O breve extrato a seguir é extraído de Theology In America, “On the Theology of
Jonathan Edwards”, E. Brooks Holifield.
O Professor Holifield é o Charles Howard
Candler Professor de História da Igreja Americana no Candler School of
Theology, Emory University. Ele é autor de diversos livros, inclusive do
amplamente aclamado Theology In America (New Haven: Yale University
Press, 2003).
Um
teólogo típico da Nova Inglaterra?
“De um modo calvinista típico da Nova Inglaterra, Jonathan Edwards
definia a teologia como ‘a doutrina de viver para Deus por meio de Cristo’. De
muitas maneiras, Edwards foi um típico teólogo da Nova Inglaterra, um
calvinista preocupado com a piedade em uma congregação local. Todavia, nenhum
outro teólogo na América se igualaria a ele em profundidade intelectual ou
influência duradoura sobre gerações de sucessores. Por uma centena de anos após
sua morte, escolas de teologia rivais lutaram por seu manto ou se esforçaram
para superar sua lógica. Nunca lhe faltaram críticos: arminianos de toda
espécie continuariam a vê-lo como um monumental defensor do erro calvinista,
enquanto que alguns calvinistas conservadores ansiariam ver sua teologia como
fonte de heresia. Seus admiradores, contudo, formaram uma cultura teológica
edwardeana que se entrincheirou nos principais seminários reformados da nação,
ainda que alguns deles tenham feito revisões teológicas que Edwards jamais
aceitaria.
“A
íntima ligação entre o especulativo e o prático”
Edwards extirpou a distinção comum entre os dois tipos de conhecimento
teológico, o primeiro, especulativo, derivado do exercício do entendimento, e o
segundo, prático, que consiste do ‘senso do coração’, a graciosa inclinação de
ambos: o entendimento e a vontade. O objetivo da teologia era promover um
‘senso’ das coisas divinas, que leve a pessoa mais fundo em sua natureza do que
o entendimento especulativo sozinho poderia penetrar e ‘guiar e influenciar-nos
em nossa prática’. Seu texto favorito de teologia sistemática era o Theoretico-Practica Theologia do teólogo
reformado Petrus van Mastricht (1630-1706) – professor em Utrecht, na Holanda,
de 1677 até sua morte – que insistiu em mostrar que cada verdade especulativa
na teologia tinha uma implicação prática. Assim como Edwards se esforçou para
vencer a nítida distinção entre a vontade e o entendimento, ele tentou
assegurar também uma íntima ligação entre o especulativo e o prático. Um
‘conhecimento especulativo’ era de ‘importância infinita’, pois sem ele não
poderia haver ‘conhecimento prático’....
A
mente racional
Ele não tinha dúvida acerca do valor da racionalidade ou da
racionalidade da teologia. Edwards escreveu acerca da filosofia moral, da
metafísica, da teoria atomista, da óptica, da teoria corpuscular da luz e da
natureza da gravidade. Em ensaios escritos quando ele era alugo em Yale, entre
1716 e 1720, ele exibiu um conhecimento da ciência newtoniana, e sua leitura de
John Locke, provavelmente quando foi monitor na faculdade, confirmou um
interesse na filosofia que retornou em seus anos universitários Em 1729, ele
começou a pensar em escrever um ‘Relato Racional’ de todas as ‘Principais
Doutrinas da Religião Cristã’, e, na metade da década de 1740, ele planejou um
livro para mostrar como todas as artes e ciências, quanto mais elas são
aperfeiçoadas, tanto mais elas se originam na divindade, coincidem com ela e
parecem ser parte dela.’ A teologia, para Edwards, continuava a ser a mais alta
expressão de racionalidade, embora ele também pensasse que ela também oferecia
os discernimentos mais claros dos limites da razão.
Enquanto alguns o leem principalmente como um teólogo filosófico, imerso
na conversa com Locke, Malebranche, os platonistas de Cambridge, ou nos
moralistas britânicos, outros, como seu primeiro biógrafo, Samuel Hopkins,
enfatizam que ele ‘estudou a Bíblia mais que todos os outros livros’ e que sua
fonte mais frequente como teólogo era obras de crítica bíblica, como Synopsis Criticorum de Matthew Poole
(1669-76), e Exposition of the Old and
New Testaments de Matthew Henry (1708-10). Especialmente em resposta aos
deístas, ele ocupou-se com o estudo crítico da Escritura, escrevendo sobre a
inspiração; o escopo do cânon; a autoria dos textos bíblicos, inclusive sobre a
autoria mosaica do Pentateuco; e a historicidade dos registros bíblicos. Ele
foi, de fato, tanto um teólogo filosófico quanto bíblico, e, para ele, esses
dois lados da teologia coincidiam. Tanto como filósofo quanto como exegeta, ele
procurou preservar a ortodoxia calvinista, inclusive o padrão calvinista de
equilíbrio entre a razão e a revelação. No entanto, ele relançou categorias
convencionais, e sua concepção da ‘excelência’ divina inspirou um modo de
pensar que moldou seus conceitos sobre racionalidade, ética, metafísica,
interpretação bíblica, e o significado da praticidade da teologia.” [1]
[1] Holifield, E. Brooks, Theology in
America (New Haven: Yale University Press, 2003), p. 102-104.
Theology In
America: Christian Thought from the Age of the Puritan to the Civil War, E. Books Holifield
The
Theology of Jonathan Edwards, Conrad
Cherry
The
Philosophical Theology of Jonathan Edwards, Sang Hyun Lee
Disponível no Jonathan Edwards
Center, Yale University. www.edwards.yale.edu
Tradução:
Paulo Corrêa Arantes
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