Pelo
professor Mark Noll, Francis A. McAnaney Professor de história na University of
Notre Dame.
Links neste website guiam pesquisadores ao conhecimento de verdadeiros
peritos na filosofia de Edwards, como Wallace Anderson, Norman Fiering, Allen
Guelzo, Bruce Kuklick, Sang Lee e Amy Plantinga Pauw. Porém, como historiador,
sempre fico impressionado pelo fato de como a visão de Edwards o levou natural
e, parece, facilmente a engajar-se nas mais profundas questões filosóficas.
O centro unificador da vida de Edwards era a glória de Deus
experimentada como uma fonte ativa, harmoniosa e sempre reveladora do Ser
absolutamente perfeito, marcado por beleza e amor celestes. A atividade
dinâmica do Divindade, especialmente como manifestada na Trindade, sempre
esteve na vanguarda. Contra muitas opiniões otimistas de seu século, Edwards
defendeu as convicções calvinistas acerca da perdição ou ruína da humanidade e
a necessidade da graça divina tomar a iniciativa da redenção. Todavia, dentro
do espírito de sua época, Edwards também promoveu um conceito afetivo da
realidade na qual “o senso do coração” (uma de suas frases favoritas) era
fundamental igualmente ao pensamento e à ação. A disposição da mente de Edwards
era implacavelmente intelectual – “muitos teoremas, que pareciam duros e áridos
a outros, eram, para ele, campos agradáveis e frutíferos, onde sua mente discorria
com peculiar facilidade, proveito e divertimento”, foi a forma como seu amigo e
aluno, Samuel Hopkins, o colocou (Escritos
Éticos, 401). Como resultado, Edwards se deleitava em questões metafísicas
de difícil compreensão quase tanto como em desafios teológicos ou bíblicos.
Neste aspecto, Edwards compartilhava com seus contemporâneos, o católico
Nicholas Malebranche e o anglicano George Berkeley, dos quais também
desenvolveu formas do idealismo teísta, em resposta ao que eles compreendiam
como tendência filosófica de sua época.
Edwards ficou fascinado com as descobertas de Newton e seus sucessores.
Todavia, temendo a ameaça do materialismo nessas obras, ele argumentou que as
leis da ciência não eram autossuficientes. Ao contrário, eram produto da atividade
intelectual autoconsciente de Deus. Edwards não foi ameaçado por estas
descobertas porque achava que elas revelavam a regularidade, a harmonia e a
beleza do Ser Divino. Uma divisão entre o espiritual e o material era
incompatível ao pensamento de Edwards, como era comum no Iluminismo em geral.
Para Edwards, o progresso na ciência mostrava mais acerca do caráter de Deus do
que acerca do caráter do universo físico. Sua solução ao desafio newtoniano foi
uma forte dose de idealismo filosófico: “aquilo que é verdadeiramente a
substância de todos os corpos é a ideia infinitamente exata e precisa, e
perfeitamente estável na mente de Deus, juntamente com sua firme vontade que a
mesma será gradualmente comunicada a nós e a outras mentes, conforme certos
métodos e leis fixados e estabelecidos” (Escritos
Científicos e Filosóficos, 344).
A ética de Edwards mostrava a mesma preocupação em estabelecer Deus como
o fundamento. O comportamento que era moral, no sentido mais estrito do termo,
em sua concepção, surgia apenas de um coração regenerado pela misericórdia de
Deus. O argumento foi apresentado de modo pleno em The Nature of True Virtue (A natureza da verdadeira virtude), que
foi publicada postumamente em 1765, mas também era um tema frequente em muitas
de suas outras obras. Edwards concordava com os moralistas britânicos
contemporâneos, como Francis Hutcheson, de que os seres humanos possuíam uma
capacidade natural de reconhecer a moralidade e seguir um “senso moral”
interno. Porém, ele também sustentava que esse tipo de moralidade era
inevitavelmente prudente, pragmático e, em última palavra, uma expressão de
amor próprio. Esse comportamento socialmente útil estava muito longe da
verdadeira virtude, visto que “é evidente que a verdadeira virtude deve
consistir principalmente em amar a Deus, o Ser dos seres, infinitamente o maior
e melhor dos seres” (Escritos Éticos,
550).
Logo após a morte de Edwards, seus descendentes intelectuais
afastaram-se do idealismo afetivo de sua filosofia para formas do senso de
realismo comum. Na metade do século 19, o presbiteriano de Nova York, Henry
Boyton Smith, escreveu um dos melhores relatos sobre as extensas implicações
deste movimento (em um ensaio sobre Nathaniel Emmons, no livro de Smith, Faith and Philosophy). Agora, porém,
volto à história em que o ponto deste miniensaio deve introduzir a filosofia de
Jonathan Edwards, um assunto que é mais que o suficiente por si só.
O
Professor Mark Noll é um erudito líder da religião americana. Ele escreveu muitos livros, que incluem America’s God From Jonathan Edwards to
Abraham Lincoln (Oxford, 2002) e The
Rise of Evangelicalism The Age of Edwards, Whitefield, and the Wesleys
(Intervarsity Press, 2004).
Para mais fontes bibliográficas:
America’s God: From Jonathan Edwards to
Abraham Lincon, Mark Noll
The Rise of Evangelicalism: The Age of
Edwards, Whitefield, and the Wesleys, Mark Noll
Jonathan Edwards: A Life, George Marsden
Veja também, Stanford Enclyopedia of
Philosophy
Disponível no Jonathan Edwards
Center, Yale University. www.edwards.yale.edu
Tradução:
Paulo Corrêa Arantes
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