Frase da Semana

Assim, tudo é de Deus, está em Deus e existe para Deus; ele é o começo, o meio e o fim.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Jonathan Edwards: Filósofo


Pelo professor Mark Noll, Francis A. McAnaney Professor de história na University of Notre Dame.

Links neste website guiam pesquisadores ao conhecimento de verdadeiros peritos na filosofia de Edwards, como Wallace Anderson, Norman Fiering, Allen Guelzo, Bruce Kuklick, Sang Lee e Amy Plantinga Pauw. Porém, como historiador, sempre fico impressionado pelo fato de como a visão de Edwards o levou natural e, parece, facilmente a engajar-se nas mais profundas questões filosóficas.
O centro unificador da vida de Edwards era a glória de Deus experimentada como uma fonte ativa, harmoniosa e sempre reveladora do Ser absolutamente perfeito, marcado por beleza e amor celestes. A atividade dinâmica do Divindade, especialmente como manifestada na Trindade, sempre esteve na vanguarda. Contra muitas opiniões otimistas de seu século, Edwards defendeu as convicções calvinistas acerca da perdição ou ruína da humanidade e a necessidade da graça divina tomar a iniciativa da redenção. Todavia, dentro do espírito de sua época, Edwards também promoveu um conceito afetivo da realidade na qual “o senso do coração” (uma de suas frases favoritas) era fundamental igualmente ao pensamento e à ação. A disposição da mente de Edwards era implacavelmente intelectual – “muitos teoremas, que pareciam duros e áridos a outros, eram, para ele, campos agradáveis e frutíferos, onde sua mente discorria com peculiar facilidade, proveito e divertimento”, foi a forma como seu amigo e aluno, Samuel Hopkins, o colocou (Escritos Éticos, 401). Como resultado, Edwards se deleitava em questões metafísicas de difícil compreensão quase tanto como em desafios teológicos ou bíblicos. Neste aspecto, Edwards compartilhava com seus contemporâneos, o católico Nicholas Malebranche e o anglicano George Berkeley, dos quais também desenvolveu formas do idealismo teísta, em resposta ao que eles compreendiam como tendência filosófica de sua época.
Edwards ficou fascinado com as descobertas de Newton e seus sucessores. Todavia, temendo a ameaça do materialismo nessas obras, ele argumentou que as leis da ciência não eram autossuficientes. Ao contrário, eram produto da atividade intelectual autoconsciente de Deus. Edwards não foi ameaçado por estas descobertas porque achava que elas revelavam a regularidade, a harmonia e a beleza do Ser Divino. Uma divisão entre o espiritual e o material era incompatível ao pensamento de Edwards, como era comum no Iluminismo em geral. Para Edwards, o progresso na ciência mostrava mais acerca do caráter de Deus do que acerca do caráter do universo físico. Sua solução ao desafio newtoniano foi uma forte dose de idealismo filosófico: “aquilo que é verdadeiramente a substância de todos os corpos é a ideia infinitamente exata e precisa, e perfeitamente estável na mente de Deus, juntamente com sua firme vontade que a mesma será gradualmente comunicada a nós e a outras mentes, conforme certos métodos e leis fixados e estabelecidos” (Escritos Científicos e Filosóficos, 344).
A ética de Edwards mostrava a mesma preocupação em estabelecer Deus como o fundamento. O comportamento que era moral, no sentido mais estrito do termo, em sua concepção, surgia apenas de um coração regenerado pela misericórdia de Deus. O argumento foi apresentado de modo pleno em The Nature of True Virtue (A natureza da verdadeira virtude), que foi publicada postumamente em 1765, mas também era um tema frequente em muitas de suas outras obras. Edwards concordava com os moralistas britânicos contemporâneos, como Francis Hutcheson, de que os seres humanos possuíam uma capacidade natural de reconhecer a moralidade e seguir um “senso moral” interno. Porém, ele também sustentava que esse tipo de moralidade era inevitavelmente prudente, pragmático e, em última palavra, uma expressão de amor próprio. Esse comportamento socialmente útil estava muito longe da verdadeira virtude, visto que “é evidente que a verdadeira virtude deve consistir principalmente em amar a Deus, o Ser dos seres, infinitamente o maior e melhor dos seres” (Escritos Éticos, 550).
Logo após a morte de Edwards, seus descendentes intelectuais afastaram-se do idealismo afetivo de sua filosofia para formas do senso de realismo comum. Na metade do século 19, o presbiteriano de Nova York, Henry Boyton Smith, escreveu um dos melhores relatos sobre as extensas implicações deste movimento (em um ensaio sobre Nathaniel Emmons, no livro de Smith, Faith and Philosophy). Agora, porém, volto à história em que o ponto deste miniensaio deve introduzir a filosofia de Jonathan Edwards, um assunto que é mais que o suficiente por si só.

O Professor Mark Noll é um erudito líder da religião americana. Ele escreveu muitos livros, que incluem America’s God From Jonathan Edwards to Abraham Lincoln (Oxford, 2002) e The Rise of Evangelicalism The Age of Edwards, Whitefield, and the Wesleys (Intervarsity Press, 2004).

Para mais fontes bibliográficas: 
America’s God: From Jonathan Edwards to Abraham Lincon, Mark Noll
The Rise of Evangelicalism: The Age of Edwards, Whitefield, and the Wesleys, Mark Noll
Jonathan Edwards: A Life, George Marsden

Veja também, Stanford Enclyopedia of Philosophy


Disponível no Jonathan Edwards Center, Yale University. www.edwards.yale.edu
Tradução: Paulo Corrêa Arantes

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