Frase da Semana

Assim, tudo é de Deus, está em Deus e existe para Deus; ele é o começo, o meio e o fim.

domingo, 16 de setembro de 2018

O Primeiro Grande Avivamento na América - George Whitefield



O Primeiro Grande Avivamento na América resultou em um salto quântico na vida da igreja e da nação. Ele foi um terremoto psicológico que transformou o cenário religioso, social e moral da América Colonial, e determinou seu destino para os dois séculos seguintes. O renascimento da cultura cristã ocidental pode ser traçado de volta àqueles homens e mulheres que carregaram o fogo do avivamento através da América e da Europa durante vinte anos, de 1727 a 1747.
Os resultados na América foram incríveis. Pelo menos 50.000 almas foram adicionadas às igrejas da Nova Inglaterra, dentre uma população de cerca de 250.000.
O Avivamento teve o mesmo efeito nos Estados centrais, afetando, no final das contas, mais de uma centena de cidades. Foram plantadas centenas de novas igrejas, cresceram as fileiras de ministros, escolas e faculdades baseadas na Bíblia se multiplicaram, obras de amor e de caridade se tornaram abundantes, o ímpeto missionário levou a mensagem transnacionalmente – o avivamento chegou.

O Missionário Inglês

            Esse avivamento começou com Theodore Frelinghuysen, um petista reformado holandês, e se espalhou para os presbiterianos escoceses-irlandeses sob o ministério de Gilbert Tennent, cujo pai, William, fundou o famoso “Log College”; o qual, mais tarde, se tornou a Universidade de Princeton. O fogo saltou para os batistas da Pensilvânia e Virginia antes do extraordinário avivamento começar em Northampton, Massachusetts, sob o ministério de Jonathan Edwards, em dezembro de 1734.
            Porém, o principal portador do fogo do avivamento foi um jovem inglês chamado George Whitefield. Que candidato improvável ele era para esta obra! Sua vida permanecerá para sempre como um testemunho da habilidade de Deus de transformar alguém que é fraco, insignificante e desprezado, e fazê-lo grandemente útil, transformador do mundo e produtor de vidas individuais para o progresso de sua causa.
            George Whitefield nasceu e cresceu em Gloucester, Inglaterra, nas circunstâncias mais difíceis. Seu pai, o proprietário de uma taverna (estalagem) pública, morreu quando George tinha dois anos de idade, e sua mãe casou-se novamente oito anos mais tarde, mas o relacionamento foi atormentado com sofrimento e finalmente terminou em divórcio. Na infância, o sarampo o deixou com estrabismo para o resto de sua vida. Apesar de ser criado entre bêbados, prostitutas e ladrões da taverna, em pobreza, sendo deixado sem pai, residir em um lar destruído e experimentar enfermidades pessoais, ele foi um garoto divertido e um tanto travesso. Na escola, ele teve um recorde de faltas, mas também uma reputação de ator e orador, com habilidades particulares para imitar ministros!
            Aos 15 anos de idade, George persuadiu sua mãe a permitir que deixasse a escola, porque ele via pouco valor na educação. Ele reconsiderou essa opinião aos 17 anos e foi para a Universidade de Oxford.

A Influência de Amizades

Em Oxford, ele tornou-se sério acerca das coisas espirituais e juntou-se ao “Clube Santo” com os irmãos Wesley, os quais se tornaram amigos por toda a vida. O grupo não era de evangélicos, mas mais de interessados e investigadores da verdadeira religião. A seriedade da devoção dos irmãos Wesley o provocou a ir aproximar-se mais de Deus, e ele foi o primeiro no grupo a reconhecer a diferença entre uma religião legalista e a experiência de uma mudança interior por meio do novo nascimento em Cristo. Entretanto, a transição, do ascetismo e das obras humanas destinadas a obter o favor de Deus para a recepção do perdão e do amor pela graça imerecida de Deus, consumiu um ano inteiro de sua vida.
Ele escreveu, “Oh, que alegria – alegria inexprimível – alegria plena e cheia de glória encheu a minha alma quando o peso do pecado saiu, e um senso contínuo do amor perdoador de Deus e uma completa segurança de fé quebrantou minha alma”. Depois de receber a ordenação como diácono na Igreja da Inglaterra, em 1736, ele começou a pregar sobre a necessidade do “Novo Nascimento”.

Primeiras Chuvas da Bênção do Avivamento

O primeiro sermão de Whitefield foi pregado em sua cidade natal, e sua grande autoridade se tornou imediatamente evidente a todos. Ele disse, “Fui capacitado para falar com algum grau de autoridade sobre o evangelho. Alguns poucos zombaram, mas muitos aparentaram impactados na ocasião; e, desde então, tenho ouvido que foi feita uma queixa ao bispo de que seduzi 15 loucos no primeiro sermão!”
Após um breve pastorado em Dummer, Hampshire, ele foi encorajado pelos irmãos Wesley a visitar a colônia da Georgia, na América do Norte, para ajudar no cuidado de um Orfanato, que fora fundado perto de Savannah para filhos de colonos. Ele viajou em 1737, com 23 anos de idade, e permaneceu por um ano, retornando aos Estados Unidos para a segunda de sete visitas em 1739. Durante estas primeiras duas visitas ele foi levado a começar a pregar ao ar-livre e cenas extraordinária começaram a acompanhar seu ministério na Grã-Bretanha. Milhares de pessoas se aglomeravam para ouvir sua irresistível eloquência e fervor sedutor. Centenas de pessoas foram convertidas à medida que ouviam.

Retorno à América

            O avivamento na Nova Inglaterra começou a declinar a partir do final de 1735. Porém a chegada de Whitefield anunciou a segunda onda de bênção. Ele levou o avivamento a alturas que nunca tinha alcançado antes, inspirando um grande número de outras pessoas a engajarem-se na obra do avivamento.
            Sua grande e repentina fama o tinha precedido, e ele encontrou-se em exigência imediata. Ele começou a pregar na Filadélfia imediatamente e milhares se aglomeraram para ouvi-lo.  A população da cidade não excedia a 12.000 almas, todavia, sua audiência inicial era de 6.000 a 8.000 pessoas!
            Ele, então, empreendeu dois anos de pregação itinerante, a qual resultou em uma multidão de almas em cada localidade. Exatamente aos 25 anos de idade ele foi apropriadamente chamado de “o garoto pregador!”
            Sua audiência crescia progressivamente à medida que ele andava pela nação, chegando a cativar audiências de 20.000 e depois acima de 30.000! O que o Bispo Ryle disse acerca de seu ministério em Londres não foi menos verdadeiro aqui, “No meio da semana ou nos domingos, onde quer que ele pregasse, as igrejas ficavam cheias, e uma imensa sensação era produzida. A verdade clara é que um pregador realmente eloquente e improvisador, pregando o evangelho puro com os dons mais incomuns de voz e modos, era uma completa novidade em Londres naquele tempo. As congregações eram pegas de surpresa e levadas pela tempestade.”
            Em apenas um tour de seis semanas, naquela ocasião, ele pregou mais de cento e setenta e cinco sermões para dez milhares de pessoas, deixando a região em uma revolução espiritual. Este continua sendo um dos períodos mais notáveis do cristianismo americano registrado. Sua pregação “a tempo e fora de tempo” encorajou ministros evangélicos de todas as denominações a seguir seu exemplo. Seu livre uso de gestos naturais, ilustrações e um estilo mais improvisado alteraram permanentemente a pregação evangélica americana. Ele também foi um pregador de poder extraordinário e possuía uma habilidade suprema de controlar as audiências, atraindo pessoas de todos os níveis e posições de vida.
            Benjamin Franklin, que avaliava que Whitefield podia ser ouvido claramente por mais de trinta mil pessoas, escreveu certa vez em seu jornal, “Por ser descuidado e indiferente acerca da religião, era como se todo o mundo fosse religiosamente crescente, de modo que ninguém podia andar pela Filadélfia ao anoitecer sem ouvir Salmos cantados por diferentes famílias de todas as ruas.”
            Sobre este período William Conant escreve, “A pregação do evangelho era assistida com o poder mais admirável em toda parte da Nova Inglaterra, e avivamentos deram nova vida e multiplicaram o número de igrejas por toda a Nova Inglaterra e nos Estados centrais.”

O Restante de seu Ministério na América

Cada uma das visitas subsequentes de Whitefield (1744-1748, 1751-1752, 1754-1755, 1763-1765, 1769-1770), seguiram o mesmo padrão extraordinário até sua more, em Newburyport, Massachusetts, em 1770.
Os benefícios foram imensos. As igrejas estavam apinhadas de novo, o clima moral foi transformado, o ministério ficou cheio de homens convertidos. Por ocasião da terceira visita de Whitefield, 1744 a 1748, havia não menos de vinte ministros nos arredores de Boston que confessaram que não eram convertidos até sua vinda em 1740. Escolas e faculdades foram iniciadas, e igrejas formaram um movimento unificado, uma rede evangélica de avivamento que transcendeu as barreiras denominacionais.
No total, Whitefield gastou nove anos na América e dois anos inteiros atravessando o Atlântico! Ele se levantava diariamente às 4h00 para exercício devocional, pregava frequentemente duas vezes por dia e três vezes aos domingos. Ele era sincero, dedicado, honesto e sempre a serviço de seu Mestre. Somente um homem como este poderia ter impactado a nação americana como ele fez.
Senhor, levante uma dúzia de Whitefields em nossos dias!

Original disponível em: www.revival.library.org
Tradução: Pr. Paulo Arantes

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