O Primeiro Grande Avivamento na
América resultou em um salto quântico na vida da igreja e da nação. Ele foi um
terremoto psicológico que transformou o cenário religioso, social e moral da
América Colonial, e determinou seu destino para os dois séculos seguintes. O
renascimento da cultura cristã ocidental pode ser traçado de volta àqueles
homens e mulheres que carregaram o fogo do avivamento através da América e da
Europa durante vinte anos, de 1727 a 1747.
Os resultados na América foram
incríveis. Pelo menos 50.000 almas foram adicionadas às igrejas da Nova
Inglaterra, dentre uma população de cerca de 250.000.
O Avivamento teve o mesmo efeito nos
Estados centrais, afetando, no final das contas, mais de uma centena de
cidades. Foram plantadas centenas de novas igrejas, cresceram as fileiras de
ministros, escolas e faculdades baseadas na Bíblia se multiplicaram, obras de
amor e de caridade se tornaram abundantes, o ímpeto missionário levou a
mensagem transnacionalmente – o avivamento chegou.
O
Missionário Inglês
Esse
avivamento começou com Theodore Frelinghuysen, um petista reformado holandês, e
se espalhou para os presbiterianos escoceses-irlandeses sob o ministério de
Gilbert Tennent, cujo pai, William, fundou o famoso “Log College”; o qual, mais
tarde, se tornou a Universidade de Princeton. O fogo saltou para os batistas da
Pensilvânia e Virginia antes do extraordinário avivamento começar em
Northampton, Massachusetts, sob o ministério de Jonathan Edwards, em dezembro
de 1734.
Porém, o
principal portador do fogo do avivamento foi um jovem inglês chamado George
Whitefield. Que candidato improvável ele era para esta obra! Sua vida
permanecerá para sempre como um testemunho da habilidade de Deus de transformar
alguém que é fraco, insignificante e desprezado, e fazê-lo grandemente útil,
transformador do mundo e produtor de vidas individuais para o progresso de sua
causa.
George
Whitefield nasceu e cresceu em Gloucester, Inglaterra, nas circunstâncias mais
difíceis. Seu pai, o proprietário de uma taverna (estalagem) pública, morreu
quando George tinha dois anos de idade, e sua mãe casou-se novamente oito anos
mais tarde, mas o relacionamento foi atormentado com sofrimento e finalmente
terminou em divórcio. Na infância, o sarampo o deixou com estrabismo para o
resto de sua vida. Apesar de ser criado entre bêbados, prostitutas e ladrões da
taverna, em pobreza, sendo deixado sem pai, residir em um lar destruído e
experimentar enfermidades pessoais, ele foi um garoto divertido e um tanto
travesso. Na escola, ele teve um recorde de faltas, mas também uma reputação de
ator e orador, com habilidades particulares para imitar ministros!
Aos 15 anos
de idade, George persuadiu sua mãe a permitir que deixasse a escola, porque ele
via pouco valor na educação. Ele reconsiderou essa opinião aos 17 anos e foi
para a Universidade de Oxford.
A Influência
de Amizades
Em Oxford, ele tornou-se sério
acerca das coisas espirituais e juntou-se ao “Clube Santo” com os irmãos
Wesley, os quais se tornaram amigos por toda a vida. O grupo não era de
evangélicos, mas mais de interessados e investigadores da verdadeira religião.
A seriedade da devoção dos irmãos Wesley o provocou a ir aproximar-se mais de
Deus, e ele foi o primeiro no grupo a reconhecer a diferença entre uma religião
legalista e a experiência de uma mudança interior por meio do novo nascimento
em Cristo. Entretanto, a transição, do ascetismo e das obras humanas destinadas
a obter o favor de Deus para a recepção do perdão e do amor pela graça
imerecida de Deus, consumiu um ano inteiro de sua vida.
Ele escreveu, “Oh, que alegria –
alegria inexprimível – alegria plena e cheia de glória encheu a minha alma
quando o peso do pecado saiu, e um senso contínuo do amor perdoador de Deus e
uma completa segurança de fé quebrantou minha alma”. Depois de receber a
ordenação como diácono na Igreja da Inglaterra, em 1736, ele começou a pregar
sobre a necessidade do “Novo Nascimento”.
Primeiras
Chuvas da Bênção do Avivamento
O primeiro sermão de Whitefield foi
pregado em sua cidade natal, e sua grande autoridade se tornou imediatamente
evidente a todos. Ele disse, “Fui capacitado para falar com algum grau de
autoridade sobre o evangelho. Alguns poucos zombaram, mas muitos aparentaram impactados
na ocasião; e, desde então, tenho ouvido que foi feita uma queixa ao bispo de
que seduzi 15 loucos no primeiro sermão!”
Após um breve pastorado em Dummer,
Hampshire, ele foi encorajado pelos irmãos Wesley a visitar a colônia da
Georgia, na América do Norte, para ajudar no cuidado de um Orfanato, que fora
fundado perto de Savannah para filhos de colonos. Ele viajou em 1737, com 23
anos de idade, e permaneceu por um ano, retornando aos Estados Unidos para a
segunda de sete visitas em 1739. Durante estas primeiras duas visitas ele foi
levado a começar a pregar ao ar-livre e cenas extraordinária começaram a
acompanhar seu ministério na Grã-Bretanha. Milhares de pessoas se aglomeravam
para ouvir sua irresistível eloquência e fervor sedutor. Centenas de pessoas
foram convertidas à medida que ouviam.
Retorno à América
O
avivamento na Nova Inglaterra começou a declinar a partir do final de 1735.
Porém a chegada de Whitefield anunciou a segunda onda de bênção. Ele levou o
avivamento a alturas que nunca tinha alcançado antes, inspirando um grande
número de outras pessoas a engajarem-se na obra do avivamento.
Sua grande
e repentina fama o tinha precedido, e ele encontrou-se em exigência imediata.
Ele começou a pregar na Filadélfia imediatamente e milhares se aglomeraram para
ouvi-lo. A população da cidade não
excedia a 12.000 almas, todavia, sua audiência inicial era de 6.000 a 8.000
pessoas!
Ele, então,
empreendeu dois anos de pregação itinerante, a qual resultou em uma multidão de
almas em cada localidade. Exatamente aos 25 anos de idade ele foi
apropriadamente chamado de “o garoto pregador!”
Sua
audiência crescia progressivamente à medida que ele andava pela nação, chegando
a cativar audiências de 20.000 e depois acima de 30.000! O que o Bispo Ryle
disse acerca de seu ministério em Londres não foi menos verdadeiro aqui, “No
meio da semana ou nos domingos, onde quer que ele pregasse, as igrejas ficavam
cheias, e uma imensa sensação era produzida. A verdade clara é que um pregador
realmente eloquente e improvisador, pregando o evangelho puro com os dons mais
incomuns de voz e modos, era uma completa novidade em Londres naquele tempo. As
congregações eram pegas de surpresa e levadas pela tempestade.”
Em apenas
um tour de seis semanas, naquela ocasião, ele pregou mais de cento e setenta e
cinco sermões para dez milhares de pessoas, deixando a região em uma revolução
espiritual. Este continua sendo um dos períodos mais notáveis do cristianismo
americano registrado. Sua pregação “a tempo e fora de tempo” encorajou
ministros evangélicos de todas as denominações a seguir seu exemplo. Seu livre
uso de gestos naturais, ilustrações e um estilo mais improvisado alteraram permanentemente
a pregação evangélica americana. Ele também foi um pregador de poder
extraordinário e possuía uma habilidade suprema de controlar as audiências,
atraindo pessoas de todos os níveis e posições de vida.
Benjamin
Franklin, que avaliava que Whitefield podia ser ouvido claramente por mais de
trinta mil pessoas, escreveu certa vez em seu jornal, “Por ser descuidado e
indiferente acerca da religião, era como se todo o mundo fosse religiosamente
crescente, de modo que ninguém podia andar pela Filadélfia ao anoitecer sem
ouvir Salmos cantados por diferentes famílias de todas as ruas.”
Sobre este
período William Conant escreve, “A pregação do evangelho era assistida com o
poder mais admirável em toda parte da Nova Inglaterra, e avivamentos deram nova
vida e multiplicaram o número de igrejas por toda a Nova Inglaterra e nos
Estados centrais.”
O Restante
de seu Ministério na América
Cada uma das visitas subsequentes de
Whitefield (1744-1748, 1751-1752, 1754-1755, 1763-1765, 1769-1770), seguiram o
mesmo padrão extraordinário até sua more, em Newburyport, Massachusetts, em
1770.
Os benefícios foram imensos. As
igrejas estavam apinhadas de novo, o clima moral foi transformado, o ministério
ficou cheio de homens convertidos. Por ocasião da terceira visita de
Whitefield, 1744 a 1748, havia não menos de vinte ministros nos arredores de
Boston que confessaram que não eram convertidos até sua vinda em 1740. Escolas
e faculdades foram iniciadas, e igrejas formaram um movimento unificado, uma
rede evangélica de avivamento que transcendeu as barreiras denominacionais.
No total, Whitefield gastou nove
anos na América e dois anos inteiros atravessando o Atlântico! Ele se levantava
diariamente às 4h00 para exercício devocional, pregava frequentemente duas
vezes por dia e três vezes aos domingos. Ele era sincero, dedicado, honesto e
sempre a serviço de seu Mestre. Somente um homem como este poderia ter
impactado a nação americana como ele fez.
Senhor, levante uma dúzia de
Whitefields em nossos dias!
Original disponível em: www.revival.library.org
Tradução: Pr. Paulo Arantes
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