Frase da Semana

Assim, tudo é de Deus, está em Deus e existe para Deus; ele é o começo, o meio e o fim.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Jonathan Edwards: Teólogo


O breve extrato a seguir é extraído de Theology In America, “On the Theology of Jonathan Edwards”, E. Brooks Holifield.

O Professor Holifield é o Charles Howard Candler Professor de História da Igreja Americana no Candler School of Theology, Emory University. Ele é autor de diversos livros, inclusive do amplamente aclamado Theology In America (New Haven: Yale University Press, 2003).

Um teólogo típico da Nova Inglaterra?

“De um modo calvinista típico da Nova Inglaterra, Jonathan Edwards definia a teologia como ‘a doutrina de viver para Deus por meio de Cristo’. De muitas maneiras, Edwards foi um típico teólogo da Nova Inglaterra, um calvinista preocupado com a piedade em uma congregação local. Todavia, nenhum outro teólogo na América se igualaria a ele em profundidade intelectual ou influência duradoura sobre gerações de sucessores. Por uma centena de anos após sua morte, escolas de teologia rivais lutaram por seu manto ou se esforçaram para superar sua lógica. Nunca lhe faltaram críticos: arminianos de toda espécie continuariam a vê-lo como um monumental defensor do erro calvinista, enquanto que alguns calvinistas conservadores ansiariam ver sua teologia como fonte de heresia. Seus admiradores, contudo, formaram uma cultura teológica edwardeana que se entrincheirou nos principais seminários reformados da nação, ainda que alguns deles tenham feito revisões teológicas que Edwards jamais aceitaria.

“A íntima ligação entre o especulativo e o prático”

Edwards extirpou a distinção comum entre os dois tipos de conhecimento teológico, o primeiro, especulativo, derivado do exercício do entendimento, e o segundo, prático, que consiste do ‘senso do coração’, a graciosa inclinação de ambos: o entendimento e a vontade. O objetivo da teologia era promover um ‘senso’ das coisas divinas, que leve a pessoa mais fundo em sua natureza do que o entendimento especulativo sozinho poderia penetrar e ‘guiar e influenciar-nos em nossa prática’. Seu texto favorito de teologia sistemática era o Theoretico-Practica Theologia do teólogo reformado Petrus van Mastricht (1630-1706) – professor em Utrecht, na Holanda, de 1677 até sua morte – que insistiu em mostrar que cada verdade especulativa na teologia tinha uma implicação prática. Assim como Edwards se esforçou para vencer a nítida distinção entre a vontade e o entendimento, ele tentou assegurar também uma íntima ligação entre o especulativo e o prático. Um ‘conhecimento especulativo’ era de ‘importância infinita’, pois sem ele não poderia haver ‘conhecimento prático’....

A mente racional

Ele não tinha dúvida acerca do valor da racionalidade ou da racionalidade da teologia. Edwards escreveu acerca da filosofia moral, da metafísica, da teoria atomista, da óptica, da teoria corpuscular da luz e da natureza da gravidade. Em ensaios escritos quando ele era alugo em Yale, entre 1716 e 1720, ele exibiu um conhecimento da ciência newtoniana, e sua leitura de John Locke, provavelmente quando foi monitor na faculdade, confirmou um interesse na filosofia que retornou em seus anos universitários Em 1729, ele começou a pensar em escrever um ‘Relato Racional’ de todas as ‘Principais Doutrinas da Religião Cristã’, e, na metade da década de 1740, ele planejou um livro para mostrar como todas as artes e ciências, quanto mais elas são aperfeiçoadas, tanto mais elas se originam na divindade, coincidem com ela e parecem ser parte dela.’ A teologia, para Edwards, continuava a ser a mais alta expressão de racionalidade, embora ele também pensasse que ela também oferecia os discernimentos mais claros dos limites da razão.
Enquanto alguns o leem principalmente como um teólogo filosófico, imerso na conversa com Locke, Malebranche, os platonistas de Cambridge, ou nos moralistas britânicos, outros, como seu primeiro biógrafo, Samuel Hopkins, enfatizam que ele ‘estudou a Bíblia mais que todos os outros livros’ e que sua fonte mais frequente como teólogo era obras de crítica bíblica, como Synopsis Criticorum de Matthew Poole (1669-76), e Exposition of the Old and New Testaments de Matthew Henry (1708-10). Especialmente em resposta aos deístas, ele ocupou-se com o estudo crítico da Escritura, escrevendo sobre a inspiração; o escopo do cânon; a autoria dos textos bíblicos, inclusive sobre a autoria mosaica do Pentateuco; e a historicidade dos registros bíblicos. Ele foi, de fato, tanto um teólogo filosófico quanto bíblico, e, para ele, esses dois lados da teologia coincidiam. Tanto como filósofo quanto como exegeta, ele procurou preservar a ortodoxia calvinista, inclusive o padrão calvinista de equilíbrio entre a razão e a revelação. No entanto, ele relançou categorias convencionais, e sua concepção da ‘excelência’ divina inspirou um modo de pensar que moldou seus conceitos sobre racionalidade, ética, metafísica, interpretação bíblica, e o significado da praticidade da teologia.” [1]

[1] Holifield, E. Brooks, Theology in America (New Haven: Yale University Press, 2003), p. 102-104.

Theology In America: Christian Thought from the Age of the Puritan to the Civil War, E. Books Holifield
The Theology of Jonathan Edwards, Conrad Cherry
The Philosophical Theology of Jonathan Edwards, Sang Hyun Lee


Disponível no Jonathan Edwards Center, Yale University. www.edwards.yale.edu
Tradução: Paulo Corrêa Arantes

terça-feira, 19 de junho de 2018

Jonathan Edwards: Pregador


Por Harry S. Stout. Jonathan Edwards Professor de História, Estudos Religiosos e Estudos Americanos, Yale University

Por que Jonathan Edwards é considerado universalmente o maio pregador protestante da América?

Parte da razão, conhecida de toda criança em idade escolar, é que ele pregou o maior sermão da América. Pecadores nas mãos de um Deus irado aparece basicamente em toda antologia da literatura americana do século passado, e frequentemente está sozinho como o único sermão incluído no texto. Até mesmo o jovem vídeo-endurecido de nossos dias empalidece diante da linguagem ilustrativa e imagens apuradas que Edwards empregou para dar vida os horrores do inferno. Porém, sua reação perde a importância em comparação ao pavor que inspirou nos corações dos ouvintes contemporâneos de Edwards, adultos e crianças. Adicione a isto a certeza de Edwards de que uma porção significativa de seus ouvintes estava, de fato, indo para o inferno, e você tem todas as marcas do exemplo mais perfeito de sermão “fogo e enxofre”.
Porém, Edwards, o pregador, era muito mais que fogo e enxofre. Sim, o inferno era um lugar real na mente de Edwards e, portanto, merecedor de contínua advertência para ser evitado a todo custo. Porém, de modo enfático, este não era o assunto que preocupava seus pensamentos e visões. “Céu” e “amor” eras as duas palavras mais importantes nos sermões de Edwards, e ele se esforçava semanalmente para persuadir a consciência de seus ouvintes dessas realidades. Edwards estava muito mais interessado em que sua congregação chegasse a um conhecimento salvador de Deus por meio de uma consciência da beleza do grande e poderoso amor redentivo de Deus por ela. Mesmo um exame superficial dos títulos dos sermões de Edwards confirmará isto.
Além de ser um grande pregador, Edwards também foi um grande escritor e, assim, sermões que ele compôs trezentos anos atrás continuam a trazer a marca de um artista literário, tão único em seu próprio campo quanto Milton foi com a poesia ou Mozart, contemporâneo de Edwards, foi na música. Se não o mais fascinante orador de sua época (este elogio certamente pertence a George Whitefield), Edwards esteve entre os maiores compositores de sermões de seus dias. Por meio de milhares de páginas de texto economicamente rabiscadas, compostas de décadas de pregação semanal, Edwards entalhou palavras de esplendor literário e profundidade espiritual, que continuam a impressionar os estudiosos e a inspirar os crentes.

Para fontes bibliográficas adicionais:

The Sermons of Jonathan Edwards: A Reader
The New England Soul: Preaching and Religious Culture in Colonial New England
Harry S. Stout


Disponível no Jonathan Edwards Center, Yale University. www.edwards.yale.edu

Tradução: Paulo Corrêa Arantes