Frase da Semana

Assim, tudo é de Deus, está em Deus e existe para Deus; ele é o começo, o meio e o fim.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Biografia: Jonathan Edwards

Jonathan Edwards foi filho de duas famílias de ministros. Seu pai, Timothy Edwards, foi ministro congregacionalista; sua mãe, Esther Stoddard Edwards, era filha do influente ministro de Massachusetts, Solomon Stoddard. Nascido em uma família de pastores, Edwards foi criado para o ministério, recebendo sua educação inicial de seu pai.
Quando estava com doze anos, Edwards entrou no Yale College. Yale tinha sido recentemente estabelecida como uma oposição doutrinária e geografia ao Harvard College, o qual, segundo alguns criam, estava se tornando doutrinariamente liberal. Edwards recebeu uma educação teológica sólida, mas também foi instruído na nova ciência, na psicologia e na filosofia de Isaac Newton, John Locke, George Berkeley e outros pensadores europeus contemporâneos. Edwards mesclou essas duas influências – teologia congregacionalista e filosofia iluminista – à medida que ele reformulou a doutrina cristã em termos compatíveis com a nova filosofia.
            Estas influências educacionais foram acompanhadas pelo desenvolvimento espiritual de Edwards. Enquanto criança, Edwards experimentara desejos religiosos, mas pensava ser espiritualmente carente em dois aspectos. Primeiro, ele ainda não podia reconhecer a soberania de Deus, porque duvidava da doutrina da eleição. Em segundo lugar, Edwards não acreditava que ele tivesse experimentado a obra de conversão produzida pela graça de Deus. Antes do Avivamento, raramente pensava que a conversão viesse em um instante; pelo contrário, era considerada como um processo gradual pelo qual Deus convertia a alma preparada pela fé. Ainda assim, Edwards estava convencido de que Deus estava trabalhando nele.
            Após receber seu título de bacharel, em Yale, em 1720 e estudar para o mestrado em Yale por um ano, Edwards serviu como ministro em uma Igreja Presbiteriana em Nova York, em seguida em uma igreja do interior, em Connecticut. Logo ele retornou para Yale, a fim de trabalhar como tutor, uma posição na qual ele era, ao mesmo tempo, professor e supervisor dos alunos da faculdade. Ele sofre uma grave depressão, em parte por causa da desobediência de seus alunos, em parte por causa de suas constantes lutas contra tentações. Porém a depressão de Edwards provou ser seu ponto espiritual decisivo. Ele experimentou uma conversão pessoal que foi ao mesmo tempo espiritual e intelectual: ele ficou convencido de que Deus o convertera pela graça e que Deus era, de fato, soberano e justo.
            Em 1726, Edwards obteve a posição de pastor assistente de deu avô, Solomon Stoddard. Stoddard era o principal pastor na Nova Inglaterra, especialmente no Vale do Rio Connecticut. Sua influência se estendia por uma grande área, e ele a exercia tanto de seu púlpito em Northampton, Massachusetts, quanto como patriarca de uma família de pastores, advogados e soldados. Quando seu avô morreu, em 1729, Edwards assumiu sua posição como pastor de Northampton.
            Quando Edwards alcançou sua própria posição, ele começou a desenvolver os principais temas e métodos de seu ministério. Embora, mais tarde, ele seja melhor conhecido por causa de suas pesadas obras de teologia e filosofia, muito de seu labor inicial resultou em sermões escritos. Estes sermões enfatizavam que Deus julgaria o pecado, que a vontade de Deus determinava quem seria salvo e que os pecadores deviam se preparar para receber a graça de Deus, embora somente a graça, por meio da fé, pudesse realmente conceder a salvação. Edwards trabalhava em seus sermões de doze a quatorze horas por dia, consumindo pouco tempo em visitas pastorais a sua congregação. Ele pregava do modo convencional da Nova Inglaterra, todavia, ele também trazia algo novo à pregação. Se a pregação devia ter algum efeito, Edwards pensava, então ela devia mexer com as afeições das pessoas, falando ao coração tanto quanto à cabeça.
            A obra de Edwards foi recompensada no inverso de 1734-35, quando os jovens de Northampton experimentaram uma explosão de entusiasmo religioso. Muitos rapazes e moças da Nova Inglaterra eram inaptos para se casarem porque o rápido crescimento populacional da Nova Inglaterra deixara pouca terra disponível, impedindo os jovens de serem capazes de sustentarem-se. Em idade para se casar, porém ainda contido sob a autoridade dos pais, homens e mulheres no final da adolescência e juventude muitas vezes se envolviam na ociosidade, fofoca e pecados sexuais. Edwards tinha como objetivo esses pecados em sua pregação e – depois de anos de resistência – muitos dos jovens repentinamente entraram para a membresia da igreja, professando conversão. Edwards escreveu sobre este avivamento em sua Faithful Narrative of the Surprising Work of God (Fiel Narrativa da Obra Surpreendente de Deus, 1737), um tratado que foi extraordinariamente influente tanto na Nova Inglaterra quanto na Grã-Bretanha. A Faithful Narrative (Fiel Narrativa) tanto divulgou o avivamento em Northampton quanto introduziu outros ministros ao novo estilo de pregação e conversão de Edwards.
            O avivamento de 1734-35 estimulou avivamentos similares nas cidades ao redor, mas este avivamento permaneceu basicamente local. Após poucos meses o fervor abrandou-se, e Edwards voltou a lutar contra uma congregação dura de ouvido. Porém, em 1740-41, Edwards trabalhou junto com George Whitefield, um ministro itinerante da Inglaterra, que estava viajando pelas colônias britânicas na América. Apesar de Edwards e Whitefield não olharem olho no olho sobre algumas coisas – Edwards considerava a pregação de Whitefield muito extravagante – eles concordavam sobre a necessidade de conversão interior e sobre a teologia do avivamento. A pregação combinada de Edwards, Whitefield e outros ministros em todas as colônias acendeu outra série de avivamento, da Geórgia até a Nova Inglaterra. A excursão de Whitefield através das colônias ligou os avivamentos locais, regionais, a uma experiência compartilhada, que se tornou o Grande Avivamento.
            Apesar de o Grande Avivamento ter feito muito para fortalecer as igrejas e aumentar sua membresia e fervor, ao mesmo tempo, ele causou divisão nas igrejas e denominações por todas as colônias e na Grã-Bretanha. Alguns ministros ortodoxos conservadores e muitos ministros liberais se opuseram ao “entusiasmo” do Avivamento, como as explosões emocionais excessivas dos novos convertidos. A recusa de alguns ministros de reconhecer o Avivamento como a obra de Deus, por um lado, e as críticas muitas vezes severas para com outros ministros pelos defensores do Avivamento, por outro lado, levou a um racha profundo. Edwards sinceramente tomou o lado dos reavivalistas e escreveu muito em defesa do Avivamento, mas ele teve o cuidado de distinguir entre a obra genuína de Deus e os excessos humanos do Avivamento. Em The Distinguishing Marks of a Work of the Spirit of God (As marcas distintivas de uma obra do Espírito de Deus,1741), ele explicou que exibições emocionais não provavam que alguém era convertido, mas nem elas atrapalham a obra de Deus. E em Some Thoughts Concerning the Present Revival of Religion (Alguns pensamentos sobre o presente avivamento da Religião,1742), ele defendeu as experiências dos convertidos ao descrever os êxtases espirituais de sua esposa, Sarah Pierpont Edwards, a quem ele deixou anônima.
            Além de promover e defender o Grande Avivamento, outra grande obra de Edwards foi explicá-lo por meio de uma nova e distinta teologia. Fluíam em Edwards várias crenças intelectuais e religiosas de seus dias: teologia puritana, racionalismo iluminista e pietismo continental, bem como sua própria experiência no Avivamento. Edwards fundiu essas correntes – aceitando e modificando partes de cada uma – em uma teologia que manteve a doutrina puritana dos primórdios da Nova Inglaterra, mas que foi proclamada nos termos das novas filosofias e ciências, e que explicava e encorajava a conversão e os avivamentos. Edwards descreveu como Deus operava nos homens para salvá-los e para revelar a si mesmo. A graça salvadora de Deus revelava Deus não apenas ao intelecto humano, o que os teólogos anteriores chamavam de “entendimento”, mas também a suas afeições e emoções, o que Edwards chamou de o “coração”. Em outras palavras, uma pessoa salva pela graça não apenas reconhece as proposições com seu intelecto, mas antes as apreende mediante uma confiança total em Deus, combinando sua mente e seu coração em amor para com Deus. Edwards explicou isto de modo mais claro em sua grande obra A Treatise on Religion Affections (Um tratado sobre as afeições religiosas, 1746). Essa obra foi a base da teologia que Edwards e outros avivalistas pregaram de modo a influenciar as afeições de seus ouvintes, provocando muitos avivamentos.
            O entusiasmo do avivamento em Northampton logo deu lugar a litígios entre o pastor e a congregação. As tensões entre Edwards e sua igreja vinham se desenvolvendo há vários anos. Frequentemente Edwards solicitava aumento de salário por causa da inflação e do crescimento da família – nove filhos e uma esposa – mas rotineiramente a cidade negava atender essas solicitações. Os esforços de Edwards para conter os pecados dos jovens tinham produzido o avivamento, mas eles também desenvolveram uma pressão contrária de descontentamento. Duas coisas conduziram o conflito ao clímax. Edwards censurou publicamente alguns jovens, pelo nome, do púlpito, mas falhou em distinguir entre os acusados e os que eram meramente testemunhas. Desse modo, ele irritou uma porção considerável de sua congregação. Edwards também instituiu a nova exigência de que o candidato a membro da igreja devia apresentar uma profissão de fé crível antes de ser autorizado a participar da comunhão. Essa exigência era um retorno moderado à tradição puritana mais antiga na Nova Inglaterra, mas anulava tanto a política do avô de Edwards quanto a antiga tradição de Northampton. Edwards foi logo demitido, embora continuasse na incômoda posição de pregar no domingo toda vez que a congregação não conseguia outro ministro.
            Em 1752, Edwards dirigiu-se para outro pastorado, em Stockbridge, uma cidade de fronteira no oeste de Massachusetts. Ali, ele foi tanto pastor da pequena comunidade de colonos quanto missionário em um assentamento de índios moicanos. Viver em Stockbridge era perigoso, pois a família de Edwards esteve ali durante a metade da Guerra Franco-Indígena, uma época de frequentes ataques ao longo da fronteira. Porém, ali, Edwards também trabalhou em suas principais obras filosóficas. Ele também trabalhou no que esperava ser suas duas obras-primas, embora não tenha terminado nenhuma: um comentário em larga escala ou estudo da Bíblia, e um estudo maciço de doutrina cristã em forma histórica, que receberia o título de The History of the Work of Redemption (A história da obra da redenção).
            Edwards deixou Stockbridge em 1758 para tornar-se o presidente do College of New Jersey (mais tarde Princeton University). Pouco tempo depois de assumir suas responsabilidades, uma epidemia de varíola atingiu a cidade. Edwards, que se atualizava com os avanços da medicina, estimulou os habitantes da cidade e sua própria família para serem vacinados. Quase todos que foram vacinados sobreviveram à epidemia, mas Edwards morreu devido a complicações.
            Embora tenha morrido com a idade de 58 anos, deixando inacabados o que ele considerava serem seus mais importantes trabalhos, Jonathan Edwards exerceu uma profunda influência sobre a religião americana. Suas posições teológicas e filosóficas lhe renderam uma reputação como o maior dos teólogos americanos e como um dos dois ou três grandes filósofos da América. Porém a maior contribuição de Edwards foi sua obra como o pastor e pregador que provocou o Grande Avivamento, uma obra que satisfez a afeição consumidora de Edwards pela glória de Deus.

Original disponível em: http://greatawakeningdocumentary.com/itens/show/57
Tradução: Paulo Corrêa Arantes




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