por Edwards.
4
Explanaremos
seu ensino sob três tópicos principais.
Princípios
concernentes a natureza do avivamento
Aqui,
há três proposições a serem consideradas, das quais a primeira é a mais
importante e fundamental, e nos ocupará por mais tempo.
Primeira,
avivamento é uma obra extraordinária do
Espírito Santo de Deus revigorando e propagando a piedade cristã em uma comunidade.
A avivamento é uma obra extraordinária
porque ela marca a inversão abrupta de uma tendência e estado das coisas
estabelecidos entre aqueles que professam ser povo de Deus. Encarar Deus revivificando sua igreja é pressupor que
a igreja tem crescido moribunda e adormecida antes. Falar de Deus derramando seu Espírito em um avivamento,
como Edwards fala, seguindo as Escrituras, é concluir que Deus faz algo
repentino e decisivo para mudar um estado das coisas, no qual a influência
despertadora do Espírito e um vigoroso senso das realidades espirituais eram
resultado de sua ausência.
Avivamento
é uma obra de revigoramento e propagação
da piedade cristã. Embora seja por meio do conhecimento da verdade da
Bíblia que o Espírito efetue sua obra revivificadora, o avivamento não é
meramente, nem mesmo principalmente, uma restauração da ortodoxia. É
essencialmente uma restauração da religião.
Temos visto o que Edwards entendia ser a religião cristã: um conhecimento
experimental com uma resposta prática e sincera às realidades divinas
apresentadas no evangelho. É isto que definha durante o período de sono e
esterilidade antes da chegada do avivamento, e é isto que o derramamento do
Espírito renova. Por isso, “as marcas de uma obra do Espírito de Deus”, i.e.,
de um avivamento, têm a ver com uma intensificação da piedade experimental.
Podemos citar, a partir da detalhada exposição de Edwards dessas marcas, no
excelente pequeno tratado sobre 1 João 4.1, o qual traz exatamente a frase
citada como seu título. Tudo que é dito
é relevante a nosso assunto, e a passagem como um todo é um exemplo magnífico
do estilo expositor de Edwards.
Me limitarei
inteiramente àquelas marcas que nos são dadas pelo apóstolo no capítulo em que
está meu texto, onde esse assunto é particularmente tratado, e mais clara e
plenamente do que qualquer outro lugar na Bíblia. E, ao falar dessas marcas, as
tomarei na ordem em que as encontro no capítulo.
1. Quando a operação é tal que eleva
sua apreciação sobre aquele Jesus que nasceu da virgem e foi crucificado fora
das portas de Jerusalém; e parece confirmar e estabelecer mais suas mentes na
verdade do que o evangelho nos declara sobre ser ele o Filho de Deus e o
Salvador dos homens; este é um sinal seguro de que ela é do Espírito de Deus. O
apóstolo nos dá esse sinal nos versículos 2 e 3 [...] [que fala de] uma
confissão não apenas de que existiu uma pessoa como esta que apareceu na
Palestina, e fez e sofreu aquelas coisas que estão registradas sobre ela, mas
que ele era o Cristo, i.e., o Filho de Deus, ungido para ser o Senhor e
Salvador, como o nome Jesus Cristo significa....
O diabo possui a inimizade mais
amarga e implacável contra essa pessoa, especialmente em seu caráter de
Salvador dos homens; ele odeia mortalmente a história e a doutrina de sua
redenção; ele nunca cuidaria de gerar nos homens pensamentos mais corretos
sobre ela....
2. Quando o Espírito que está agindo
opera contra os interesses do reino de Satanás, que jaz em encorajar e
estabelecer o pecado e apreciar as concupiscências mundanas dos homens, este é
um sinal seguro de que é um verdadeiro, não um falso, espírito. Este sinal nos
é dado nos versículos 4 e 5 [...] por mundo [...] o apóstolo evidentemente quer
dizer tudo que se refere ao interesse do pecado, e abrange todas as corrupções
e concupiscências dos homens, e todos aqueles atos e objetos pelos quais eles
são agradados.
De modo que podemos determinar
seguramente, a partir do que o apóstolo diz, que o espírito que está agindo
entre o povo, conforme esse modo, a fim de diminuir a estima dos homens pelo
prazer, lucros e honras do mundo, e a remover seus corações de uma busca
ansiosa dessas coisas, e a engajá-los em uma profunda preocupação para com o
estado futuro e felicidade eterna [...] e o espírito que os convence do horror
do pecado, da culpa que ele traz e da miséria à qual ele expõe; deve
necessariamente ser o Espírito de Deus.
E não deve ser suposto que Satanás
convença os homens do pecado e desperte a consciência [...]
3)
O espírito que opera de tal maneira que causa nos homens maior respeito pelas
Santas Escrituras e os fixa mais em sua verdade e divindade, certamente é o
Espírito de Deus. Esta regra o apóstolo nos dá no versículo 6 [...] Somos de Deus, isto é, “Nós, os
apóstolos, somos enviados de Deus, e ungidos por ele para ensinar ao mundo e
para proferir aquelas doutrinas e instruções que devem ser sua regra; aquele que conhece a Deus nos ouve,”
etc. O argumento do apóstolo, aqui, alcança igualmente todos que, no mesmo
sentido, são de Deus, isto é, todos
aqueles que Deus tem ungido e inspirado para entregar a sua igreja sua regra de
fé e de prática; todos os profetas e apóstolos [...] em uma palavra, todos os
escritores das Santas Escrituras. O diabo nunca tentaria gerar nas pessoas um
respeito por esta palavra divina [...] Um espírito de ilusão não inclinará as
pessoas a procurar direção na boca de Deus [...] O espírito do erro, a fim de
enganar os homens, geraria neles uma opinião elevada sobre a regra infalível,
os inclinaria a pensar muito sobre ela e a estar muito familiarizados com ela?
O príncipe das trevas, a fim de promover seu reino de trevas, levaria os homens
ao sol?
4)
Outra regra para julgar os espíritos pode ser extraída dos títulos dados a
espíritos opostos nas palavras finais do sexto versículo: “espírito da verdade
e o espírito do erro”. Estas palavras exibem duas qualidades opostas, a do
Espírito de Deus e a dos outros espíritos que falsificam suas operações. E,
portanto, se ao observar o modo de operação de um espírito que está em ação no
meio de um povo, vemos que ele age como espírito da verdade, conduzindo as
pessoas à verdade, convencendo-as daquelas coisas que são verdade [...], por
exemplo, se observamos que o espírito em ação torna os homens mais sensíveis do
que eles costumam ser de que há um Deus, e que ele é um Deus grande e que odeia
o pecado; que a vida é curta e muito incerta; e que há outro mundo; que eles
têm almas imortais e devem prestar contas de si mesmos a Deus; que eles são
excessivamente pecadores por natureza; que eles não podem ajudar a si mesmos; e
os confirma em outras coisas que concordam com alguma doutrina sadia; o
espírito que age assim opera como um espírito da verdade; ele apresenta as
coisas como elas realmente são; podemos seguramente determinar que é um
espírito correto e verdadeiro. E, portanto, podemos concluir que não é o
espírito de trevas que assim revela e manifesta a verdade [...]
5) Se o
espírito que está em ação no meio do povo age como um espírito de amor a Deus e
ao homem, este é um sinal seguro de que é o Espírito de Deus. O apóstolo
insiste neste sinal do versículo 6 até o final do capítulo (1 João 4.6-21).
[...] e fala expressamente do amar a Deus e aos homens; de amar aos homens nos versículos 7, 11 e 12; e de amar a Deus nos versículos 17, 18 e 19;
e de ambos nos dois últimos versículos. [...] O espírito que [...] opera neles
um senso admirável e deleitoso da excelência de Jesus Cristo [...] cativando e
atraindo o coração com aqueles motivos e incitamentos para amar, dos quais o
apóstolo fala [...], a saber, o maravilhosamente livre amor de Deus ao dar seu
Filho unigênito para morrer por nós, e o amor sacrificial de Cristo para
conosco, que não tínhamos amor por ele, mas éramos seus inimigos;
necessariamente deve ser o Espírito de Deus. [...] O espírito que [...] torna
os atributos de Deus, como revelados no evangelho e manifestados em Cristo,
deleitosos objetos de contemplação; e faz a alma ter saudades de Deus e de
Cristo – por causa de sua presença e comunhão, familiaridade com eles e
conformidade a eles – e viver de forma a agradar e honrar a eles; o espírito
que reprime disputas entre os homens, oferece um espírito de paz e boa vontade,
excita a atos de bondade exteriores e deseja sinceramente a salvação das almas
[...] há o mais alto tipo de evidência da influência do espírito verdadeiro e
divino.[12]
O julgamento de
Edwards é que onde quer que esses frutos estejam aparecendo, ali o Espírito de
Deus está em ação; e, portanto, que estes são os sinais que indicam
infalivelmente se uma erupção de excitamento religioso, desordenadamente e de
algum modo doloroso quanto possa ser, é uma obra de avivamento ou não. O
critério do avivamento não é o excitamento e o barulho dos encontros, mas o fruto
do Espírito – fé em e amor pelo Pai, pelo Filho e pela Escritura e seu ensino,
e boas obras em benefício de outros homens. Onde esses frutos começam a
aparecer repentinamente em uma igreja ou comunidade, depois de um período de
esterilidade, ali começou, em algum grau, o avivamento, não importa se
desfiguramentos possam aparecer ao mesmo tempo.
A
essência da religião, como Edwards a concebia (e ele era um verdadeiro puritano
para enfatizar isso), é comunhão consciente com Deus e, sob a intensa influência
do Espírito derramado em um período de avivamento, o senso do indivíduo da
presença de Deus, o aprofundamento no conhecimento dele e a alegria na
segurança de seu amor podem ser elevados a alturas muito extraordinárias.
Edwards viu uma grande quantidade disto entre seu povo, mas nenhum caso lhe
parecer mais excelente do que o de sua própria esposa, cujas experiências ele
descreveu detalhadamente (sem dizer quem era) em Pensamentos sobre o Avivamento, I:v (uma seção intitulada
simplesmente: “A natureza da obra em um exemplo particular”). A descrição
deveria ser lida totalmente; temos espaço para citar apenas umas poucas frases.
A experiência de Sarah Edwards, escreve seu esposo, incluiu os seguintes
elementos:
Uma habitação
muito frequente por algum tempo considerável em visões da glória das perfeições
divinas e das excelências de Cristo; de modo que a alma tem sido como se fosse
perfeitamente subjugada e absorvida com luz e amor, uma doce consolação, e um
descanso e alegria completamente inexplicáveis. [...] Este grande regozijo tem
sido com temor, i.e., acompanhado com um senso profundo e vivo da grandeza e
majestade de Deus, e da própria excessiva pequenez e vileza. [...] As coisas já
mencionadas têm sido acompanhadas com [...] um senso extraordinário da terrível
majestade, grandeza e santidade de Deus. [...] As forças do corpo eram de modo
muito frequente tiradas com uma lamentação profunda pelo pecado, como cometido
contra um Deus tão santo e bom. [...] Tem havido ali um senso muito grande da
verdade exata das grandes coisas reveladas no evangelho; um senso esmagador da
glória da obra de redenção e do caminho da salvação por Jesus Cristo. [...] A
pessoa sentiu um grande deleite em cantar louvores a Deus e a Jesus Cristo, e um
desejo de que esta presente vida pudesse ser, por assim dizer, um contínuo
cântico de louvor a Deus. Havia um desejo, como a pessoa expressou, de
sentar-se e cantar esta vida continuamente; e um prazer dominante nos
pensamentos de gastar a eternidade neste exercício [...].[13]
Este
era o âmago interior da comunhão concretizada com Deus, a verdadeira e pura
piedade cristã, para a qual todos os santos são levados, mais ou menos
profundamente, mediante a obra revificadora do Espírito Santo. “Se tais coisas
são entusiasmo e os frutos de um cérebro destemperado”, escreve Edwards com
excelente ironia, “que meu cérebro seja eternamente possuído deste feliz
destempero!” Experiências como estas, ele sustentou (e, seguramente, com
justiça) eram prova positiva de que o Espírito Santo de Deus estava em ação nos
movimentos religiosos dos quais as experiências vinham.
Deve
ser enfatizado, finalmente, sob esse título, que, para Edwards, avivamento
significava a restauração da piedade cristã em
uma comunidade. O objeto do avivamento era a igreja, e o efeito da bênção
era propagar a fé para o não convertido fora da igreja. Avivamento é uma
ocupação corporativa. Foi sobre o grupo dos discípulos que o Espírito foi
derramado no Pentecoste; é para a igreja que Deus traz despertamento (cf. Is
51.17; 52.1). Isto não é, certamente, negar que cristãos individuais possam ser
vivificados espiritualmente enquanto a igreja ao redor permanece morta, mas
simplesmente afirmar que a obra característica de Deus, a qual estamos
discutindo agora sob o nome de avivamento, é uma obra que, em algum sentido,
tem a igreja, não apenas um cristão individual, como seu objeto.
Segundo,
avivamentos possuem um lugar central nos
propósitos revelados de Deus. “A finalidade de Deus ao criar o mundo”,
declara Edwards, “era preparar um reino para seu Filho (pois ele foi designado
herdeiro do mundo).”[14]
Essa finalidade deve ser cumprida, primeiro por meio da redenção realizada por
Cristo no calvário, e, depois, por meio dos triunfos do seu reino. “Todas as
dispensações da providência de Deus daí em diante (desde a ascensão de Cristo),
até a consumação final de todas as coisas, são para dar a Cristo sua recompensa
e cumprir o fim pelo qual ele fez e sofreu na terra.”[15]
É prometido a Cristo um domínio universal, e no período intermediário antes da
consumação final, o Pai implementa essa promessa em parte mediante sucessivos
derramamentos do Espírito, o que prova a realidade do reino de Cristo a um
mundo cético e serve para estender seus limites entre antigos inimigos de Cristo.
Quando Deus
manifesta-se com tal poder glorioso em uma obra desta natureza (tal como o
avivamento na Nova Inglaterra), ele parece especialmente determinado a atribuir
honra a seu Filho, e cumprir o juramento que lhe fez, de que todo joelho se
dobraria [...] diante dele. Deus tem tido isto em seu coração desde toda a
eternidade, glorificar seu amado e unigênito Filho; e existem algumas ocasiões
especiais que ele determina para esse fim, nas quais ele vem com poder
onipotente para cumprir sua promessa [...] para com ele. Agora são essas
ocasiões de extraordinário derramamento de seu Espírito para promover seu
reino; esse é o dia de seu poder [...].[16]
E Edwards vai além. Ele declara:
Desde a queda
do homem até nossos dias, a obra da redenção, em seus efeitos, tem sido
principalmente conduzida mediante extraordinárias comunicações do Espírito de
Deus. Embora haja uma influência mais constante do Espírito de Deus
acompanhando em algum grau suas ordenanças, todavia, o caminho pelo qual as
maiores coisas têm sido feitas para conduzir essa obra sempre tem sido mediante
efusões extraordinárias, em ocasiões especiais de misericórdia [...].[17]
Com
base na pressuposição de que cada avivamento da piedade vital entre o povo de
Deus registrado indica um derramamento do Espírito, Edwards procura mostrar que
essa generalização tem relação com a história bíblica, e que não temos razão
para duvidar que ainda tem. Edwards, como um pós-milenista, estava ansioso pela
conversão do mundo; e ele predizia confiantemente que esta seria a consequência
direta de um poderoso avivamento por toda a igreja, que levaria a uma ofensiva
missionária sem precedentes a todas as partes do globo.
Consequentemente,
quando a vida da igreja se encontra em decadência e os julgamentos de Deus
sobre ela falham, e o trabalho missionário está em declínio, o cristão deveria
esperar por um derramamento do Espírito que inverterá a forma como as coisas
estão. E ele tem autorização para acolher uma esperança como esta, e
expressá-la em suas orações: autorização não com base em qualquer mérito por
parte da igreja, mas na determinação eterna do Pai de glorificar o Filho em seu
reino.
Terceiro,
os avivamentos são as mais gloriosas de
todas as obras de Deus no mundo. Edwards insiste nisto para envergonhar os
que não manifestavam interesse no avivamento divino que viera à Nova
Inglaterra, e insinuavam por sua atitude que a mente do cristão poderia estar
ocupada de modo mais proveitoso com outros assuntos.
Tal obra é, em
sua natureza e tipo, a mais gloriosa dentre as obras de Deus, seja qual for
[Edwards protesta]. É uma obra de redenção (a grande finalidade de todas as
outras obras de Deus, e da qual a obra da criação era apenas uma sombra) [...]
é a obra da nova criação, a qual é infinitamente mais gloriosa que a antiga.
Ouso dizer que a obra de Deus na conversão de uma alma [...] é mais gloriosa
obra de Deus do que a criação de todo o universo material [...].[18]
Em
consequência, portanto, Edwards sugere que o tema do avivamento será doce e
apaixonante para o cristão de mente correta, cujo coração se regozija quando vê
a glória de Deus, e que o crente professo que não pode despertar interesse no
assunto deve estar espiritualmente em um estado muito pobre.
Princípios
concernentes à forma externa do avivamento
Podemos
ser breves aqui, pois já temos indicado como Edwards concebia esse assunto. Ele
mesmo expõe todos os pontos que estão sob esse título com aplicação particular
ao avivamento na Nova Inglaterra, mas nós os expressaremos de uma forma mais
generalizada.
Avivamento,
Edwards nos diz, é uma obra mista. O
joio de Satanás se intromete em cada ponto entre o trigo de Deus. De um ponto
de vista, isto torna a obra de Deus mais evidente.
A glória do
poder e da graça divinos são realçados com maior resplendor pelo que aparece,
ao mesmo tempo, da fraqueza do vaso de barro. É do agrado de Deus manifestar a
fraqueza e indignidade do objeto ao mesmo tempo que ele exibe a excelência do
seu poder e as riquezas de sua graça.[19]
Deus
se agrada em permitir a fraqueza e o pecado humanos irromperem-se em tempos de
avivamento, a fim de tornar evidente, além de toda dúvida, que os frutos
espirituais do movimento nascem, não de qualquer bondade nas pessoas
interessadas, mas somente de sua obra da graça. Assim que Edwards escreve
novamente:
É muito análogo
ao modo de Deus lidar com seu povo permitir uma grande quantidade de erro, e
tolerar o aparecimento da debilidade de seu povo no começo de uma obra gloriosa
de sua graça, para felicidade de seu povo ensiná-lo o que ele é, humilhá-lo e
prepará-lo para aquela gloriosa prosperidade à qual ele está prestes a levá-lo,
e assegurar para si a honra dessa obra gloriosa. Pois, mediante a excessiva
fraqueza do homem aparecendo no começo dela, fica evidente que Deus não coloca
o fundamento dela na força ou sabedoria do homem.[20]
Consequentemente,
Satanás não está impedido de trabalhar em tempos de avivamento. E Satanás tem
uma estratégia característica, a qual ele emprega em tempos como este.
Quando ele
descobre que não pode mais manter os homens quietos e seguros, então ele os
dirige a excessos e extravagâncias. Ele os detém o quanto pode, mas quando não
pode mais fazê-lo, então os empurra e, se possível, os faz bater suas cabeças.[21]
Assim,
ele procura fascinar os crentes avivados por meio da exploração da força de
seus sentimentos, tentando-os ao orgulho, à disposição de condenar e criticar,
à impaciência para com toda ordem estabelecida na igreja, e a uma crença
persistente de que o Espírito tem mais liberdade para trabalhar quando os
cristãos se deixam em um estado de desorganização, e quando os ministros pregam
sem perder tempo preparando seus sermões; como se espontaneidade repentina
fosse a forma ou a condição suprema de espiritualidade. Satanás, além disso,
procura iludir os crentes avivados mediante sugestões e inspirações imediatas,
convidando-os a concluir que todos os pensamentos e textos que veem à sua mente
espontaneamente devem ser mensagens de Deus. Por este e por outros meios, ele
procura levá-los a imprudências de todos os tipos no calor de seu zelo. Este é
seu modo normal de procedimento quando um avivamento está em progresso. Edwards
o delineia mais plenamente na quarta parte de seu Pensamentos sobre o Avivamento.
É
por essa razão, Edwards insiste, que é de vital importância julgar os
movimentos espirituais, não por seus fenômenos imediatos ou derivados, mas por
seus efeitos finais nas vidas dos envolvidos neles. Se você se concentrar no
fenômeno, você sempre pode encontrar uma grande quantidade que é espúria,
imponderada, teimosa, bárbara e fanática; e então você tentará concluir que não
há nada de Deus no movimento. Porém, como vimos, o caminho correto para avaliar
o que está acontecendo é ver se, em meio ao tumulto e desordem, aparecem as
“marcas distintivas de uma obra do Espírito de Deus”. Se elas estão ali, então
podemos saber que é Deus em ação.
Seremos
sábios em não concluir muito apressadamente que o que Edwards está dizendo não significa
nada para nós. Seria insensato imaginar que, se Deus derramasse seu Espírito
hoje, nós seríamos capazes de reconhecer imediatamente o que está acontecendo.
Avivamento sempre vem por caminhos inesperados, por meio de pessoas inesperadas
e frequentemente não desejadas. Não devemos descartar a possibilidade de que um
dia nós mesmos estaremos confusos diante de um movimento espiritual
efervescente e barulhento, duvidando se é de Deus, e nos encontrarmos
fortemente impelidos por nosso desgosto natural por seus rudimentos
superficiais e estupidez na teologia, adoração e moralidade a não olhar além,
mas rejeitar imediatamente. Em tais ocasiões, necessitaremos trazer em mente o
que Edwards nos tem dito sobre o caráter misto dos avivamentos e os princípios
de julgamento que devem ser aplicados em casos assim.
Oração
por avivamento
“É
da vontade de Deus”, escreveu Edwards,
por meio de sua
maravilhosa graça, que as orações de seus santos seja um dos principais e
maiores meios de realizar os desígnios do reino de Cristo no mundo. Quando Deus
tem algo muito grande a realizar a favor de sua igreja, é sua vontade que isso
seja precedido por orações extraordinárias de seu povo; como é evidente em
Ezequiel 36.37, “Assim diz o Senhor Deus: Ainda nisto permitirei que seja eu
solicitado pela casa de Israel: que lhe multiplique eu os homens como um
rebanho.” [veja o contexto]. E é revelado que, quando Deus está prestes a
realizar grandes coisas a favor de sua igreja, ele começará mediante um
extraordinário derramamento do espírito de graça e de súplica, Zacarias 12.10.[22]
Sendo
assim, os cristãos que desejam o avivamento possuem um forte incentivo para
orar por ele. Isto não é tudo, os cristãos têm o dever positivo de orar por
ele. Edwards procurou provar isto em Uma
humilde tentativa de promover explícita concordância e união visível do povo de
Deus em oração extraordinária pelo avivamento da religião, um tratado que
escreveu em apoio a uma petição que circulou por toda a cristandade de fala
inglesa, em 1746, feita por alguns ministros escoceses, convocando para oração
“extraordinária” especial pela conversão do mundo, no sábado à noite, no
domingo pela manhã e na primeira quinta-feira de cada trimestre, durante um
período de sete anos. Edwards defendeu o dever de se fazer orações como estas a
partir de predições e promessas bíblicas sobre a expansão da igreja, as quais
mostravam estar de acordo com a vontade de Deus que os homens orassem por um
avivamento mundial, a partir dos termos da Oração do Senhor e também a partir
da necessidade incontestável de avivamento na igreja mundial dos dias de
Edwards. (O avivamento na Nova Inglaterra tinha diminuído grandemente em 1742.)
Citamos duas passagens provocadoras:
Se examinarmos
a Bíblia toda e observarmos todos os exemplos de oração que encontramos
registrados ali, não encontraremos tantas orações por alguma outra misericórdia
quanto por libertação, restauração e prosperidade da igreja, e o progresso da
glória de Deus e do reino da graça no mundo [...] a maior parte do Livro dos
Salmos é composta de orações por essa misericórdia, profecias sobre ela e
louvores proféticos sobre ela [...].
A Escritura não
apenas manifesta abundantemente ser o dever do povo de Deus estar muito em
oração por essa grande misericórdia, mas ela também é abundante com múltiplas
considerações para encorajá-lo nela. [...] Talvez não haja uma coisa que a
Bíblia prometa tanto, a fim de encorajar a fé, a esperança e as orações dos
santos, quanto isto; que se permita ao povo de Deus a evidência mais clara de
que é seu dever estar muito em oração por esta misericórdia. Pois,
indubitavelmente, o que Deus faz abundantemente assunto de suas promessas, o
povo de Deus deve fazer abundantemente o assunto de suas orações [...].[23]
É
natural querer saber qual o resultado deste chamado à oração de 1746. Não
podemos, certamente, saber quantas orações foram feitas durante os sete anos
que se seguiram, nem se a oração “extraordinária” continuou depois de 1753
entre os que tinham criado o hábito. Com certeza, nada muito surpreendente
aconteceu no início. O avivamento evangelical na velha Inglaterra esfriou um
pouco após sua primeira década maravilhosa, 1735-45, e a Nova Inglaterra ficou
espiritualmente seca por uma geração depois do Grande Avivamento. Porém, a
partir da década de 1770 em diante, pregadores metodistas na Grã-Bretanha e na
América do Norte viram um grande crescimento e condições renovadas de
avivamento ocasionalmente; o Segundo Grande Avivamento floresceu na década de
1790; e a mesma década viu o avivamento na Noruega sob Hauge e na Finlândia sob
Ruotsalainen, acrescido do início do movimento missionário protestante que,
dentro de uma geração, deu ao cristianismo evangelical pelo menos um apoio para
os pés em todas as partes do mundo conhecido da época. Esta fresca explosão de
energia espiritual vital estava relacionada às orações que foram feitas décadas
antes? Teria ele ocorrido como ocorreu sem elas? É fascinante conjecturar –
apesar de conjecturas continuarem conjecturas, quando tudo está dito e feito.
Porém,
seja como for, aqui está uma tarefa para todo o povo de Deus em todas as
épocas: orar para que Deus edifique Sião e faça sua glória aparecer nela
mediante a bênção do avivamento. Faremos bem em tomar as palavras de Edwards no
coração, e com elas suas observações finais neste tratado, com as quais terminamos
este capítulo:
E eu espero que
todos quantos estão convencidos de que é seu dever cumprir e encorajar este desígnio,
se lembrarão que devemos não apenas nos apressar em orar diante do Senhor, e
buscar sua misericórdia, mas também devemos ser constantes em orar. Devemos
unir em nossa prática estas duas coisas, as quais nosso Salvador une em seu
preceito, Orar e Não Esmorecer. Se continuarmos orando por alguns anos, e nada
extraordinário for provido, ainda que Deus tenha ouvido e respondido, devemos
agir como crentes muito inconvenientes, se, portanto, devemos ficar desanimados,
entediados e negligente em buscar em Deus tão grande misericórdia. É evidente, na
Palavra de Deus, que ele costuma testar frequentemente a fé e a paciência de
seu povo, quando este clama a ele por alguma grande e importante clemência,
retendo a misericórdia buscada, por um período; e não apenas dessa forma, mas
em um primeiro momento para acusar um aumento das manifestações das trevas. E
ainda assim, ele, sem falhar, por fim torna vitoriosos aqueles que continuam em
oração, com toda perseverança, e “não o deixará ir a menos que abençoe [...]”.
Quaisquer que sejam nossas esperanças, devemos nos contentar em ser ignorantes
acerca dos tempos e estações, que o Pai tem em seu controle; e devemos estar dispostos
pois Deus responde às oração e cumpre suas promessas gloriosas, em seu próprio
tempo.[24]
“Jonathan Edwards and Revival” in A
Quest for Godliness: The Puritan Vision of the Christian Life. Wheaton, Illinois: Crossway
Books, 1990
Tradução: Paulo Corrêa Arantes
[1]
Jonathan Edwards, Works, II:7; o
sermão começa na p. 3.
[2]
Ibid, II:7; o sermão começa na p. 12.
[3] Ibid, I:237, 238.
[4] Ibid, I:394.
[5] Ibid, I:391.
[6] Ibid, I:ccxxxii (de Dwight’s Memories of Edwards).
[7] Loc cit.
[8] Ibid, II:261.
[9] Ibid, I:369.
[10] Ibid, I:375.
[11] Ibid, II:273.
[12] Ibid, II:266-269.
[13]
Ibid, I:376f.
[14]
Ibid, I:584.
[15]
Ibid, I:583.
[16]
Ibid, I:380. No contexto, Edwards se
refere aos Salmo 2 e 110.
[17] Ibid, I:539.
[18] Ibid, I:379.
[19] Ibid, I:380.
[20] Ibid, I:374.
[21] Ibid, I:397.
[22] Ibid, I:426.
[23] Ibid, II:291.
[24] Ibid, II:312.
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